Pavilhão do Brasil em Xangai é construído

Em maio de 2009 a AsBEA (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura) e a APEX (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e investimentos) realizaram processo de seleção para o projeto do Pavilhão Brasileiro na Expo Xangai 2010. O processo de seleção foi restrito a associados da AsBEA, que nunca divulgou detalhes do procedimento e dos critérios de julgamento.

A falta de transparência do processo, a suposta irregularidade do procedimento (que ao envolver recursos públicos deveria, segundo a Legislação, ter sido preferencialmente contratado por meio de concurso e obrigatoriamente seguir princípios da contratação pública como ampla publicidade e isonomia no tratamento aos concorrentes) , além de questionamentos sobre a qualidade  da proposta e sobre a pertinência dos conceitos e valores simbólicos que a fundamentam, provocaram intensos debates. A polêmica não ficou restrita ao Brasil – (veja os comentários publicados aqui no portal) (*), mas também no âmbito internacional, como relata o site archdaily.com , que acaba de divulgar imagens da construção do pavilhão brasileiro, que é descrito pelos editores do archdaily.com – que publicou grande parte dos pavilhões da Expo Xangai 2010 – como um dos mais controversos e debatidos.

Segundo explicação dos autores do projeto:

“Tratava-se de um concurso para a decoração de um pavilhão alugado. Houve muitas dificuldades, devido às regras impostas pela Expo. Portanto, nosso trabalho foi criar uma pele externa para que o Pavilhão Brasileiro fosse notado e para revelar uma “Brasilidade”, com uma solução que deveria expressar nosso design. Também  utilizamos elementos no espaço interno para brincar com a percepção dos visitantes sobre o espaço. A forma de “parêntese” do exterior do pavilhão se refere a um braço aberto, dizendo que o Brasil é dessa forma, acolhendo todos os diferentes tipos de pessoas e culturas. Uma pele verde, em forma de “parêntesis”, cobre o exterior do pavilhão. Esta pele é feita da reutilização de madeira usada, fixada a uma malha de aço na fachada. Isso é a “Brasilidade” do design brasileiro.” (traduzido a partir do texto publicado no archdaily.com).

Veja abaixo imagens do pavilhão, recém-construído:

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(*) Até esta data, a notícia do portal concursosdeprojeto.org – publicada em maio, 2009 – sobre o pavilhão do Brasil em Xangai recebeu quase 9 mil visitas e 80 comentários. O interesse pela notícia, no entanto, não impediu a construção do controverso Pavilhão do Brasil, que será inaugurado sem que tenha havido manifestações oficiais e institucionais sobre o procedimento realizado pela AsBEA e pela APEX.

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Imagens: archdaily.com


36 respostas em “Pavilhão do Brasil em Xangai é construído

  1. Parece uma caixa de sapatos com um monte de palito de picolé colado em volta. Tem certeza que não havia outro clichê para ferir o )Brasil( ?

  2. Confuso e verde.

    Sou estudante do primeiro ano, mas acredito que não é possível não haver um projeto mais representativo da nossa arquitetura.

    Desculpem-me se estou falando besteira, mas acho que verde e amarelo ficou muito “clichê” e falar que o Brasil é o país que engloba muitas culturas só é uma desculpa falta de identidade do projeto.

  3. O mais interessante é que enquanto sofremos com a “transparência” da escolha do projeto e a indiscutível falta de qualidade do mesmo…provavelmente os donos da idéia estão colhendo frutos e projetando sabe-se Deus onde com essa bizarrice como carro-chefe no currículo. Estão ganhando dinheiro, nos envergonhando e rindo da nossa cara !!! Eita Brasilzão !!! Se pudesse deixava-o…

  4. Apaguei sem querer um comentário…

    O Pavilhão só comprova a teoria dos aculturados do resto do mundo… o país é uma floresta! Moramos em árvores e nos locomovemos através de cipós!

  5. É Ano de copa do mundo!! Tinha que pintar o pavilhão de verde! Claro!! O País inteiro esse ano é verde e amarelo!

    E la foi mais uma oportunidade pros arquitetos brasileiros mostrarem seu trabalho!! Porque não homenagear brasília que faz 50 anos e é símbolo da arquitetura? Enfim… Oque mais caracteriza o país são, realmente, as duas bananas!! )a todos(!

  6. Vergonhoso é pouco oque eu, como estudante de 2º ano de arquitetura, tenho para dizer. Se não tem criatividade, se não sabe fazer, não inventa, abra um concurso e deixe que os verdadeiros amantes da arquitetura e bons de projeto lhes mostrem o caminho…ou sera que tem medo da galera jovem que vem ganhando tudo?

  7. Este pavilhão, por tudo que ele significa, é a cara do Brasil na era Lula. Corrupção, negligencia e incompetencia misturados com um bocado de arogancia e um autoritarismo latente e mal disfarçado.

  8. Fico estarrecido com a falta de criatividade dos nossos representantes, vergonhoso, feio, não seria melhor colocar um barraco de favela…….
    não da na mesma isto é um barraco.

  9. Que coisa rídicula… isso foi feito por um arquiteto??? Valha-me Deus! Seria mais fácial pendurar palhas, folhas de bananeira e palmeiras na frente pra representar a “receptividade brasileira”.
    Como eu queria poder dizer: “ao menos o Brasil tem um pavilhão” oque não aconteceu na Expo de Nagoya – Japão , mas nem isso eu consigo. Dá vergonha de olhar pra esse Verdão e mais vergonha ainda quando comparamos com os outros pavilhões. Poxa se tinha que ressaltar o verde do Brasil coloque um jardim suspenso no topo como fez França, NOva Zelandia ou Suíça. Falando em pavilhões, meus favoritos são Canadá, Reino Unido , Alemanha, Israel, Nova Zelandia, Noruega, Koréia

  10. Vergonha alheia de ver esse projeto. Eles não se contentaram em usar madeira reciclada, e fizeram questão de que as ripinhas verdes parecessem mesmo sobras de construção.

  11. Como diria um “brasileiro” amigo meu: “JÉZUIZ..TENHA PIEDADE”..
    Ainda temos que comer muito feijão pra superar nossos problemas – Esse projeto mostra, não só o despreparo de nossos arquitetos (sim – boa parte de nós é incapaz de projetar a casa de um cachorro)como de nossso órgão de classe, incapaz de mediar imparcialmente algo assim, o que reflete, tal e qual, o despreparo de nosso povo, mal educado (diga-se aqui péssima educação, tanto em casa quanto no sistema de ensino), e consequentemente o despreparo de nossos órgãos de governo, em especial os governantes eleitos. Esse pavilhão poderia ser o caixote que embala algum produto dos Campana – sem desmerecer os Campana, que têm seus méritos.

  12. (concurso)entre parentesis….fechado
    )conceito( fora de parentesis… vago
    só faltou agora fazer o mais famosos EMOTICON VIRTUAL… A BRASILIDIDADE – :)

    O oque podemos dizer…. – :((((

    ISTO É QUASE NEPOTISMO… um (concurso) “entre parentes”

  13. Pra economizar as minhas, as palavras deles:

    ‘… nosso trabalho foi criar uma pele externa para que o Pavilhão Brasileiro fosse notado e para revelar uma “Brasilidade”, com uma solução que deveria expressar nosso design…’

    Kieslowskyanamente:
    “a brasilidade é verde”…

    ‘… Também utilizamos elementos no espaço interno para brincar com a percepção dos visitantes sobre o espaço…’

    Volta e meia leio isto, arquitetos “brincando”
    Com o dinheiro nosso, então, é o máximo.

    ‘… A forma de “parêntese” do exterior do pavilhão se refere a um braço aberto, dizendo que o Brasil é dessa forma, acolhendo todos os diferentes tipos de pessoas e culturas…’

    Não há mesmo, atualmente, limites para a estupidez. A cada dia, uma nova superação.

    ‘… Uma pele verde, em forma de “parêntesis”, cobre o exterior do pavilhão. Esta pele é feita da reutilização de madeira usada, fixada a uma malha de aço na fachada. Isso é a “Brasilidade” do design brasileiro…’

    “reutilização de madeira usada” é uma baita duma redundância, hein?
    e será esta, então, a brasilidade do design brasileiro, pintar lixo de verde?

    tem coisas que é melhor nem tentar explicar, nem mexer, que só fede mais, né?

  14. Esse projeto é, sem dúvida alguma, representativo do Brasil. Representa a nossa péssima administração pública, nosso “jeitinho”, nossa passividade, nosso pensamento colonizado etc. etc.
    Não representa a ânsia ou a postura dos arquitetos e urbanistas do país (ou melhor, de boa parte desses), mas representa tudo aquilo que devemos enfrentar.

  15. “República das bananas, republiqueta de banana ou república bananeira é um termo pejorativo para um país, normalmente latino-americano, politicamente instável, submisso a um país rico e frequentemente com um governado corrompido e opressor.” Olhem como estes “parênteses” parecem bananas.

  16. É realmente decepcionante a perda da oportunidade de um grande concurso público, uma grande movimentação no cenário cultural da profissão, mas, sobretudo, é mais irritante a falta de embasamento e proposta crítica de um projeto como esse.
    Assusta-me a constatação de que se trata muito mais de uma visão estrangeira sobre o Brasil, que pouco faz jus à complexidade e diversidade culturais de que somos constituídos, do que um simples clichê.
    A oportunidade de ser constatantemente crítico e propositivo com vistas a um horizonte de mudanças necessárias na sociedade, na percepção humana, na paisagem das cidades, no conceito de território, no planejamento de um país, foi a faceta que mais levianamente abandonamos nas últimas 3 décadas e que agora buscamos lentamente colocar em pauta novamente.
    Muito se disse sobre a ingenuidade das propostas que queriam mudar o mundo por meio de ações estatais, ou ações “dos arquitetos”. Contemporaneamente, entretanto, fica claro que Projeto é algo muito maior que um mero desenho arquitetônico, contrário a uma visão unidisciplinar, do arquiteto para a sociedade, sem o caminho de volta. É uma instância que possibilita a articulação e integração de diversas abordagens, de diversos anseios e principalmente, abre caminhos e aponta direções desconhecidas ou ainda não debatidas pela sociedade.
    Considerando isso tudo e tendo analisado o projeto de modo atento, o projeto para o pavilhao brasileiro em Xangai não me representa como brasileiro, é um mero jogo casuístico de argumentos publicitários. E só!

  17. Pavilhão de Nova Iorque (1939) de Lucio Costa; Pavilhão de Bruxelas (1958) de Sérgio Bernardes; Pavilhão de Osaka (1970) de Paulo Mendes da Rocha; Pavilhão de Sevilha (1992), de Puntoni, Bucci e Vilela (não construído).

    SÓ QUERIA DIZER ISSO…..

  18. Em um momento onde o Brasil se desponta de forma positiva, a APEX e a entidade organizadora demonstram claro desprezo por uma oportunidade que poderia orgulhar os Arquitetos Brasileiros por valorizar sua qualidade: lamentavel acho pouco para expressar o sentimento por este episodio.

  19. Exemplo de arquitetura de concurso. A “já” velha grelha, o “já” velho discurso do orgânico estrutural. Só precisávamos da nossa “ainda” velha arquitetura brasileira.

  20. Uma vergonha. Bizarro mesmo. Imaginem o que os colegas estrangeiros estão pensando dos arquitetos brasileiros….
    Posso afirmar que estudantes do segundo semestre conseguem desenvolver um objeto pelo menos 3 vezes mais interessante.

    “A forma de “parêntese” do exterior do pavilhão se refere a um braço aberto, dizendo que o Brasil é dessa forma, acolhendo todos os diferentes tipos de pessoas e culturas.”

    Sempre o mesmo clichê….presente para suprir a ausência de criatividade.

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