Sede do IAB/TO – Palmas – 1º Lugar

1º Lugar – Trabalho nº 20

Autores: Paulo Henrique Paranhos e Éder Alencar – Brasília/DF

Colaboradores: Margarida Massimo, Renan Rocha e Paulo Lourenço

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Memorial Descritivo

Palmas permite e evidencia a arquitetura e urbanismo em sua condição indissociável. Permite e propõe a riqueza da plena associação dos espaços públicos e privados que se interagem entre si.

É possível vislumbrar a questão urbana sem os limites das geometrias espaciais e das reduzidas equações numéricas, transpor as restrições matemáticas e revelar as ricas e inumeráveis dimensões espaciais. Estamos falando da riqueza do “edifício – cidade”,  de suas dimensões “maiores”, das nobres relações de escalas.

Como busca primordial desse projeto,  o coletivo e o individual , o piso natural com verdes e sombras  avançam sob a ambiência protegida.

A “naturalidade” dos espaços de pilotis: recepção e eventos,  café margeado pela água, num jogo de níveis demarcam a verticalidade do vazio central. Os vãos das salas do IAB num primeiro momento e do auditório e eventos num segundo, se abrem ao grande foyer dialogando entre si.

Numa segunda etapa, a Sede definitiva com sua Presidência e Conselhos, envoltos pela planta de moldura verde, sugerem um segundo pilotis elevado, um agradável avarandado.

Expressão e proporcionalidade, magnitude despretensiosa em brises ritmados a proteger o volume interno da torre de escritórios que, embora alto, fica delicado.

Por fim, marca de fato, a horizontalidade do embasamento opaco, que , flutuando, abre um rasgo na paisagem.

Mais do nunca, é legitimo e verdadeiro identificar o edifício: a sede do Instituto; uma pequena praça,  um agradável sombreado, um “lugar de cidade”.

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Agradecemos aos autores pela disponibilização do material para publicação.

27 respostas em “Sede do IAB/TO – Palmas – 1º Lugar

  1. Gostaria de sublinhar a competencia que o IAB DN e IAB DF vem demonstrando (e ensinando) na elaboração de concursos e os respectivos julgamentos , como destacou nossa colega Ana Carolina Damasco.

  2. Carolina, uma das virtudes do Edital do CNM era sua abertura, em diversos aspectos ele deixava espaço para soluções alternativas, textualmente. Não defendo um laissez faire absoluto mas, frequentemente, os editais são específicos demais e podem ser, simplesmente, superados por uma proposta arquitetônica melhor. Um restaurante no térreo pode ficar muito bem na cobertura. Nem tanto ao mar…

  3. A questão principal desse concurso não é o fato do projeto vencedor ser uma caixa ou “não caixa”.
    A questão é que não atendeu o edital. O que não é aceitável.

    No entanto, ao meu ver, mas sério ainda é a ata de julgamento, que não explica, nem menciona o fato do edital ter sido ignorado. É uma ata curta e vaga. O juri parece querer dizer o mínimo.
    Eu considero esse, o maior “problema brasileiro”, a falta de seriedade dos processos que leva a questionamentos sobre a transparência dos mesmos.
    É preciso que a sociedade exija um comportamento mais profissional.
    Este processo licitatório deveria ser impugnado não por causa do vencedor, mas por causa dos erros do processo.

    O concurso da CNM, por exemplo, apresentou uma ata bem completa, com as razões pela escolha do vencedor, comentando o que não estava bom, mas que podeira ser corrigido e fazendo sugestões ao cliente também.
    Achei que estávamos indo na direção certa, mas vejo que me enganei.

  4. Na década de 1980 um grupo de arquitetos em Belo Horizonte, cidade onde nasci e me formei arquiteto, empreendeu esforços no sentido de combater aquilo que chamavam de ditadura das caixas brancas: uma arquitetura dogmática, sisuda, cinza e incapaz de ceder espaço a diversidade. Um discurso bem à risca do pensamento de Venturi. Crescemos vendo surgir na paisagem da cidade alguns edifícios coloridos e chamativos que foram até mesmo apelidados por seus moradores: Rainha da Sucata, Marmita, Ponta do Lápis e etc. Passados os anos, com o devido rigor que a maturidade advinda da idade nos obriga, e com o devido respeito (que ainda assim não nos isenta da crítica), a conclusão a que chegamos é que na base de toda aquela figuração, volutas e frontões, residia um tipo de organização formal que em essência era mais engessada e dogmática do que a que seus arquitetos pretendiam combater. Na atualidade, ainda lidamos com o mesmo problema de maneira muito semelhante à dos nossos colegas pós-modernistas: queremos uma arquitetura nova, mas não nos mostramos capazes de ir um pouco além da casca. Somos incapazes de reconhecer os méritos dos que nos antecederam e de empreender a crítica sobre o que de fato interessa. Queiramos ou não, passados todos esses anos, ainda não apresentamos um modo de organização formal que lide com a técnica, o programa e seus os usos, à altura do que foi empreendido pelos arquitetos do movimento moderno. Os que veem na arquitetura de vanguarda contemporânea o contra argumento que questionem as premissas de tais projetos. É provável que sobrem poucos para os quais a arquitetura não seja mesmo um sistema de auto referências e nos quais se reconheça claramente, princípios de organização que há muito já conhecemos. Rem Koolhaas queria ser um arquiteto modernista brasileiro aos 14 anos e disse isso em uma entrevista, com certo orgulho, como uma das razões porque decidiu se tornar um arquiteto. É difícil entender porque para nós isso seja motivo de vergonha. Não quero fazer aqui a defesa cega do movimento moderno, pois seus arquitetos de modo algum foram infalíveis. Mesmo o maior dos gênios modernos, Mies Van der Rohe, cometeu falhas graves, como a Neue Nationalgalerie de Berlim, por exemplo, que confina no subsolo o único propósito do empreendimento (as obras de arte) a faz do térreo um espelho para a vaidade e narcisismo do arquiteto. Mas, a crítica desta arquitetura (nem daquela que entendemos como sua seguidora direta) não pode ser feita somente a partir dos padrões vigentes da visualidade contemporânea, pois se assim o fizermos, não estaremos em situação diferente da pós-modernistas. De saída, poderíamos questionar se esta arquitetura empreendeu (ou empreende) ações que possam nos levar a almejar a condição de homens realmente livres, por exemplo, ou quando e onde a consideração do humano teve de fato lugar em tal arquitetura. Os arquitetos se veem verdadeiramente ofendidos quando recebem propostas de “embelezamento de fachadas”, mas, pelo que foi visto aqui até o momento, são os primeiros a avaliar os edifícios por sua aparência, ou seja, são os próprios criadores da demanda que juram combater. Se avaliar um ser humano por sua aparência é algo inaceitável em sociedades civilizadas, uma vez que para avaliar é necessário antes empregar critérios razoáveis de juízo sobre a conduta moral de qualquer indivíduo, por que nos damos o direito de fazê-lo da mesma forma com nossos edifícios?.

  5. È por estes fatores descritos pelos colegas que a participação em concursos de arquitetura brasileiros é tão desanimadora (na minha opinião):
    -O Juri acaba premiando sempre o trabalho mais fácil de entender ao invés da melhor solução para o projeto.

    -As questões fundamentais do edital nem sempre são solucionadas no projeto vencedor tais como legislação, insolação, etc pois o juri ou não tem tempo de analisar, ou não dá a mínima, ou não tem conhecimento mesmo. o edital é claro e bem redigido mas não precisa se fixar muito nele, faça um projeto legal e esconda o que não conseguiu resolver.

    -Há um vício nas soluções “paulistas”, lajes soltas e brises e vidros descolados da fachada dando aquela “soltura”. Não hesite em aplicar alguma estrutura metálica soltinha pra dar um toque.Não que seja ruim ou que “eu” não goste, mas fica tudo com o mesmo “jeitão”. Projetos que arrisquem um pouco mais na estética ficam nas menções claro.
    Enfim o gosto do juri fala mais alto, sempre. Acabam escolhendo aquele projeto que não crie muita polêmica, reto, solto, pilotis, uns desníveis pra dizer que não tem nada de especial. O IAB poderia investir mais no parecer Juri técnico do município ou especializado, ou em jurados internacionais que sabem o que estão fazendo, ao invés destes arquitetos figurões brasileiros com opiniões pré-determinadas.

    A exceção de alguns concursos muito bem premiados (cito por ex. a ponte de BLUMENAU) os demais já tem uma linha de julgamento estabelecida previamente.
    Quer se dar bem em um concurso de arq. no Brasil, siga a Cartilha, ou então pilha da esquerda amigo.

    Um abraço á todos e desculpem pelo texto longo.

  6. fui procurar sobre paulo henrique paranhos, e descobri q fez parte dos modernistas brasileiros. Bom o q dizer… quem sentiu o peso modernistas do século passado, podem ser parabenizados pelo ótimo olhar crítico, pois é isso mesmo!!! Agora para os que defendem, é um ótimo exemplar MODERNISTA de projeto. E pra quem subjuga a questão estética que faça uma caixa branca em ouro preto, ou quem sabe um neo crássico em brasilia… A arquitetura sempre representou um momento histórico da sociedade… E a atual, tem muito do modernismo, aprendeu muito com ela, e aprendeu a aceitar seus antecessores e seus sucessores… Cada qual com sua virtude. Não acredito q essa caixa branca EXTREMAMENTE ANACRÔNICA seja um dos maiores legados do modernismo… mas sei que este movimento foi muito enriquecedor pra pluralidade atual, somos da geração que se permite pegar o melhor de vários movimentos aprendendo com seus erros e acertos. A mídia faz parte da cultura dessa nova sociedade e a arquitetura deve refletir isso… Com certeza, um arqueólogo fictício do futuro que tentasse entender nossa sociedade desenterrando este prédio, ele chegaria a um resultado de cem anos de defasagem histórica da evolução de nossa sociedade… seria como ao invés de se achar a cidade de pompéia nas cinzas do vesúvio achássemos uma tribo do xingú! Se a arquitetura contextualizada se resume a algo aprendido no inicio do século vinte, então devemos voltar a nos comunicar por telégrafos, esquecermos vários avanços da medicina. Mas também podemos nos livrar da zumbisisse da televisão, dos modismos efêmeros… enfim… hoje a arquitetura é espetaculosa, por q a sociedade assim o é! não precisamos fazer múltiplos de dubai, mas também não podemos nos fixar nos dividendos da vila savoy..

  7. Não sei a idade de muitos que publicaram seus comentários. Mas preocupa-me a visão de muitos das gerações mais novas que mostram-se perigosamente seduzidos pela midia, dominada pelo primeiro mundo. Como se formas contorcidas e anacrônicas determinassem a agora boa arquitetura.

    A arquitetura deve ser entendida como um bom discurso, onde haja coerência em sua lógica. Não moraria nunca em uma casa projetada pelo Tadao Ando (não tenho o devido grau de evolução espiritual para isso!), mas admiro sua obra pela coerência entre suas obras e seus fundamentos teóricos. Muitos desses são resultado de um estudo da arquitetura tradicional japonesa..As caixas ou as formas complexas geradas por formas geométricas puras usadas por Tadao Ando criaram a identidade que faltava à arquitetura japonesa. Vemos cada vez mais nas publicções o sugimento de “discípulos”, como o arquiteto Kazunori Fulimoto (sugiro que confiram). Os mesmos que aqui criticam o projeto ganhador, provavelmente, são os mesmo que ficariam na “fila do gargarejo” para assistirem uma palestra de Tadao Ando,

    Como ferrenho defensor dos concursos não me iludo em relação aos julgamentos que, de alguma maneira, sempre estarão sujeitos a um certo subjetivismo de quem julga Muitas vezes, não concordo com os resultados. Mas, acho que o que deve ser combatido é quando os ganhadores não seguem o edital, entre outros erros técnicos. Em relação aos valores estéticos, o que é bom para mim não é para outros.

    Como arquiteto de Brasília fico orgulhoso e mais ainda, motivado a atingir momentos de sucessos.

    Parabéns a todos da equipe vencedora!

  8. Parabéns aos vencedores! Com os devidos méritos! E um VIVA à mediocridade mental e a pobreza criativa que vela eternamente esse modernismo “antigo” rezado nas nossas academias sob o pretexto de “identidade arquitetônica nacional”.
    Purismo, cubismo, planta livre, vazio… vazio sim, mas de personalidade, de expressividade, de novidade…
    E para quem acredita que ARQUITETURA não é o “lugar” de se praticar inseguranças, brincadeiras ou ousadias, continuem esculpindo seus pre-históricos blocos maciços de pedra, símbolos de um sistema de ensino superficial e pífio e de um lastimável atraso evolutivo denominado “arquitetura nacional”.

  9. Não vou entrar no mérito de analisar o projeto como intenção plástica, porém acho Incrível como a proposta desconsidera totalmente as questões de acessibilidade das pessoas com deficiência e/ou mobilidade reduzida, principalmente no projeto de uma instituição que representa a profissão de Arquiteto e Urbanista!
    parabéns!

  10. Então voltemos ao conceito caixa. com um exemplo fantástico: China! lá sabemos da importancia simbólica do retângulo certo, então faz-se um cubo dágua, fantástico!!! isso é um exemplo q não se aplicaria a nossa realidade financeira? ok, mas precisamos repetir a vila savoy eternamente??? isso só conseguiria me intrigar se eu ansiasse por algo surpreendete q não encontrei no exterior… e tenho certeza q minha surpresa seria o mesmo q abrir uma caixa de sapato, porém vazia… nem Le Corbusier alguentou o q teorizou (ronchamp) e o problema não é q no concurso só se faz caixas… o problema é só as caixas ganharem… não precisa virar um gehry ou niemeyer da vida… bom… no fim disso tudo, quem fica feliz é o engenheiro calculista e os amantes da monotonia… intrigante… muito intrigante…

  11. Houve um equívoco na escolha da carta solar para a latitude do local. 26º fica abaixo de São Paulo. A carta adotada deveria ser a de 10º sul. Não compromete a concepção, mas a revisão das aletas dos brises será necessária. Parabéns a equipe vencedora.

  12. A forma arquitetônica (que não é forma plástica, nem volumetria) é sempre a resposta que o arquiteto encontra ao problema específico de projeto com o qual está lidando. Se por vezes ela é um “caixote” é por que assim foi necessário frente as imposições do contexto técnico, econômico, do programa e seus usos, etc e etc. Lembrei me então do arquiteto Jacques Herzoq (Herzog & de Meuron ) que ao apresentar o projeto para a estação da Luz, lamentou não ter tido a oportunidade de discutir “arquitetura”. Para discutir arquitetura é necessário compreender o que seja arquitetura. Quem vê arquitetura como “caixotes” ou volumetrias não é arquiteto nem jamais poderá sê-lo, pois demonstra claramente não saber do que se trata. É um infeliz maquiador, perdido em um meio onde não há lugar para inseguranças e brincadeiras e deve, portanto, reconsiderar já uma mudança de postura ou de campo profissional.

  13. Parabéns Paulo Henrique, Eder (valeu Renan e Paulo!) e toda equipe pela, muito bem proporcionada, caixa. Da Mesopotâmia à contemporaneidade as caixas têm cumprido sua finalidade histórica de guardar espaços intrigantes. Belo arremate do quarteirão, base elevada estabelecendo generosa relação com o solo público, zona intermediária após breve transição, consideremos como ático o próprio céu… Muito por pouco, uma caixinha de surpresas.

  14. Tambem acho que ficou um caixote, poderiamos ter um outro resultado como uma plastica mais atraente, pois ja saimos do modernismo. Achei que deveriam inovar em relação a materiais. Outra coisa que achei bastante interessante foi o a forma de instalação provisória do IAB-TO. Isso vai ficar uma verdadeira bacunça durante a execução da obra.

  15. Gostei do projeto, exemplo de purismo.

    Quem reclama por formalmente parecer uma caixa/caixote tem uma visão muito restrita de arquitetura.

  16. Sugiro respeitosamente que aqueles que acham que concursos sempre acabam em “caixas” que participem dos proximos concursos e façam “não caixas”. Mais uma vez ,respeitosamente, não é esta a questão e não creio (respeitosamente) que a arquitetura brasileira seja inexpressiva. Pelo contrário, existe um grande interesse pela arquitetura brasileira no exterior.

  17. Inexpressivo! Não me toca, não me instiga, não me abala, não me comove nem me choca. O “conceito” da caixa branca não me provoca nenhum tipo de sensação.

    Se era essa a intenção, parabéns! Viva a inexpressividade da arquitetura contemporânea no Brasil!

  18. Fico com a ideia que apenas Nacionais (cidadão Brasileiros) puderam concorrer a esta iniciativa, infelizmente está estipulada assim no entanto apercebo-me logo de uma diferença em termos de exigências da legislação julga que quanto á segurança em edifícios de escritórios aqui isto morria logo a nascença. Foi a primeira reacção que tive “é pá lá podem fazer isso..!”

  19. Concordo plenamente… quer ganhar concurso??? faça caixote… pelo amor de deus gente… essa caixa de brise e branca só combina com a paisagem de brasília… vamos superar os ensinamentos modernistas e evoluir… hoje em dias temos outros vetores ignorados pela nossa “arquitetura internacional” como o entorno, o regionalismo, e por aí vai!!! o q me apavora é q isso vai ser a sede de um órgão de arquitetura…

  20. Olhando o resultados dos concursos do Rio, do Tocantins e de alguns outros passados, fico imaginando quanta falta faz a ousadia e a coragem de desafiar o que está posto, o que está consagrado o que é sabido e esperado.
    Um velho mestre da arquitetura mundial( por sinal brasileiro) já dizia:”Arquitetura tem que surpreender”
    Saudades das curvas,da surpresa que cala pela beleza.

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