Concurso Nacional do Plano Piloto da Nova Capital do Brasil

Em 30 de setembro de 1956 era publicado no Diário Oficial da União o Edital para o concurso nacional do Plano Piloto da Nova Capital do Brasil.

O projeto do arquiteto e urbanista Lúcio Costa, vencedor entre 26 concorrentes em um concurso controverso – a julgar pelos registros históricos e relatos do Júri e dos concorrentes (1) – foi construído e inaugurado menos de 4 anos depois, em 1960. Brasília, a capital do Brasil, celebra em 2010 o seu cinquentenário. Sob o ponto de vista do desenvolvimento urbano, o plano piloto original de 500.000 habitantes (população definida nas bases do Concurso de 1956) é hoje apenas um bairro de uma grande metrópole habitada por mais de 2 milhões e 600 mil habitantes. Alguns dos bairros dessa grande cidade são mais populosos que o “plano original” e foram criados antes mesmo da inauguração oficial da capital.  O plano idealizado se transformou na metrópole real, e nesse amadurecimento vieram as tensões e contradições naturais a grande parte das cidades brasileiras: sobre a preservação do patrimônio histórico,  a especulação imobiliária, os problemas de segregação e pobreza urbana, a falência dos sistemas de circulação e transportes. Mas o que torna a cidade especial e que a torna única, é o fato de abrigar um conjunto urbanístico moderno que se transformou em Patrimônio Cultural da Humanidade. Daí  a questão: como preservar o espírito moderno diante dos desafios da metrópole contemporânea.

No espírito das celebrações dos 50 anos da inauguração oficial de Brasília (cidade que na verdade começou a ter vida antes de 1960 e que está, como todas as outras, em permanente construção e crescimento), publicamos aqui no portal concursosdeprojeto.org alguns documentos do concurso de 1956: o Edital (e documentos complementares), o Relatório do Júri e o projeto vencedor, de Lúcio Costa. Alguns desses documentos, como o projeto do plano piloto, já são bem conhecidos e amplamente divulgados; outros, como os pareceres dos membros do Júri, ainda estão restritos a documentos acadêmicos (1) ou publicações da época (2). Ao apresentarmos nesta publicação eletrônica informações do concurso do Plano Piloto de Brasília que não se encontram facilmente reunidas  (edital, ata do júri e projeto vencedor), temos um duplo objetivo: (a) ampliar o acesso às informações sobre o concurso, por sua relevância histórica e pela potencialidade crítico-analítica do procedimento e seus desdobramentos; (b) celebrar, com espírito crítico e reflexivo, os 50 anos de Brasília, enquanto projeto político, social, cultural, arquitetônico e urbanístico.

Clique abaixo nos links para acesso aos respectivos conteúdos:

- Edital do concurso nacional do Plano Piloto da Nova Capital do Brasil (e documentos complementares)

- Relatório do Júri

- Projeto vencedor – Plano Piloto de Brasília

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(1) Conf. a dissertação de mestrado de Jeferson Tavares, intitulada “Projetos para Brasília e a cultura urbanística nacional” (2004).

(2) Revista Módulo, número 8, 1957.

3 respostas em “Concurso Nacional do Plano Piloto da Nova Capital do Brasil

  1. Excelente material. Solicito autorização para reproduzir o mesmo no Blog do IAB/CE. Estamos aqui tentando consolidar uma política permanente de concursos de arquitetura e urbanismo.
    Cordialment

  2. Excelente material, SEMPRE oportuno. Esse histórico concurso ainda rende várias observações importantes, não somente sobre o papel seletivo dos próprios concursos – entre acertos e desacertos que parecem depender crucialmente de QUEM decide concorrer e correr riscos, e de QUEM está a julgar propostas de enorme importância para regiões inteiras – mas também sobre a ciência do urbano (ou ainda a ciência do edificado), em sua evolução. A proposta de Lucio Costa sempre foi a melhor, apesar de o grande urbanista não ter cumprido o Edital num aspecto essencial: as regras do crescimento desse Plano Piloto, omissão que está na base da absoluta descoordenação entre o núcleo original da nova capital e todos os seus bairros, sem exceção. Uma das lições, nesse sentido, é de que os concursos de urbanismo são mesmo bem diferentes dos concursos de arquitetura, quanto à suas conseqüências, quanto ao envolvimento de equipes de gestão que ampliem seu escopo.
    Parabéns ao Portal e seus responsáveis, mais um vez!

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