Terceiro Lugar – Concurso para o Centro Administrativo do Maranhão

Concurso para o Centro Administrativo do Maranhão

Terceiro Lugar

Autor/Coordenador: Pablo Basílio de Sá Leite Chakur
Cidade: São Paulo – SP
Co-Autor(es): Fernanda Ferreira, Edson Lucchini Junior, Ricardo Martos
Pessoa Jurídica: Ópera Quatro Arquitetura S/S Ltda
Colaborador(es): Emilly Tauhyl de Campos, Lucas Ozawa Pelin, Marcelo Sandro de Oliveira, Michelle Carvalho D’Angelo, Murillo Fantinati dos Santos, Natália Peres Rodrigues, Patrícia Yume Akiyama, Paulo Rodrigues da Silva
Consultoria Sustentabilidade: Estudio ARK!Z

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Memorial Descritivo

Contexto histórico

Desde a sua fundação até os dias de hoje, são luis do maranhão desempenhou diversos papéis na cena econômica da região. Primeiro como “cidade de conquista”, em função do processo de colonização, depois passou a ter um caráter comercial, fomentado pelo desenvolvimento de sua área portuária e por fim a implantação de uma economia industrial já no início do século XX.

São luís detém a maior parte da população da região metropolitana que encabeça concentrando assim, riquezas e problemas proporcionais a sua importância no contexto urbano em que está inserida.

Introdução

O complexo administrativo do estado do maranhão deve representar a instituição governamental, o povo, sua história e cultura, criando assim uma relação de identidade com o lugar transformando-se em referência ao induzir uma nova urbanidade ao território, onde o pedestre assume o protagonismo.

Premissas

Respondendo às condicionantes urbanas, naturais e programáticas, norteamos o partido do conjunto pelos seguintes critérios:

Respeito à cidade e ao cidadão

O território urbano onde o terreno se insere é caracterizado por um sistema viário de fluxo rápido, que articula um contexto em consolidação, caracterizado por grandes áreas vazias e equipamentos institucionais, situados em edifícios isolados em lotes de fartas dimensões. Alguns exemplos dessas instituições são o fórum desembargador Sarney Costa e a Sede da Polícia Militar do Estado do Maranhão.

Desta forma, é possível afirmar que o território em questão não conta com relações de proximidade urbana que contemplem e incentivem o fluxo de pedestres, de modo que o automóvel se apresenta como o meio de transporte mais usual.

O conjunto proposto se desenvolve ao longo de dois eixos longitudinais paralelos, que rasgam o terreno no sentido norte sul;

O primeiro, de caráter semi-público, com acessos controlados e protegido por marquise, organiza os acessos aos setores privados e articula as novas solicitações programáticas com a pré-existência, além de criar uma possibilidade de transposição coberta do terreno. O segundo eixo, essencialmente público e de escala urbana, assume um papel estruturador do entorno, já que conecta o novo conjunto às instituições próximas, apresentando-se também como alternativa de percurso entre a Avenida Jerônimo de Albuquerque e a rua projetada, recém aberta, junto ao fórum. Assim, este grande eixo público, além de atribuir urbanidade de escala pedonal a um território protagonizado pelo automóvel, cria uma conexão física entre edifícios institucionais, mas que é também simbólica, ao passo que corrobora a necessidade da integração entre as diversas instâncias do poder para a consolidação da democracia.

Acreditamos que o edifício que representa o estado do maranhão deva refletir em sua massa construída a instituição a qual representa, porém, são os espaços vazios por ele deixados que devem protagonizar o conjunto. Com esta ação, a arquitetura incita o cidadão maranhense a apropriar-se destes vazios, de modo que ele possa usufruir do lazer e da cultura propiciados.

Uma grande praça cívica, situada próximo à confluência entre as Avenidas Jerônimo de Albuquerque e Euclides de Figueiredo confere imponência ao conjunto; suas generosas dimensões propiciam ângulos visuais favoráveis para que o novo Centro Administrativo seja percebido em sua totalidade, nas escalas do pedestre e do automóvel. A ausência proposital de vegetação e o amplo espelho d’água remetem à memória coletiva acerca do conceito de praça cívica, onde há sempre a generosidade espacial, autonomia entre os elementos e presença de símbolos representativos do estado e do povo; assim, pousam sobre o espelho d’água as bandeiras do Brasil, do Estado do Maranhão, e da cidade de São Luís do Maranhão, deixando claro que não se trata de um edifício comum; trata-se do novo centro administrativo do Estado do Maranhão.

O grande espelho d’água conta com uma geometria triangular e seu maior lado assume o papel de indutor do percurso aos principais acessos do conjunto. Ambos os grandes eixos longitudinais que estruturam o partido arquitetônico tem início na praça cívica, porém, a marquise que cobre o eixo semi-público se projeta sobre ela, gerando um acesso bem marcado.

A relação entre as praça cívica e o eixo público é plenamente franca e contínua.

Valorização da natureza e da paisagem

Além das questões urbanas e históricas, o partido arquitetônico adotado tem como uma de suas mais importantes premissas a valorização da paisagem e da natureza, que se sobressaem no entorno. A nova arquitetura proposta inspira-se na vasta e densa mata que ladeia o conjunto para orientar as suas mais nobres visuais; debruçam-se sobre esta generosa faixa verde os principais espaços de convívio do conjunto, além das mais importantes salas da Administração do Estado.

A massa vegetal lindeira ao terreno em questão também ajudou a configurar o grande eixo público, ou passeio da história, reforçando o caráter plural deste espaço, que além de urbano, cultural e histórico, se abre de maneira franca para a natureza, contribuindo, enfim, para a conscientização acerca de sua preservação. Além disso, tiramos partido do contraste entra a massa edificada e a massa verde contígua, para propiciar condições ao avanço regenerador da natureza, que ocupa vazios intencionalmente deixados, criando novos espaços de convívio e oferecendo por fim, estes elementos à cidade.

Reforçamos a natureza existente, estendendo-a na forma de canais verdes que rasgam o terreno transversalmente, se apropriando dos espaços entre os edifícios e se conectando ao adensamento verde proposto junto à rua euclides de figueiredo, (acesso de veículos).Reconstituímos, desta forma, a mata nativa suprimida por intervenções anteriores.

Estratégia de ocupação

A criação dos dois grandes eixos longitudinais paralelos que cortam o terreno no sentido norte-sul, surgiu como a primeira iniciativa de ordenar e articular os edifícios existentes com a nova proposta. A estratégia de implantar a nova massa construída à direita da pré-existência deixa clara a postura de valorização e exploração das visuais à mata contígua ao terreno e de afastamento do sistema viário, já que este não inspira uma boa relação com a escala do pedestre, além, obviamente, dos problemas sonoros que ele gera.

Assim, fica clara a postura de aproximação e valorização da natureza; com isso, os principais fluxos pedonais que rasgam o terreno se afastam dos automóveis e são acolhidos, de um lado pela mata, e por outro pela arquitetura. Vale ressaltar que a estratégia projetual adotada não tem a intenção de negar o sistema viário, mas sim estabelecer um diálogo bem distinto de escalas de pedestre e automóvel. Desta forma, propomos o estacionamento térreo contíguo à avenida euclides de figueiredo, tendo seu acesso principal na confluência com a Avenida Jerônimo de Albuquerque.

Acessos e circulação

O edifício proposto foi implantado como um anexo dos edifícios existentes, reordenando os alinhamentos e gerando novos espaços de convívio. Isolados e hierarquizados através dos eixos criados, os fluxos e acessos públicos, semi-públicos e privados garantem independência e controle. Veículos acessarão o complexo pelas avenidas euclides de figueiredo e jerônimo de albuquerque, onde estão distribuídas vagas para visitantes e funcionários. Dois subsolos conectados garantem a demanda de vagas cobertas para funcionários e autoridades. Há também o estacionamento térreo para visitantes e funcionários, contíguo à Avenida Euclides de figueiredo, tendo seu acesso principal na confluência com a Avenida Jerônimo de Albuquerque. É importante ressaltar que os fluxos de serviços não conflitam com as atividades diárias da instituição. As autoridades possuem acessos independentes ao edifício pelo 2º subsolo, garantindo, assim, a privacidade que requer o cargo.

O edifício

Programa foi distribuído de maneira a permitir maior flexibilidade dos espaços. No pavimento térreo os diversos fluxos são ordenados através do eixo de circulação criado que, como uma rua interna, distribui e ordena os acessos aos blocos. Em uma das laterais deste eixo, dispusemos o programa de convívio, aproveitando os espaços do passeio da história. O auditório, o espaço multimídia e a biblioteca promovem a conexão do passeio da história com o programa institucional.

O espaço multimídia, projetado para ser totalmente reversível, oferece a possibilidade de uso como um grande espaço de eventos, podendo tornar-se foyer do auditório e integrando-se com o café e com a biblioteca, formando um espaço contíguo.

Na outra lateral, as esperas e recepções gerais são intercaladas por estares descobertos por onde respiram os canais verdes. O programa institucional é distribuído nos sete pavimentos e em parte do pavimento térreo. O 3º pavimento abriga um restaurante, um café e lanchonete, privilegiados pela vista do passeio da história.

É válido mencionar que a escolha deste andar para a locação do restaurante se deu com a intenção de proporcionar a este espaço uma ambiência contemplativa, que se beneficia de amplas visuais para a natureza e para a cidade.

Controle e segurança

As relações entre os espaços públicos, semi-públicos e privados estão claramente definidas na proposta do novo centro administrativo. O passeio da história, que é francamente aberto para a cidade, não possui fechamentos. Paralelo a ele, corre o eixo semi-público coberto, que pode ser acessado de modo irrestrito durante o dia, mas se fecha quando o expediente se encerra. Este eixo semi-público organiza os acessos aos blocos; os três possuem ambientes de recepção, com controle total de acesso às secretarias e governadoria.

De modo contíguo ao passeio da história situam-se itens do programa que se relacionam de maneira direta com ele, como o auditório, os espaços multimídia, a biblioteca e o café; estes podem eventualmente funcionar de modo autônomo ao expediente do centro administrativo.

No terceiro pavimento situa-se o restaurante, que atende aos funcionários e ao público em geral. Para que ele tenha funcionamento noturno e em dias em que não há expediente no centro administrativo, propomos que no primeiro bloco haja um elevador, cuja automação permita que ele conduza apenas do térreo ao terceiro pavimento e que atue, obviamente, sob a monitoração de funcionários da segurança.

Estrutura

Propomos como sistema estrutural na nova construção uma estrutura mista aproveitando ao máximo a capacidade do concreto e do aço, bem como maior velocidade de montagem, economia, limpeza e possibilidade de futuras adequações. Na concepção dos subsolos, para a economia na construção mantendo a velocidade de montagem e limpeza da obra, previmos um sistema estrutural com pilares e vigas em concreto pré-moldados.

Para o restante do edifício propomos vigas e pilares metálicos no intuito de possibilitar futuras adaptações e desmontagens. No sentido longitudinal e acompanhando a modulação dos edifícios existentes, vigas metálicas em perfil “i” são posicionadas. Para a economia do aço e também permitir a passagem de tubulações, indicamos vigas casteladas a cada 2,50m no sentido transversal. O piso será em laje tipo “steel deck” com 14cm de altura.

Para as caixas de escadas e elevadores, previmos um sistema em concreto moldado in-loco com a utilização de formas metálicas, funcionando, assim, como contraventamento da estrutura metálica. A estrutura das construções existentes foi preservada. Propomos adequações perimetrais na estrutura no intuito de ratificar as fachadas longitudinais e flexibilizar os espaços internos além de permitir melhor fixação dos brises propostos. As áreas dos sanitários serão demolidas para que, em seus lugares, novos e mais modernos sanitários atendem os usos da nova instituição.

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