Concurso – Brasília – Relatório do Júri

Relatório do Júri do Concurso Nacional do Plano Piloto da Nova Capital do Brasil, em 1956:

O júri realizou diversas reuniões a fim de escolher entre os vinte e seis projetos apresentados o que melhor serve para a base da Nova Capital Federal. Inicialmente, procurou o Júri definir as suas atribuições.

De um lado, considerou-se que uma CAPITAL FEDERAL, destinada a expressar a grandeza de uma vontade nacional, DEVERÁ SER DIFERENTE DE QUALQUER CIDADE DE QUINHENTOS MIL HABITANTES.

A CAPITAL, cidade funcional, deverá, além disso, ter expressão arquitetural própria. Sua principal característica é a função governamental. Em torno dela, se agrupam todas as outras funções e, para ela, tudo converge. As unidades de habitação, as unidades de trabalho, os centros de comércio e de descanso se integram em todas as cidades, de uma maneira racional entre eles mesmos.

Numa capital, tais elementos devem orientar-se, “além disso, no sentido do próprio destino da cidade: a função governamental”.

O júri procurou examinar os projetos; inicialmente, sob o plano funcional e, em seguida, do ponto de vista da síntese arquitetônica.


A) Os elementos funcionais são:

1 – a consideração dos dados topográficos;

2 – a extensão da cidade projetada em relação com a densidade da população (escala humana);

3 – o grau de integração, ou seja, as relações dos elementos entre si;

4 – a ligação orgânica entre a cidade e os arredores (plano regional).

B) A síntese arquitetônica compreende:

1 – composição geral;

2 – expressão específica da sede do Governo.

Levando em consideração o que vem de ser enunciado, o Júri selecionou quatro projetos, que até certo ponto preenchem os critérios enumerados:

– o de número 2 (dois), de Boruch Milmann, João Henrique Rocha e Ney Fontes Gonçalves;

– o de número 8 (oito), de M. M. M. Roberto;

– o de número 17 (dezessete) de Rino Levi, Roberto Cerqueira César e L. R. Carvalho Franco;

– o de número 22 (vinte e dois), de Lúcio Costa.


O Júri se deparou com uma tarefa difícil, ao tentar estabelecer uma classificação dos projetos segundo aspectos funcional e plástico. Realmente, desde logo foi constatada uma contradição. É que, enquanto certos projetos podiam ser escolhidos, tendo em vista determinadas qualidades de ordem funcional, ou mesmo pelo conjunto de dados funcionais, se encarados em seu aspecto plástico não se mostravam igualmente satisfatórios. Outros projetos, preferíveis sob o ângulo arquitetural, deixavam a desejar quanto ao lado funcional. O Júri procurou encontrar uma concepção que apresentasse unidade e conferisse grandeza à cidade, pela clareza e hierarquia dos elementos. Na opinião dos seus membros, o projeto que melhor integra os elementos monumentais na vida quotidiana da cidade, como Capital Federal, apresentando numa composição coerente, racional, de essência urbana – uma obra de arte – é o projeto número 22 (vinte e dois) do senhor LÚCIO COSTA. O Júri propõe seja o primeiro prêmio conferido ao projeto LÚCIO COSTA. Para o segundo prêmio propõe o projeto de número 2 (dois), que apresenta uma densidade conveniente, agrupando de maneira feliz as habitações na beira do lago. Propõe, em seguida, sejam reunidos o terceiro e quarto prêmio, os projetos número 17 (dezessete), por apresentar uma alta qualidade plástica em harmonia com uma grande competência técnica, e número 8 (oito), por sua ampla pesquisa de desenvolvimento regional e seus estudos aprofundados dos problemas econômicos e administrativos. O Júri propõe, finalmente, seja concedido o quinto prêmio aos seguintes projetos: o de número 24 (vinte e quatro), o número 26 (vinte e seis) e o de número 1 (um). Em anexo, um resumo das apreciações que serviram de base à seleção dos projetos premiados.

Rio de Janeiro, 15 de março de 1957. (assinados) William Holford, Stamo Papadaki, André Sive, Oscar Niemeyer, Luiz Hildebrando Horta Barbosa.

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Obs: publicaremos em breve os relatos individuais dos membros do Júri.

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Fonte: Revista Módulo, número 8, 1957



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