Obras Construídas – Biblioteca Municipal de Ílhavo – Portugal

Publicamos, como parte da seção ‘obras construídas’, o projeto da Biblioteca Municipal de Ílhavo, em Portugal, resultado de concurso realizado em 2001. Veja a seguir o projeto.

Arquitetura: ARX ( Nuno Mateus, José Mateus)
Local:  Ílhavo, Portugal
Colaboradores: Paulo Rocha, Stefano Riva, Andreia Tomé, Gonçalo Manteigas, João Rodrigues, Marco Roque Antunes, Nuno Grancho, Pedro Sousa, Sónia Luz
Área: 3.200 m2
Ano do Projeto: 2002- 2005
Ano do Concurso: 2001
Fotografías: FG+ SG – Fernando Guerra, Sergio Guerra

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Biblioteca Municipal de Ílhavo (texto disponibilizado pelos autores)

A Biblioteca Municipal de Ílhavo está instalada no que resta do Solar Visconde de Almeida, edifício nobre datado dos séculos XVII/XVIII e posteriormente alterado e demolido. Do edifício original subsistia apenas a fachada principal (sudeste) e a Capela, ambas em ruina. Da antiga cocheira, que rematava o conjunto a sudoeste, já nada restava, mas o que persistia do edifício eram elementos de uma arquitectura qualificada, nas proporções do desenho e elegância de todo o trabalho de cantaria. São registos construídos que rareiam em Ílhavo, que ancoravam o palácio nas ruas e que por isso se entendeu preservar e integrar. O edifício localiza-se na periferia da actual povoação, numa zona de débil expansão urbana ainda muito desarticulada e problemática. Nesse sentido optou-se não apenas de desenhar uma biblioteca, mas antes de mais articular as volumetrias diversas do contexto, clarificar e consolidar fragmentos urbanos sem aparente sentido de conjunto.O programa preliminar, que pela sua extensão não era possível confinar aos espaços do solar, estabelecia a intenção de construír três núcleos distintos: Biblioteca, Capela e Fórum da Juventude.Como ponto de ancoragem, dentro dos limites do antigo solar e encostados à fachada do palácio, agruparam-se as zonas administrativas, compostas por espaços mais compatíveis com a métrica dos vãos existentes, devolvendo o carácter de edifício, ao que era já um mero cenário decadente. Há contudo uma clara identificação de que se trata de uma nova arquitectura, que existe em ‘simbiose’ com as pré-existências.A concepção do resto do edifício resulta essencialmente do nosso entendimento do seu carácter público e cívico que nos levou a reforçar o seu ‘desempenho’ urbano. No desenho dos corpos de salas de leitura e fórum da juventude, que constituem o corpo ‘exterior’ ao solar, são estabelecidas relações morfológicas directas com a envolvente. Deste modo o edifício funciona no contexto como um compatibilizador ou espécie de ‘peça de fecho’ que incorpora na sua fisionomia os ‘caprichos’ da envolvente. Nunca faria sentido noutro contexto.A capela, pese embora o facto de ter sido espoliada dos seus elementos decorativos mais importantes, como azulejos, talhas, lápides tumulares, ou mobiliário, é restaurada na sua essência espacial preservando as evidências possíveis de uma história perdida. O mobiliário é redesenhado e inequivocamente contemporâneo, tal como o novo retábulo de Pedro Calapez, que repõe a tipologia e sentido de policromia original.Pretende-se reactivar o culto na capela,  utilização que dela se fez até ao seu encerramento, com a demolição do palácio.

Fotos com crédito para: FG+SG fotografia de arquitectura | architectural photography · ultimasreportagens.com

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Agradecemos aos autores pela disponibilização do material para publicação.

Uma resposta em “Obras Construídas – Biblioteca Municipal de Ílhavo – Portugal

  1. Alguns aspectos chamam a atenção positivamente neste projeto:
    1. a interface da nova arquitetura [ bem adaptada às preexistencias] com a cidade, através do posicionamento frente ao traçado e a criação de um pequeno largo de acesso marcado pelo desenho identificador do acesso;
    2. A delicadeza volumetrica e liberdade na construção da envolotória, claramente marcada pelo caprichoso desenvolvimento das formas e pela presença do branco dominante;
    3. as frestas obtidas e consequentes espaços externos, mas principalmente a luz interior que a todo o tempo de percurso – tempo / espaço – parece surpreender e provocar extase estética ao usuário.

    Além disso vale destacar o cuidado construtivo percebido nas fotos que certamente se mantem na realidade.
    Arquitetura que nos lembra do prazer do fazer e que sugere um plano epstimológico no qual todos os valores são interligados pela tradição ibérica de fazer e transmitir, sem medo de não “inovar por inovar”. Sem dúvida uma alternativa para se pensar o fazer contemporâneo sem excessos tão difundidos pela mídia atual apoiada nas tecnologias de desenho e fabricação.

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