Urbanismo
Prêmio
PRAÇA NO LAJEADO
Arquitetura: Anita Freire, Cesar Shundi Iwamizu,Geórgia Lobo, Guilherme Petrela,Marina Colonelli e Moracy Amaral
Coordenador de Projeto: Ricardo Mello
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Parecer da Comissão Julgadora
“Este projeto seduz principalmente pelo corte longitudinal, onde este expõe uma consciência de que uma intervenção pública (principalmente em áreas urbanas informais) deve se intersectar amigavelmente com seu entorno; este desenho é a clave que revela uma sensibilidade singela e prazerosa na geometria de planos nos diferentes níveis e de um singelo elemento novo – tecnicamente bem detalhado (pergolado) – que não brilha como um agregado hostil nem arrogante no conjunto. No entanto, o projeto peca por ser ineficaz na expressão do desenho da planta que não expõe com clareza o que os cortes demonstram.”
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Memorial Descritivo
Localizado no distrito do Lajeado, extremo leste de São Paulo, o campo entre as ruas João Carrasco e Itaberaba Açu foi construído em 2004 por mobilização dos próprios moradores após a canalização do córrego que existia no local. Apesar de precário, o espaço se tornou o local oficial dos campeonatos de futebol da comunidade e sua melhoria, além da construção de outros equipamentos, foram reivindicações constantes dos moradores durante muito tempo.
Coordenado pelo Instituto Sou da Paz e financiado pela Sulamérica Seguros, o projeto de reforma da praça em Lajeado constitui, junto com outros dois projetos realizados também na periferia de São Paulo, um bom exemplo de parceria entre poder público e privado para a requalificação de espaços públicos na cidade.
Além da melhoria da qualidade ambiental das praças, o objetivo do trabalho era desenvolver um processo de união entre os moradores, utilizando as discussões sobre o futuro do espaço como ferramenta para a construção de novas relações entre os diversos atores sociais da comunidade: a turma do futebol, as mães (que já haviam organizado a biblioteca do bairro), a igreja, o rap.
Pode-se dizer que o projeto de arquitetura fez parte de um processo mais amplo, precedido por um criterioso trabalho de escolha dos locais de atuação e pela lenta aproximação entre moradores e educadores através de eventos culturais e desportivos, atividades que tinham o objetivo de promover o aumento gradual do número de participantes do projeto e a representatividade dos diversos grupos presentes naquela comunidade.
Por meio de assembléias entre moradores, arquitetos e educadores, foram organizadas discussões para o entendimento das necessidades locais e, através de desenhos, maquetes e orçamentos, para as definições e desenvolvimento de projeto.
O campo – agora plano, retangular e maior – foi mantido no centro da praça, circundado por arquibancadas, alambrados e muros capazes de ajustar o espaço à topografia acidentada do bairro. Ao mesmo tempo em que definem um recinto suficientemente protegido para a prática do futebol, esses elementos foram estrategicamente desenhados para criar oportunas e generosas aberturas, de modo a deixar o campo necessariamente aberto para o acontecimento de outras atividades imprevistas.
As calçadas, anteriormente inexistentes, criam passagens em continuidade aos diversos caminhos do bairro – ruas, escadarias e vielas – permitindo que o projeto assimile os percursos pré-existentes da população e se torne local de convívio nos trechos equipados com bancos e mesas, espaços de maior largura cuidadosamente posicionados em frente aos bares.
Nas extremidades da praça, garantindo identidade a cada um dos pontos de acesso, foram posicionados o parquinho – circundado por taludes e elevado em relação à rua – e um espaço propício a usos diversos, um piso plano, aberto e protegido por uma cobertura – estrutura de aço, madeira e telhas translúcidas – que também se volta ao campo de futebol como tribuna coberta ou palco.
O projeto de paisagismo criará sombra às áreas de lazer e estar, além de garantir unidade e caráter ao espaço da praça. Orientada por profissionais, sua implantação foi realizada com mudas fornecidas pela prefeitura por meio de um mutirão, tanto pela viabilidade de execução quanto pelo caráter simbólico dessa atividade.
Findo o processo de construção, a programação do projeto prevê mais dois anos de atividades, cursos e eventos junto à comunidade local, dando continuidade ao processo iniciado com o projeto da praça.
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Ficha Técnica
Data do projeto: 2008
Área do Terreno: 2.750,00 m²
Contratante: Instituto Sou da Paz
Coordenador de Projeto: Ricardo Mello
Educador: Ana Cláudia Caldas
Arquitetura: SIAA
Anita Freire
Cesar Shundi Iwamizu
Geórgia Lobo
Guilherme Petrela
Marina Colonelli
Moracy Amaral
Construtora: Sudeste
Gerenciadora: EMETEC
Orçamento: Nova Engenharia
Estrutura: AVS
Hidráulica e Elétrica: COMPRENG SC
Iluminação: Ricardo Heder
Terreplenagem: Rosano Souza
Fotografias:
Pedro Kok
Instituto Sou da Paz
SIAA
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un proyecto que genera mejor interaccion social. bien. es bueno ver este tipo de cosas en zonas de bajo estrato.