Concurso – SESC Guarulhos – SP – Libeskindllovet

4° lugar – Libeskindllovet Arquitetos

Memorial Descritivo

PARTIDO:

“Nesta cidade, feita de sucessivas adições, de fragmentos, o projeto cria com sua implantação uma determinada ordem e uma rica variedade de espaços, promovendo o encontro da população. A intervenção proposta explora a capacidade da arquitetura e do urbanismo, privilegiando a interação entre a Unidade do Sesc, o Parque Vicente Leporace e a cidade. O projeto aposta decididamente pela conexão do parque com o prédio, definindo um novo espaço de transição entre a cidade e a natureza. Constrói-se assim um “container” de atividades, um centro de cultura e lazer do cidadão; um local de desfrute da cidade, da natureza e do tempo livre. O projeto para a nova Unidade do Sesc procurou ser implantado com o mínimo de interferência no terreno natural, aproveitando os desníveis e o platô existente.

Partimos da idéia de dois eixos orientadores. Um deles, paralelo à Avenida Guilherme Lino dos Santos, conforma um volume retangular horizontal, ligeiramente suspenso do solo, que constitui o prédio principal. O outro, perpendicular, se converte em uma plataforma que dá continuidade física e visual para a rua Santa Barbara, trazendo o pedestre para dentro da unidade. A partir do cruzamento desses eixos, o programa do Sesc é distribuído de acordo com as necessidades e potencialidades de cada atividade em relação ao espaço.

Nos extremos do eixo perpendicular, em níveis diferentes, encontram-se os acessos principais da Unidade, que convergem em um átrio central, área de convivência, com pé-direito amplo e grandes vazios. Nesse espaço se encontra também o núcleo de circulação vertical, a espinha dorsal do prédio. Este grande átrio interno, que permite ver com clareza os ambientes que definem o programa, recebe o visitante e o direciona às diferentes áreas. O átrio interno é banhado pela luz natural que entra, após ser filtrada pelos brises, pela fachada e pela cobertura.

O programa é dividido em 4 pavimentos. No pavimento térreo, estão concentrados o acesso inferior, os acessos de serviço, a entrada para o estacionamento e o setor operacional. Próximo a entrada social, ficam a Clínica Odontológica e a Estação de Educação Ambiental. Essa entrada é marcada pelo volume da caixa d`água, que atua como um grande totem afirmando a presença do Sesc e o seu caráter institucional. O primeiro pavimento ocupa o platô formado pelo antigo campo de futebol. Nele, a partir da área de convivência, se distribuem as atividades principais do Sesc: as esportivas cobertas (piscina e ginásio), as esportivas descobertas (piscina recreativa e quadras) e o teatro, com acesso controlado e do restaurante – cafeteria e os espaços de lazer e convivência ao ar livre para o publico geral. O conjunto aquático descoberto e a piscina coberta (acomodada no desnível do terreno) ficam lado a lado, concentrando o acesso, os vestiários e as áreas técnicas e de apoio de ambas.

No segundo pavimento, se encontra o acesso de quem vem pelo parque ou pela rua Santa Bárbara: uma plataforma que se converte no espaço dos acontecimentos, podendo ser habitada de diferentes formas, como uma superfície capaz de acolher vários usos. A plataforma fica nivelada com a cidade no ponto mas alto do terreno, se convertendo em um mirante. As atividades mais privativas e de programa mais específico, como é o caso da administração, das salas de formação musical e da biblioteca, estão no terceiro, e último, pavimento.

ESPECIFICAÇÕES GERAIS:

O prédio será construído parte em estrutura de concreto, parte em estrutura metálica, alvenaria para áreas molhadas e divisórias modulares para os ambientes de trabalho. Para prover flexibilidade de espaços a estrutura está modulada em vãos de 10 x 10m, prevendo shafts para as instalações de elétrica e hidráulica.

O fechamento externo do edifício recebe caixilhos e vidros de segurança e placas de concreto pré-moldado; a proteção solar se dará através de uma segunda pele metálica com translucidez controlada. O ginásio será envolvido por uma pele composta por peças de vidro autoportante e com propriedades acústicas (UGlass).

CONFORTO AMBIENTAL:

O conjunto tem cuidado com o impacto ambiental, respeitando parte da vegetação existente, mantendo áreas permeáveis, integrando-se física e socialmente com a cidade.

As edificações foram projetadas conforme as condições de latitude e de topografia, visando uma arquitetura bioclimática que controle iluminação, ventilação cruzada e insolação térmica, minimizando o uso de ar condicionado. O revestimento das fachadas ajuda a criar a convecção dando-se o efeito de sucção.Todos os blocos possuem ventilação natural. No bloco principal, o ar aquecido sai naturalmente pelas frestas da cobertura de vidro do átrio central. Sobre a cobertura do prédio principal, que se estende longitudinalmente no sentido norte-sul, estão os coletores solares para aquecimento da água. Serão captadas as águas pluviais para seu reuso nas bacias e na irrigação das áreas verdes. Está prevista também a utilização de novas tecnologias de iluminação, para redução de manutenção e de consumo e a utilização de materias provenientes de reciclagem e reutilização, a fim de que seja priorizada a utilização de materiais locais e de produtos de baixo impacto ambiental.

PAISAGISMO:

O projeto de paisagismo não é complementar ao edifício, pelo contrário, é o componente vegetal que faz o nexo entre o ambiente construído e o natural. O projeto de paisagismo proposto, portanto, interpreta o existente, enfatizando os seus aspectos mais importantes e reconstruindo relações. A manutenção dos percursos peatonais é uma das considerações do projeto que oferta estas possibilidades de caminhos como gentileza urbana.

1. Complementação da vegetação arbórea existente no entorno: a propriação da paisagem extramuros para definição do limite visual, incorporando a paisagem envoltória no projeto. Como contraponto às árvores existentes, foram criadas umas alamedas de Caesalpinias pheltophoroides (sibipirunas) e Lecithis pisonis (sapucaia) dentro do parque e de Caesalpinias ferrea (pau-ferro) na Av. Santa Bárbara e na Av. Guilherme Lino dos Santos.

2. Vegetação Interna: foram propostas espécies com flores para compor com o verde dos eucaliptos existentes, dentre elas a Plumeria rubra (jasmim-manga) e a Tabebuia chrysotricha (ipê-amarelo).

3. Estacionamento: proposição de vegetação arbórea, sombreando o estacionamento descoberto (piso permeável). Arbóreas propostas: Plumeria rubra (jasmim-manga) ou Tabebuia impetiginosa (ipê-roxo).

4. Áreas gramadas: utilização de forrações nos taludes e na cobertura da piscina, contribuindo com o isolamento térmico desejável: Arachis pumila (grama amendoim) e Dichondra repens (dicondra).

5. Espelhos d´água :proposição de jardins aquáticos. Plantas propostas: nymphoides peltata (ninféa), Typhonodorum lindleyannum (banana d´água), Colocasia giganteae (orelha-de-elefante), Echinodorus macrophyllum (chapéu-de-couro), Pistia stratioides (alface-d´água) e Pontederia cordata.”

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PARECER DA COMISSÃO JULGADORA

“A implantação está configurada com   um subsolo, um térreo e três andares superiores. A proposta prevê a inserção da edificação na malha urbana existente, criando dois acessos de pedestres em diferentes níveis, o que exigirá controles distintos. O eixo central que articula os acessos da Av. Guilherme Lino dos Santos e do prolongamento da R. Santa Bárbara, também integra as atividades da unidade, assim como as áreas abertas e descobertas. No entanto, o acesso principal da Av. Guilherme Lino dos Santos, por meio de escadas e elevadores e sem contato visual com o saguão principal, dificulta a clara percepção das demais funções da unidade. A proposta buscou atender ao programa de cultura e lazer delineado pelo Termo de Referência, ainda que tenha subdimensionado algumas áreas e proposto uma setorização que comprometeu os fluxos.”

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FICHA TÉCNICA

Projeto de Arquitetura:

Libeskindllovet Arquitetos

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Concurso – SESC Guarulhos – SP – Forte, Gimenes e Marcondes Ferraz

3° lugar – Forte, Gimenes & Marcondes Ferraz

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Partido e Sustentabilidade

O partido arquitetônico surgiu em conjunto com as configurações do terreno após extensa investigação de programa e massas. A organização de um edifício principal, alinhado com a rua tem como objetivo “entregar” o SESC para a cidade de Guarulhos, enquanto configura uma grande praça pública que permite o acesso as atividades específicas ligadas diretamente à comunidade.

O edifício realiza a conexão dessa praça pública com a praça de esportes, cinco metros acima, um pouco mais reservada e abrigada pela própria construção, de forma que as atividades de lazer e esportivas transcorram com grande comodidade.

Imaginou-se um edifício translúcido através de brises que filtrassem a luz e a ventilação criando interessantes visuais internas e externas de luz e sombra. A noite o efeito se inverteria e o SESC seria uma grande lanterna a convidar os cidadãos a freqüentá-lo. Grandes varandas verdes se projetam para fora do edifício, e a partir delas é possível realizar apresentações públicas para os transeuntes que estejam ou passem pela praça pública.

Um edifício democrático, convidativo, que desperte o interesse dos moradores e dos passantes, simbolizando a união do SESC com a comunidade local é o resultado almejado, enquanto questões de sustentabilidade estejam em seu coração, transfigurando seus espaços.

Sustentabilidade tem se tornado, ultimamente, uma palavra da ‘moda’. Tanto que, em muitos casos, privilegiam-se questões ‘bioclimáticas’ e de ‘eficiência energética’ em detrimento da arquitetura, do espaço, do uso. Acreditamos que essa é uma forma equivocada de enfrentar o assunto, pois não considera que, no final das contas, o grande objetivo da nossa profissão é possibilitar melhores condições de moradia, trabalho e lazer. Enfim, uma vida melhor.

Assim sendo, nossa proposta busca não confundir o instrumento com a finalidade. Sustentabilidade é mera ferramenta de projeto, que deve permear e alimentar todas as etapas da concepção arquitetônica, mas os protagonistas da história devem ser sempre o espaço e o usuário.

Desta forma, buscamos soluções ao mesmo tempo simples e inteligentes, que respondam por uma melhor qualidade do edifício. Levando em consideração as premissas da certificação AQUA, desenvolvemos um projeto que respondesse a questões ambientais, sociais e econômicas.

Em primeiro lugar, há de se considerar o aspecto público de uma unidade do SESC. A entidade tem como um de seus principais fundamentos a inclusão social e a criação de espaços verdadeiramente democráticos. E o edifício deve falar esta língua – comunicar sua generosidade, acolher o cidadão e servi-lo sem reservas. Uma das preocupações primordiais da nossa proposta é a relação do edifício com a cidade: uma grande praça pública e aberta antecede o edifício, presenteando a cidade com uma qualidade espacial incomum no tecido urbano convencional.

Ainda quanto à relação do edifício com a cidade, sua escala também foi contemplada. Já que o programa solicitado implica um edifício de grande porte, pensamos que seria importante cuidar para que não se tornasse um objeto agressivo à paisagem, nem prejudicasse os edifícios vizinhos. Recuado, visualmente permeável, com altura reduzida, o SESC Guarulhos busca uma relação de escala amigável com o entorno, não bloqueia o sol nem obstrui a ventilação.

Sua implantação também busca uma relação direta e clara com a mata ao fundo, promovendo sua integração aos espaços e usos do complexo do SESC. A topologia do lote também foi aproveitada, buscando-se reduzir impacto no subsolo e custos de implantação. Assim, o terreno tem uma relação direta com o edifício em vários níveis, permite a criação de uma grande esplanada frontal, aberta para a cidade e os taludes formados são incorporados como áreas verdes e como ‘vitrine’ para as plantas do viveiro, que ocupa toda a sua área.

A escolha de sistemas construtivos e materiais também foi contemplada na proposta: materiais certificados, recicláveis ou reciclados (como o concreto de baixa queima e com 25% de entulho moído, por exemplo), preocupação com materiais adequados ao nosso clima e passíveis de produção nacional (como as placas cerâmicas da fachada), absorção de mão-de-obra local etc. Tudo levando em conta, também, a viabilidade técnica e econômica da construção. O próprio formato do edifício principal partiu da preocupação com a ventilação e iluminação eficientes.

Além disso, prestou-se particular atenção a questões de conforto higrotérmico, acústico, visual e olfativo. Estratégias simples como localização de plantas e espelhos d’água em locais estratégicos permitem controle de temperatura e umidade. Nos dias mais quentes, aspersores de água ao longo da fachada são capazes de reduzir em até 3 graus a temperatura do ar. Painéis permeáveis de placas cerâmicas favorecem a ventilação cruzada e iluminação natural ao mesmo tempo em que bloqueiam os ventos fortes e o sol intenso. A lâmina representada pelo edifício principal segrega as atividades esportivas e de lazer do barulho da rua, mas a permeabilidade visual de dentro e de fora do edifício permitem irrestrita integração visual.

A lâmina comporta-se como uma somatória de pequenos edifícios, ‘vazios’ e canteiros envoltos por uma pele permeável e conectado por acessos e passarelas que interligam o edifício ao terreno. Isso facilita a identificação das funções, cria espaços interessantes e integrados, promove transição entre o exterior e o interior e facilita a ventilação e a iluminação de cada função individual. Espaços livres e o uso de alturas variáveis no interior do edifício auxiliam a circulação de ar.

O painel que envolve a lâmina é composta de placas cerâmicas pivotantes, que podem ser abertas e fechadas para um melhor controle de iluminação, temperatura e ventilação. Os espaços ficam mais convidativos pela generosa iluminação natural fracionada, filtrada pelo painel e refletida de forma dinâmica e mutável nos espaços internos. A manipulação das lâminas altera também a circulação de ar, tornando o prédio ajustável conforme a estação.

Nos locais onde o programa impede a ventilação cruzada, criou-se uma parede dupla para convecção natural do ar, possibilitada pelas aberturas na cobertura e pela disposição de aceleradores de vento que ‘sugam’ o ar interno dos ambientes mais fechados.

Espelhos d’água são utilizados para fins de paisagismo, mas também para refletir luz natural para dentro do edifício e para auxiliar no controle térmico e de umidade com sua evaporação. Duas funções adicionais ainda são creditadas aos espelhos d’água: retardar o lançamento de águas pluviais na rede urbana, e reter água pluvial para irrigação e limpeza. Na cobertura, uma terceira função: aumentar a inércia térmica do edifício, evitando o aquecimento exagerado e refletindo o calor. Desse espelho superior são alimentados os aspersores da fachada e irrigados os jardins internos.

Cisternas semi-subterrâneas armazenam água cinza tratada para reuso, e estão previstos sistemas subterrâneos de tratamento de efluentes. A absorção de água prevista pelas generosas áreas verdes e pelos pavimentos drenantes realimenta o lençol freático e evita sobrecarga na rede.

Em resumo, poderíamos resumir e organizar as estratégias de sustentabilidade de acordo com os quatro critérios do sistema de certificação AQUA:

ECO-CONSTRUÇÃO: levou-se em consideração a relação do edifício com seu entorno, seja pela criação de espaços públicos generosos e abertos, seja pela concepção de um edifício que mitigasse o grande porte através de sua permeabilidade visual, altura reduzida e fragmentação do programa. Além disso, a escolha de produtos, sistemas e processos construtivos levou em consideração baixa interferência no terreno e no entorno, materiais locais, com forte conexão cultural e disponibilidade de mão-de-obra, como concreto armado e painéis de placas cerâmicas.

ECO-GESTÃO: o edifício foi imaginado com fácil manutenção e de consumo reduzido de energia e água, notadamente pela preocupação com o controle térmico através de soluções simples. Generosas ventilação e iluminação naturais, sombreamento das fachadas, inércia térmica, reuso de água de chuva acumulada nos espelhos d’água, tratamento de águas servidas, alta permeabilidade do solo, retardamento de lançamento de água pluvial na rede pelos espelhos d’água etc. As soluções utilizadas pretendem-se reguláveis conforme as condições climáticas, permitindo equilíbrio da qualidade do edifício entre as estações do ano.

pav. terreo

CONFORTO: especial atenção foi dada ao papel de auto-regulação térmica do edifício. Graças às estratégias adotadas, especialmente o ‘envelope’ representado pelo painel de placas cerâmicas, criam-se espaços com boa iluminação natural, controle de insolação e ventilação cruzada contínua, mas reduzindo velocidade dos ventos e permeabilidade visual. Aspersores de água ao longo deste envelope são uma estratégia barata e eficiente para o controle de temperatura nos dias mais quentes. A relação do objeto construído com o terreno se dá de forma fluida, estimulando o contato entre as funções e os espaços internos e externos através de passarelas, vazios e aberturas. Abrigada do barulho externo pelo volume do edifício principal, a praça suspensa goza de tranqüilidade para a prática de esportes e atividades de lazer. Ademais, os espelhos d’água e a vegetação foram utilizados não somente como paisagismo, mas também como elementos de controle de temperatura do ar, seja pela evapotranspiração das plantas dos jardins e das fachadas, seja pela evaporação da água que ajuda a resfriar e umedecer o ar. O espelho d’água na cobertura ajuda, ainda, a aumentar a inércia térmica do edifício.

SAÚDE: ambientes adequados à prática de esportes, ao lazer e ao convívio – ventilados, iluminados e de temperatura amena estimulam o uso do edifício e cumpre sua função programática essencial.

pav. superior

subsolo

elevação frontal

corte AA

corte CC

corte DD

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PARECER DA COMISSÃO JULGADORA

“Na proposta há um bom entendimento das atividades a serem desenvolvidas e os espaços, como um todo, atendem de forma organizada as mesmas. A integração entre os espaços se dá apenas por meio de passarelas externas ligando as atividades. Quanto à acessibilidade, nem todas as circulações e fluxos configurados permitem ou são favoráveis à autonomia do público. A ampla área interna de convivência, não garante, por sua localização, a articulação e a visibilidade de todas as áreas.

Destacam-se no projeto a grande praça externa que une o acesso da rua à unidade, promovendo a transição entre o espaço público e o privado, a fachada e os espelhos d’água. A área verde concebida valoriza o paisagismo e garante unidade ao Parque, ainda que do ponto de vista da volumetria e da unidade arquitetônica, a proposta tenha deixado fragmentado o complexo.

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FICHA TÉCNICA

Forte, Gimenes & Marcondes Ferraz

Autores: Fernando Forte, Lourenço Gimenes e Rodrigo Marcondes Ferraz

Equipe: Ana Paula Barbosa, Dante Furlan, Juliana Nohara, Marina Almeida, Mônica Harumi, Renata Davi.

Consultoria Paisagismo: Sidney Linhares (CAP Paisagismo)

Perspectivas: Ana Paula Vasconcelos (ARQ 3D)

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Concurso – SESC Guarulhos – SP – Projetos Premiados

Atualizado em 23.agosto.2009

Em março de 2009 divulgamos o concurso promovido pelo SESC São Paulo para o Projeto da Unidade Guarulhos, com área estimada em  15.000 m2 de área coberta. O projeto vencedor é de autoria do escritório Dal Pian Arquitetos Associados. Continue lendo

Concurso – SESC – Guarulhos – SP – Biselli + Katchborian

2° lugar – Gabinete de Projetação Arquitetônica (Biselli + Katchborian)

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Memorial

O projeto desenha um eixo de conexão entre a rua e o parque, estabelecendo com esta ação as condições de implantação e vetores de distribuição a partir dos quais todas as múltiplas funções do complexo se articulam.

O Partido Arquitetônico determina a construção de um edifício em duas faixas paralelas que se desenvolvem no sentido da profundidade do terreno, gerando uma praça coberta de altura integral entre elas. Esta praça assume diversas funções ao longo do percurso através do edifício: primeiramente como saguão de entrada principal conectado à rua Guilherme Lino dos Santos, num segundo momento como praça interna no nível principal (759.50) e finalmente como acesso em nível com o Parque Vicente Leporace, para o qual pretende-se que o SESC seja um indutor de transformações ao longo do tempo. A Praça é o espaço central do complexo arquitetônico. É espaço de encontro e espaço de estar. Sem programa definido, acolhe o livre uso do freqüentador, em seus bancos, escadas e múltiplas áreas de permanência. Todos os itens do programa se relacionam com este espaço, inclusive as áreas externas em função da transparência do restaurante social e do próprio edifício, que de maneira sutil revela os fluxos e usos em seu interior através da envoltória translúcida.

A implantação assenta o edifício nos níveis naturais do terreno, sobretudo no platô existente, no nível 759.50, propondo um mínimo movimento de terra.

As faixas são definidas em suas dimensões segundo o programa. A faixa norte recebe o programa esportivo e a faixa sul os programas cultural e sócio-educativo, exceção feita ao teatro, que se posiciona na faixa norte junto à entrada desfrutando de posição de destaque no complexo. Na área livre ao sul do edifício concentram-se o conjunto aquático descoberto, as quadras poliesportivas externas e a cancha de areia. As áreas infraestruturais e operacionais encontram-se na cota da rua, e ocasionalmente distribuídas pelos setores do edifício conforme conveniência. Nesse nível também se localiza o estacionamento.

Construção

Edifício a ser construído predominantemente em estrutura de concreto e alvenaria, com exceção da cobertura que envolve todo o edifico, esta em estrutura de aço, possibilitando a sua construção em etapas sem prejuízo da operacionalidade do complexo.

Circulação

O projeto tem por foco a liberdade de fluxos dos freqüentadores. Para tanto, tira-se partido de várias conexões – verticais e horizontais – ligando de modo flexível toda a programação. A Praça é o ponto de partida das principais conexões.

Estrutura

A estrutura dos edifícios foi projetada como um sistema de pilares, vigas e lajes em sistemas de concreto armado ou protendido “in loco” e estrutura em aço. A modulação básica da estrutura é de 20m X 20m. As lajes são nervuradas e protendidas para permitir bom espaço para instalações entre forro e laje.

Construção

Os edifícios foram projetados prevendo os melhores conceitos de conforto ambiental, propondo espaços providos de iluminação e ventilação naturais, e ar condicionado quando necessário. O projeto desenha estruturas de concreto em vãos econômicos e dimensionados para proporcionar espaços abertos e flexíveis.

O projeto prevê caixilhos de alumínio anodizado, vidros laminados, elementos de proteção solar em alumínio, além de um grande elenco de materiais de acabamento de padrão elevado.

Instalações

As instalações prediais estão previstas de forma a serem sempre facilmente acessadas e mantidas, prevendo um conjunto de shafts horizontais e verticais.

Eco Eficiência e Conforto Ambiental

O projeto define iluminação e ventilação natural para a Praça e climatização artificial nos espaços fechados que o demandarem, através do uso de ar condicionado no verão e possibilidade de aproveitar o clima natural no inverno e nas épocas de transição e noturnas.

Pele hermética de vidro seletivo com transmissão baixa de calor para aumentar a eficiência energética do ar condicionado.

Possibilidade de abrir as janelas para aproveitar a ventilação favorecida pela orientação nas épocas mais temperadas do ano e/ ou do dia.

Acessibilidade Integral

Todos os espaços do edifício são acessíveis por rampas, elevadores e escadas, conforme NBR 9050.

Águas

Coleta, filtragem, tratamento UV (luz ultravioleta) e armazenamento de águas pluviais e condensadas (do Ar Condicionado). Uso de água pluvial e condensada como água cinza para irrigação automática dos jardins e vasos sanitários. As águas pluviais serão coletadas em todas as coberturas e áreas impermeabilizadas. Ao redor da edificação escoamento natural das águas pluviais.

Geração de energias renováveis

A fachada em toda a superfície do edifício está à disposição para os efeitos cinergéticos de sombreamento e geração de energia elétrica e/ou água quente com um só elemento arquitetônico, que são os elementos de sombreamento.

Em todos os elementos, desde o partido arquitetônico até os pormenores construtivos mais elementares, o projeto se serve dos melhores conceitos de criatividade, funcionalidade, solução plástica, economia, construtividade e contribuições tecnológicas, fundamentais para a definição de uma arquitetura ao mesmo tempo contemporânea e atemporal.

Planta +6

Planta +10

Planta +14

elevacao 01

elevacao 02

corte 01

corte 02

corte 03

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PARECER DA COMISSÃO JULGADORA

“Constituído por um eixo central e grande praça articuladora das atividades, favorece a integração destas assim como a adequação dos patamares da edificação à topografia existente, o que possibilita o nivelamento com o Parque. Os acessos estão bem identificados em relação à via pública com a ressalva de que no acesso principal, a presença de escadaria necessária para vencer os quatro metros de desnível entre o passeio e o saguão, cria um primeiro obstáculo à fruição do todo.

No mais, a área de convivência permite clara identificação dos espaços e funções no seu interior, notando-se, portanto, um bom entendimento das propostas de lazer e cultura indicadas pelo SESC e coerência na organização/setorização dos espaços em função das atividades. O conjunto resultante se assume como presença marcante na paisagem.

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FICHA TÉCNICA

Projeto:

Biselli + Katchborian arquitetos

Autores:

Arq. Mario Biselli

Arq. Artur Katchborian

Equipe:

Arq. Ana Carolina Ferreira Mendes

Arq. André Biselli Sauaia

Arq. Cassia Lopes Moral

Arq. Cassio Oba Osanai

Arq. Daniel Corsi

Arq. Dani Hirano

Arq. Luiz Marino Küller

Arq. Reinaldo Nishimura

Claudia Zanoio

Luciana Conti

Raquel Rodorigo

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Concurso – SESC Guarulhos – SP – Dal Pian Arquitetos Associados

1° lugar – Dal Pian Arquitetos Associados

Memorial Descritivo

Como edifício catalizador e gerador de atividades sociais, acreditamos que o SESC GUARULHOS deva se impor como signo urbano forte e legível, estabelecendo com a envoltória urbana e o parque público contíguo uma relação espacial contínua, direta e fruitiva – mais que apenas construir um edifício, ambicionamos construir um lugar.

O terreno, disposto em ligeiro aclive, concentra grande parte de sua vegetação em faixa próxima ao parque. A implantação do edifício busca respeitar essa geografia, assim como, incorporar parte significativa desse verde às áreas do parque, que em processo de recuperação, poderá ser ampliado e potencializado sua dimensão pública e urbana.

O projeto se estrutura ao entorno de uma grande Praça de Convivência que, receptora dos fluxos externos, concentra, articula e distribui as diversas e complementares atividades do complexo. Espaço arborizado, transparente e permeável às perspectivas externas, essa praça integradora expõe os acontecimentos do edifício e incorpora a paisagem circundante a seus ambientes internos. Um sistema de cobertura composto por grelhas metálicas, vidro, extratores de ar e brises reguláveis de proteção solar, filtra a luz natural e serve de coroamento a esse espaço diáfano de mediação entre o ambiente natural e o construído.

As circulações internas, organizadas de modo simples e preciso por rampas, passarelas e corredores debruçados sobre a Praça de Convivência, expõem o movimento dos usuários e reforçam o caráter extrovertido do edifício.

Pensado dentro das prerrogativas funcionais estabelecidas pelo SESC, o programa assim se distribui:

TERREO (754,50) – na continuidade do passeio público voltam-se para a área de convivência a Central de Atendimento e a Clínica Odontológica (com possibilidade de acesso externo independente). O Espaço Internet, Recreação Infantil e as Oficinas Culturais, abertas à massa verde da praça interna, integram-se a esse espaço lúdico de convivência e lazer. Nesse pavimento, o Ginásio de Esportes coberto e seus sanitários e vestiários de apoio completam as áreas de fruição pública. Com acessos independentes, o Pátio de Carga e Descarga e o Setor Operacional se localizam junto ao estacionamento de veículos. Essa disposição otimiza os fluxos de serviço e proporciona eficiência operacional ao Teatro, Restaurante, Cafeteria e demais áreas do complexo.

TÉRREO SUPERIOR (759,00) – o Teatro, com seu foyer voltado para o vazio da Praça de Convivência, se conforma como um corpo sólido independente – suas dimensões de platéia, palco e bastidores respondem às diversidades de uso requeridas pelo SESC. Sua caixa cênica, que transpassa esse volume sólido, é proposta como um corpo iluminado que destaca e enfatiza a presença do SESC no espaço urbano. Nesse pavimento, favorecidos pela topografia natural do terreno, encontram-se o Complexo Aquático (coberto e descoberto) e as Quadras e Canchas Esportivas externas. O Restaurante, a Cafeteria e o Bar, voltados tanto para a Praça de Convivência, quanto para as piscinas e suas áreas de solário, oferecem aos usuários o deleite das perspectivas visuais variadas.Voltados para a faixa verde preservada junto ao parque público, encontram e o Núcleo Gerencial, a Biblioteca e a Estação de Educação Ambiental. Um segundo acesso ao complexo permite que a Estação de Educação Ambiental e o Ginásio de Esportes tenham funcionamento independente.

SUPERIOR (763,50) – nesse pavimento encontram-se as Salas de Uso Flexível, Ginástica Multifuncional e de Atividades Físicas. Seus corredores de acesso, além de também se abrirem para a Praça de Convivência, percorrem os vazios dos pés-direitos duplos do Ginásio de Esportes e Piscina Coberta. Uma varanda para atividades corporais externas, voltada para Centro Aquático, potencializa os usos dessas salas e sombreia o Restaurante, a Cafeteria e o Bar no pavimento inferior. O Centro de Formação Musical ao longo da faixa verde externa, conclui os espaços desse dinâmico complexo de atividades.

SISTEMAS E QUALIDADE AMBIENTAL

Propõe-se para o edifício um sistema estrutural misto em concreto e aço, com pilares periféricos que não obstruem as zonas de ocupação. Como vedação e revestimento são utilizados vidro, metal e pedra, materiais tradicionais de grande durabilidade e resistência.

Para a cobertura da Praça de Convivência é proposto um fechamento em vidro duplo fixado em perfis metálicos e protegido por um sistema externo de brises em alumínio. Suas lâminas, reguladas mecanicamente com o auxílio de células foto-sensíveis, variam na sua inclinação de acordo com as horas do dia e períodos do ano. Extratores de ar com aberturas de ventilação automática expurgam a massa térmica excedente e completam a eficiência do sistema.

No Ginásio de Esportes e Piscina Coberta a iluminação natural é reforçada pela utilização de extratores de ar envidraçados, protegidos da incidência solar direta por para-sóis em grelha metálica atirantados à estrutura de cobertura.

Ao longo das fachadas norte e oeste do edifício, a consolidada faixa de vegetação de grande porte se comporta como barreira natural de proteção solar.

A constante circulação de ar, a luminosidade natural e a transparência proporcionada a todo o complexo oferecem condições de conforto com consumo mínimo de energia elétrica. O emprego de equipamentos artificiais de iluminação e de condicionamento, utilizados dentro de suas necessidades mínimas e imprescindíveis, reduz os custos e aproxima os limites entre os espaços edificados e o ambiente natural.

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PARECER DA COMISSÃO JULGADORA

O projeto é “convidativo e acolhedor, permitindo clara identificação dos espaços e funções no seu interior. Na área de convivência o sistema de rampas articula as atividades e integra os fluxos funcionando como um belvedere que favorece a autonomia nas escolhas do público. A proposta atende aos princípios de lazer, cultura e desenvolvimento, indicados no Termo de Referência. A proposta valoriza o paisagismo e a horizontalidade integra-se ao entorno. (…) a configuração dos volumes propostos insinua as atividades desenvolvidas e o diálogo entre materiais opacos e translúcidos lhe confere harmonia.”

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FICHA TÉCNICA

DAL PIAN ARQUITETOS

Autores:

Lilian Dal Pian, Renato Dal Pian

Colaboradores:

Oliver Scheepmaker, Paula da Cruz Silva, Ricardo Cristoffani, Leonardo Gomes, Tibério Cruz, Filomena Piscoletta

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Concurso Nacional – SESC SP – Unidade Guarulhos

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27.jul.2009 – Clique aqui para informações sobre o resultado do concurso.

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SESC-SP CONCURSO 001/2009

Seleção da melhor solução para projetos de arquitetura e de ambientação, maquete eletrônica, gerenciamento administrativo dos projetos complementares e acompanhamento técnico da obra, para a futura Unidade do SESC Guarulhos.

Entrega ou Postagem dos Envelopes : entre 13 e 17/abril/2009 Continue lendo