Concursos: conflitos de interpretação analógica no julgamento da arquitetura

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Conferência:

Concursos:
conflitos de interpretação analógica no julgamento da arquitetura

Jean-Pierre Chupin
Professor Titular da École d’architecture – Université de Montréal
Diretor do LEAP – Laboratoire d’étude de l’architecture potentielle

23 de julho, sexta-feira, 14h30

Local:
Sala Prof. Ernesto Walter
Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo – FAU – UnB
Brasília

Realização:

FAU-UnB
Instituto de Arquitetos do Brasil – IAB

Apoio:
concursosdeprojeto.org
docomomo-bsb

conferência em inglês

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Quais modelos relacionados ao projeto podem ser utilizados na teorização do julgamento e sua prática na arquitetura ? O professor Jean-Pierre Chupin apresenta, em sua palestra, algumas reflexões sobre os “conflitos da interpretação analógica”, como parte de pesquisas que procuram contribuir para a formulação de modelos teóricos sobre o julgamento arquitetônico. A partir da análise de concursos de arquitetura, apresenta algumas questões de pesquisa, ferramentas e métodos que tem desenvolvido no L.E.A.P – Laboratório de Estudos da Arquitetura Potencial (École d’architecture – Université de Montréal), e ao mesmo tempo defende que o pensamento e a reflexão sobre o projeto contribuem para a construção de um modelo de julgamento arquitetônico em suas três fases: da concepção, do júri e da recepção pelos meios de comunicação. Em outras palavras, defende a hipótese que existe uma analogia fundamental entre julgamento e projeto.

Jean-Pierre Chupin é professor e Diretor Científico do Laboratório de Estudo da Arquitetura Potencial (LEAP) da Université de Montréal. Arquiteto graduado em Nantes (França) e Portsmouth (Reino Unido), mestrado em História e Teoria da Arquitetura na McGill University (Canadá) e Doutorado na Université de Montréal. Ensinou na Université du Québec, em Montreal e nas escolas de Arquitetura de Toulouse e de Lyon, antes de integrar o quadro de professores da Université de Montréal. Publicou diversos textos sobre tectônica na arquitetura (em colaboração com Kenneth Frampton), práticas reflexivas, epistemologia do projeto e sobre o desenvolvimento de programas de Doutorado em Arquitetura. O primeiro volume de sua pesquisa sobre Analogia e Teoria na Arquitetura foi publicado em 2010 pela editora suiça Infolio, na série “Projeto e Teoria” (Edição em francês: Analogie et théorie en architecture – de la vie, de la ville et de la conception, même).

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Concurso – Brasília – Relatório do Júri

Relatório do Júri do Concurso Nacional do Plano Piloto da Nova Capital do Brasil, em 1956:

O júri realizou diversas reuniões a fim de escolher entre os vinte e seis projetos apresentados o que melhor serve para a base da Nova Capital Federal. Inicialmente, procurou o Júri definir as suas atribuições.

De um lado, considerou-se que uma CAPITAL FEDERAL, destinada a expressar a grandeza de uma vontade nacional, DEVERÁ SER DIFERENTE DE QUALQUER CIDADE DE QUINHENTOS MIL HABITANTES.

A CAPITAL, cidade funcional, deverá, além disso, ter expressão arquitetural própria. Sua principal característica é a função governamental. Em torno dela, se agrupam todas as outras funções e, para ela, tudo converge. As unidades de habitação, as unidades de trabalho, os centros de comércio e de descanso se integram em todas as cidades, de uma maneira racional entre eles mesmos.

Numa capital, tais elementos devem orientar-se, “além disso, no sentido do próprio destino da cidade: a função governamental”.

O júri procurou examinar os projetos; inicialmente, sob o plano funcional e, em seguida, do ponto de vista da síntese arquitetônica.


A) Os elementos funcionais são:

1 – a consideração dos dados topográficos;

2 – a extensão da cidade projetada em relação com a densidade da população (escala humana);

3 – o grau de integração, ou seja, as relações dos elementos entre si;

4 – a ligação orgânica entre a cidade e os arredores (plano regional).

B) A síntese arquitetônica compreende:

1 – composição geral;

2 – expressão específica da sede do Governo.

Levando em consideração o que vem de ser enunciado, o Júri selecionou quatro projetos, que até certo ponto preenchem os critérios enumerados:

- o de número 2 (dois), de Boruch Milmann, João Henrique Rocha e Ney Fontes Gonçalves;

- o de número 8 (oito), de M. M. M. Roberto;

- o de número 17 (dezessete) de Rino Levi, Roberto Cerqueira César e L. R. Carvalho Franco;

- o de número 22 (vinte e dois), de Lúcio Costa.


O Júri se deparou com uma tarefa difícil, ao tentar estabelecer uma classificação dos projetos segundo aspectos funcional e plástico. Realmente, desde logo foi constatada uma contradição. É que, enquanto certos projetos podiam ser escolhidos, tendo em vista determinadas qualidades de ordem funcional, ou mesmo pelo conjunto de dados funcionais, se encarados em seu aspecto plástico não se mostravam igualmente satisfatórios. Outros projetos, preferíveis sob o ângulo arquitetural, deixavam a desejar quanto ao lado funcional. O Júri procurou encontrar uma concepção que apresentasse unidade e conferisse grandeza à cidade, pela clareza e hierarquia dos elementos. Na opinião dos seus membros, o projeto que melhor integra os elementos monumentais na vida quotidiana da cidade, como Capital Federal, apresentando numa composição coerente, racional, de essência urbana – uma obra de arte – é o projeto número 22 (vinte e dois) do senhor LÚCIO COSTA. O Júri propõe seja o primeiro prêmio conferido ao projeto LÚCIO COSTA. Para o segundo prêmio propõe o projeto de número 2 (dois), que apresenta uma densidade conveniente, agrupando de maneira feliz as habitações na beira do lago. Propõe, em seguida, sejam reunidos o terceiro e quarto prêmio, os projetos número 17 (dezessete), por apresentar uma alta qualidade plástica em harmonia com uma grande competência técnica, e número 8 (oito), por sua ampla pesquisa de desenvolvimento regional e seus estudos aprofundados dos problemas econômicos e administrativos. O Júri propõe, finalmente, seja concedido o quinto prêmio aos seguintes projetos: o de número 24 (vinte e quatro), o número 26 (vinte e seis) e o de número 1 (um). Em anexo, um resumo das apreciações que serviram de base à seleção dos projetos premiados.

Rio de Janeiro, 15 de março de 1957. (assinados) William Holford, Stamo Papadaki, André Sive, Oscar Niemeyer, Luiz Hildebrando Horta Barbosa.

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Obs: publicaremos em breve os relatos individuais dos membros do Júri.

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Fonte: Revista Módulo, número 8, 1957



Colóquio Internacional – crítica do julgamento nos concursos de arquitetura, urbanismo e paisagismo

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78º Congresso da Associação Francófona do Saber (ACFAS)

Colóquio Internacional – A crítica do julgamento nos concursos de arquitetura, urbanismo e paisagismo

CHAMADA DE TRABALHOS PARA DOUTORANDOS E JOVENS PESQUISADORES EM ARQUITETURA, URBANISMO E PAISAGISMO

Para trabalhos escritos e apresentados em francês. Envio de trabalhos até 8 de fevereiro de 2010.

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No contexto do 78º Congresso da Associação Francófona do Saber (ACFAS), o Laboratório de Estudo da Arquitetura Potencial (L.E.A.P) da Faculté de l’aménagement de l’Université de Montréal organiza um colóquio internacional sobre o tema:

“A crítica do julgamento nos concursos de arquitetura, urbanismo e paisagismo”

O colóquio será realizado nos dias 12 e 13 de maio de 2010 na Université de Montréal e fará parte de um grande encontro científico da ACFAS que agrupa diversas disciplinas.

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Além das apresentações dos trabalhos de pesquisadores e doutorandos o colóquio contará com os seguintes conferencistas:

- Joris van Wezemael, Professor de Geografia Humana – Universidade de Friburgo – Alemanha – responsável pela primeira equipe de pesquisa suiça sobre a gestão e organização de concursos de arquitetura e urbanismo

- Fabiano Sobreira, arquiteto e urbanista, pesquisador com enfoque em Concursos de Arquitetura e Urbanismo, analista legislativo da Câmara dos Deputados (Brasil), professor  (Centro Universitário de Brasília).

- Jean-François Bordron, professor (Limoges, França), pesquisador sobre Semiótica da Estética

- Gilles Prud’homme, arquiteto, professor convidado da Université de Montréal, Presidente do Comitê de Concurso da Ordem de Arquitetos do Québec.

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O colóquio tem o objetivo de contribuir para o reconhecimento do “problema do júri e do julgamento”, tema pouco abordado em pesquisas científicas. Tendo como fundamento os trabalhos de teóricos e historiadores, filósofos da linguagem e semioticistas do texto e dos elementos visuais, trata-se de identificar os parâmetros de uma crise contemporânea do julgamento nos concursos de arquitetura, urbanismo e paisagismo. Trata-se de um panorama e uma cartografia epistemológica que permita melhor definir as operações de avaliação, seleção, escolha, comparação e decisão, distinguindo: o papel dos atores, os procedimentos e a crítica. As seguintes questões serão abordadas:

- Questões de representatividade do júri: do especialista ao eleito, passando pelo gestor público – como se constitui a representação do interesse público? Como o julgamento arquitetônico se insere na heterogeneidade da composição do júri?

- Questões de procedimentos de julgamento e de sua legitimidade: o que é um critério de julgamento nos domínios da arquitetura, paisagismo e urbanismo? Quais são as modalidades de conflitos de interpretação entre os níveis da concepção (arquiteto, urbanista, ‘designer’), do júri (heterogêneo) e dos receptores  (cliente, usuários, mídia).

- Questões de cultura crítica: que cultura crítica se encontra em um júri e quais tensões existem entre a pesquisa da qualidade e aquela do desempenho? Quais julgamentos estimulam ou inibem a participação do público no debate sobre o espaço público?

O colóquio visa contribuições científicas nos campos da teoria e da prática da argumentação e do julgamento arquitetônico, com contribuições diretas às pesquisas sobre concursos e à história da arquitetura contemporânea, assim como suporte à decisão dos gestores públicos e à formação permanente de um quadro de organizadores de concursos nos diversos domínios da concepção e da criação.

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Responsáveis pelo colóquio:

Jean-Pierre Chupin, professor titular – Université de Montréal, diretor do L.E.A.P e responsável pelo Catálogo de Concursos Canadenses.

jean-pierre.chupin@umontreal.ca

Jacques White, professor – Université Laval, responsável pela formação de conselheiros profissionais (profissionais que organizam concursos para a Ordem de Arquitetos do Québec)

jacques.white@arc.ulaval.ca

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Clique aqui para mais informações sobre o evento.

Do outro lado da mesa

por Fernando Lara (*)

Vista aérea de Seoul, na Coréia, com destaque para a pequena ilha situada no  rio Han, onde será construído o Performing Arts Center. Fonte: google earth.

Agradecendo ao convite do Fabiano Sobreira relato aqui minha experiência como jurado do concurso internacional para o Performing Arts Center em Seoul, Coréia do Sul, ocorrido na última semana de fevereiro naquela cidade. Continuar lendo

Concursos: reflexões contemporâneas

“A ambição ou o desejo de ser o primeiro, essa força que move os artistas, se degenera facilmente em inveja. Essa paixão que se alimenta sobretudo das preferências particulares perderá seu lado maligno se pudermos abrir o combate em uma arena pública, para que as diferenças entre os artistas e suas obras não seja o resultado de alguma espécie de favor ou de predileção; é isso que justifica a necessidade dos concursos públicos”.

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