Tese de Doutorado – FAU/USP

Autor: Valéria Cássia dos Santos Fialho

Título: Arquitetura, texto e imagem: a retórica da representação nos concursos de arquitetura

(acesse aqui a versão digital do documento – pdf – 23,3 Mb)

Ano: 2007

Instituição:
Universidade de São Paulo

Orientador: Paulo J. V. Bruna.



Proposta vencedora – Museu da Tolerância – São Paulo – Autores: Juliana Corradini e José Alves

RESUMO

Este trabalho busca lançar um novo olhar sobre momentos relevantes da história dos concursos de arquitetura no Brasil, partindo da premissa de que concursos são eventos que geram interesse por conterem um tipo de informação que reflete cada momento específico da produção arquitetônica. Discute a importância da representação no desenvolvimento do projeto arquitetônico, o papel do material gráfico na propagação de conceitos, assim como a supervalorização do discurso e da imagem e a inversão de valores que tal processo acarreta. Identifica, neste contexto, a existência de uma gramática específica nos projetos desenvolvidos para concursos, na qual a relação entre texto e desenhos assume características peculiares. Coloca a questão de como estes eventos geram uma discussão crítica e de que maneira este material torna-se referência para a formação de conhecimento específico na área. Para tanto, seu conteúdo está organizado em três momentos. O primeiro estabelece um arcabouço conceitual e define uma metodologia para análise dos projetos coletados. O segundo consiste na análise de três eventos fundamentais de nossa historiografia: o concurso para o Plano Piloto de Brasília (1956) – um dos acontecimentos essenciais para a arquitetura brasileira e marco na história dos concursos; o do Pavilhão de Osaka (1969) – representante de um período de afirmação de um discurso e parte fundamental da trajetória do movimento moderno brasileiro; e o concurso para o Pavilhão de Sevilha (1991) – evento polêmico e de repercussão expressiva, que caracteriza um atribulado período de transição cultural. Após a análise destes eventos de formação, o trabalho altera seu foco e, em seu terceiro momento, traça a trajetória construída desde a realização do concurso para Sevilha até os dias de hoje. Seguindo esta narrativa panorâmica, discute um evento contemporâneo, o concurso para o Museu da Tolerância da USP (2005), para, a partir do arcabouço gerado pelo estudo dos momentos de formação e seu rebatimento neste evento, abordar o contexto atual. Nas conclusões, o trabalho trata da identificação de uma retórica da representação expressa no conjunto de desenhos e textos analisados e discute a mensagem específica que cada desenho carrega e sua influência no desenvolvimento dos projetos. Confronta a democratização de meios com a especialização dos concorrentes e questiona a acessibilidade às técnicas de representação em contraponto à dificuldade de lançar mão dos recursos disponíveis sem cair na gratuidade. Como segundo ponto discute o valor dos textos que acompanham os desenhos, encarados como fios condutores da opção retórica, e identifica as diferentes posturas adotadas pelos autores. A última questão colocada diz respeito ao papel didático dos eventos enquanto momentos de reflexão crítica e discute a permanência das idéias, os elementos de formação de repertório e sua influência no campo da educação. A pesquisa conclui sua argumentação defendendo a leitura deste conjunto de trabalhos a partir do resgate de documentos que podem revelar aspectos fundamentais para o retrato de uma época e a formação de um conjunto de valores.


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