Concurso – Complexo do Hotel Paineiras – RJ

3º lugar – Bruno Conde Basso e Filipe Gebrim Doria

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Parecer da Comissão Julgadora

“A solução apresenta-se como alternativa ao padrão recorrente dos trabalhos apresentados. Baseia-se na criação de edifício de estacionamento em frente ao restante do conjunto edificado e no lado oposto da Estrada das Paineiras. A adoção desta estratégia resulta em ganho de maior liberdade na resolução do programa embora seja criticável do ponto de vista ambiental. A solução evitou grandes movimentos de terra, reduzindo custos. Em contrapartida não qualificou suficientemente o prédio existente do Hotel e, ao colocar o Centro de Convenções voltado para a deslumbrante vista panorâmica, não aproveitou o potencial desta situação.” (transcrição do documento original)

Memorial Descritivo

O projeto para o Complexo – Hotel Paineiras surge como conseqüência de uma reflexão sobre o território e se insere na paisagem de modo a ampliar seus potenciais geográficos e edificados. Uma intervenção que atenda aos novos usos propostos potencializando a infra-estrutura existente e vencendo os desafios gerados por um território peculiar. A proposta se estrutura a partir da adoção de um eixo de circulação de pedestres organizado ao longo da cota 460.00. Nele estão dispostos os principais elementos do programa, reforçando sua integração e otimizando seus usos. Se por hora o mesmo apropria-se do platô existente, onde se localizam o edifício do antigo Hotel e o Alpendre, hora liberta-se da situação imposta pela topografia e pela fragmentação ocasionada pelo sistema viário através de uma circulação elevada, expandindo a cota 460.00 no espaço. O projeto aborda os edifícios existentes respeitando seu valor histórico e simbólico. As novas construções afirmam sua contemporaneidade resultando em uma situação de confronto e entendimento entre dois momentos históricos. No edifício do antigo Hotel Paineiras o térreo passa a abrigar os espaços de uso comum do complexo.

A loja situa-se na fachada lateral do edifício voltada para a estação de transferência, tirando partido da proximidade com o grande fluxo de pessoas. As salas de exposições estão na porção central do edifício. A lanchonete encontra-se próxima ao Alpendre, onde está o restaurante, com o qual compartilha a cozinha. O 1° e o 2° pavimento conservam sua função original, sofrendo apenas uma revitalização em seu interior. Já para o terceiro pavimento foi proposta a demolição da antiga intervenção e a construção de novos quartos de hotel e área de lazer para os hóspedes, feita em estrutura metálica, diferenciando-se claramente do edifício original.

Para o Alpendre foi proposta a subtração de suas extremidades em alvenaria e a conservação e restauro das colunas e das tesouras em estrutura metálica, assim como o piso em ladrilho hidráulico. Ele passa a abrigar o restaurante, com visão privilegiada para a Zona Sul da cidade e para a reserva florestal. Dispondo a área de apoio e os banheiros nas extremidades, os espaços para as mesas ganham posição central e vista panorâmica, garantida pelos fechamentos em vidro a dois metros de altura, solto da estrutura original. Abaixo do Alpendre, em um espaço que se restringe do grande fluxo de pessoas, está o Centro de Convenções, que aproveita o antigo salão de eventos para abrigar as Salas de Reunião. Para o Auditório foi criado um anexo que se acomoda no perfil natural do terreno, estando seu piso na cota 455.80 e sua laje de cobertura na cota 460.00. Ainda neste nível estão algumas áreas técnicas, a cozinha do complexo (que se liga à lanchonete e ao restaurante por meio de monta-cargas) e o acesso de serviço.

A nova infra-estrutura proposta, onde encontram-se a Estação de Transferência, as áreas administrativas e os estacionamentos utilizam primordialmente elementos pré-fabricados, visando a praticidade e a agilidade de sua execução. A marquise em estrutura metálica que interliga os diferentes usos do complexo configura-se como um elemento discreto, que cumpre seu papel funcional buscando interferir o mínimo possível nas visuais do conjunto. A Estação do Trem é acessada por meio de rampa e escada que partem do espaço em que se encontra a Estação de Transferência. Ela é envolta por um fechamento metálico que abriga a plataforma de embarque assim como sua bilheteria e sanitários. Abaixo da plataforma dispõe-se a Casa do Gerador.


O novo estacionamento dos automóveis situa-se no mesmo espaço físico do antigo, sendo que agora ocorre em dois pavimentos. Para ele foi adotada uma estratégia de baixo impacto ambiental e paisagístico, sem haver a necessidade de escavações ou de intensa verticalização. Acima deste, na cota 460.00, estão dispostas as áreas administrativas do complexo e da empresa que opera o serviço de transporte do Parque, assim como uma passarela que faz a ligação direta com o restante do complexo. Desta maneira o trânsito de pedestres é livre e ininterrupto, de modo que nunca haja a necessidade de cruzamento com o fluxo veicular. O estacionamento para as vans situa-se em um edifício separado que se encaixa em uma cota mais baixa do terreno, adaptando-se à topografia para que não ocorra manejos de terra. Distribuído em três pavimentos ele aflora apenas três metros acima do nível da ponte de acesso ao complexo, alcançando baixo impacto visual.

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Veja abaixo as pranchas submetidas ao concurso:


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Ficha Técnica

Autores:
Bruno Conde Basso e Filipe Gebrim Doria

Colaboradores:
Filipe Romeiro e Juliana Neves

Consultores:
Tecnosan Engenharia (Meio Ambiente) e ZPM Engenharia (Estruturas)

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Fonte: IAB-RJ e autores do projeto, aos quais agradecemos pela disponibilização do material aqui publicado.