Marco Olímpico Rio 2016 – Prêmio Consolação

rio-2016


Atualizado em 03.10.2009





por Fabiano Sobreira (*)

O IAB-RJ assinou, no dia 07 de outubro, convênio com o Comitê Organizador da Rio 2016 para a realização de um concurso para o projeto de um Marco Olímpico para o Rio de Janeiro. O edital do concurso deverá ser lançado até dezembro e segundo informações do IAB-RJ, que no momento estaria elaborando o edital,  trata-se de um Concurso Internacional. Segundo o prefeito da cidade, “o Marco Olímpico será um ícone que vai marcar para sempre a passagem dos Jogos Olímpicos pela cidade”. O Prefeito ainda ressaltou: “Estamos dando sequência a um conjunto de ações voltadas para 2016. As decisões que nós tomarmos nos próximos cinco ou seis meses, nessa fase inicial do planejamento, serão as decisões mais importantes. Esse momento inicial é fundamental sob o ponto de vista de interesse da cidade, principalmente o legado – ressaltou o prefeito.” (Fonte: IAB-RJ)

A notícia poderia ser comemorada, se ignorássemos o fato de que os projetos para todo o Parque Olímpico (cerca de 25 bilhões em infra-estrutura e instalações esportivas) não foram objetos de concursos públicos de arquitetura, urbanismo ou paisagismo. Pouco se sabe, na verdade, sobre os procedimentos de contratação. O que se sabe (segundo a página oficial do Rio 2016) é que os créditos dos projetos para praticamente todas as instalações do Parque Olímpico são atribuídos à empresa BCMF Arquitetos, contratada por licitação baseada em habilitação técnica.

Já que muitos ainda comemoram a vitória da campanha olímpica do Rio, pouco tem se falado sobre os processos de contratação dos projetos e sobre a qualidade dos investimentos para a vida da cidade  (e do país, que paga a conta) pós 2016. A receita dos empreendedores e gestores públicos, na verdade, tem sido sempre a mesma: Pan 2007, Copa 2014, Olimpíadas 2016 – o mínimo de debates, de transparência ou de participação coletiva, para que haja o mínimo de satisfação a ser dada sobre os investimentos (públicos) bilionários. Enquanto isso, na campanha Madrid 2016, houve concursos de arquitetura para grande parte das instalações esportivas. Não foi desta vez. O jeito, ao que parece, é se contentar com o “prêmio consolação”, que deve ser o Concurso Internacional para o Marco Olímpico Rio 2016, já que os projetos para o Parque Olímpico, aparentemente, já foram definidos (veja imagens abaixo); esperar os  resultados da aplicação dos 25 bilhões de reais previstos para o evento e ficar se perguntando: qual parcela desses recursos será desperdiçada com a eventualidade dispensável e qual será efetivamente  investida nas permanências necessárias, para a cidade e para o país.

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Veja abaixo imagens dos projetos para o Parque Olímpico da Rio 2016 (fonte: www.rio2016.org.br):

Parque Olímpico - BCMF Arquitetos - Fonte: rio2016.org.br

Centro Olímpico Nacional de Treinamento - BCMF Arquitetos

Centro Olímpico Nacional de Treinamento - BCMF Arquitetos - Fonte: rio2016.org.br

Parque Olímpico do Rio - BCMF Arquitetos - Fonte: rio2016.org.br

Parque Olímpico do Rio - BCMF Arquitetos - Fonte: rio2016.org.br

Desportos Aquáticos - BCMF Arquitetos - Fonte: rio2016.org.br

Centro Olímpico de Hockey - BCMF Arquitetos - Fonte: rio2016.org.br

Centro Olímpico de Tênis - BCMF Arquitetos - Fonte: rio2016.org.br

Velódromo Olímpico do Rio - BCMF Arquitetos - Fonte: rio2016.org.br

Vila dos Patrocinadores - BCMF Arquitetos - Fonte: rio2016.org.br

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(*) Fabiano Sobreira é arquiteto e urbanista, PhD, editor responsável pelo portal concursosdeprojeto.org .

19 respostas em “Marco Olímpico Rio 2016 – Prêmio Consolação

  1. e quem deveria nos representar e indagar estas questoes? onde estão?
    parabens aos arquitetos, que “correram” na frente, fizeram belas perspectivas e como fazem os politicos(quase todos), chegaram e pegaram primeiro! é assim no Brasil, quem tem a informação(previlegiada), se dá sempre bem… não os julgo por quererem tanto quanto quase todos aqui, fazer TODOS os projetos que serão a vitrine do mundo em 2016, uma pena que dentro do meu ponto de vista, deixam bem a desejar… este é o brasil, tão bem representado em Xangai, e agora na RIO2016, será talvez para sempre, do Futebol do samba e da orgia(politica)

  2. Pra variar, a maioria, o povo, a cidade, sairá perdendo pelo interesse de poucos. Mais uma oportunidade desperdiçada pela falta de visão de futuro do todo. Como fazer agora? Processar quem? Processar o que? Há tempo de refazer? Em tempo hábil? Indignado e com indagações: Quando vamos aprender?

  3. Quanto chororô meus amigos e companheiros de profissão. Fácil para nós (isso me incluo também) chorarmos todas nossas mágoas no teclado do computador. Adoramos escrever belíssimos textos nos vários blogs de arquitetura, queixando de como são injustos conosco. Mas, vou deixar uma questão no ar (ou melhor, no blog): Quanto realmente, nos mobilizamos para mudar a situação? Chega de preguiça ideológica. Abraço a todos

  4. Lá vou eu, sem nenhum espanto, comentar aqui mais esse episódio lamentável. Digo sem espanto, porque nossos ditos representantes nos IABs , CREAs , etc. já sabiam, como todos nós, que para preparar o tal dossieé, que foi contratado a peso de ouro com ano e meio de antecedência, seria necessário incluir o plano diretor da cidade olímpica, etc. Isso implicaria em imagens da arquitetura de todos os edifícios. Para que fosse efetiva, toda a indignação aqui extravasada deveria ter ocorrido antes de tudo consolidado? Isso vale também para os estádios da Copa. Tomara que toda essa gritaria não permaneça apenas como reflexo do talentoso amadorismo que permeia o exercício de uma boa parte na nossa arquitetura, felizmente com inúmeras e honrosas exceções.

  5. Prezados,

    O maior problema não é se a arquitetura é boa ou ruim, se o projeto é racional ou funcional, se gostaram dele ou não. O maior problema é a falta de competitividade e oportunidade que essas atitudes geram para os arquitetos, resultando em projetos sem prévio debate, sem maiores análises, sem resolver os problemas que as cidades brasileiras carregam.

    Concursos são bons para os arquitetos, que se empenham mais e buscam sempre tirar o melhor de suas idéias; para o governo, que tem seus custos reduzidos e gestão de recursos mais eficiente; e principalmente para a sociedade, que terá sempre as melhores soluções para seus equipamentos públicos.

    É triste ver que um país que receberá consecutivamente duas grandes competições (uma Copa do Mundo e uma Olimpíada) foge das competições de arquitetura! Aprende de uma vez, Brasil! Essa talvez seja a maior oportunidade de crescimento da história recente brasileira, e estamos jogando no lixo…

  6. Além do absurdo da falta de discusão e de diversidade, ninguém tem a capacidade de fazer tantos projetos e garantir sua qualidade. Aquelas imagens, para mim, não passam de bons renders. Não têm nenhuma lógica por trás. É necessário que isto seja interpelado judicialmente.

  7. Quando recebi a noticia que o Rio iria sediar as olimpiadas de 2016 fiquei, por alguns instantes, nostalgica e profundamente feliz pensando que finalmente a cidade mudaria de rumo, a qualidade de vida aumentaria, a violência diminuiria, a economia aceleraria, o nivel cultural e intelectual dos cariocas melhoraria e por conseqüência, bons projetos de arquitetura seriam construidos. Bom, isso foi tudo ilusão… o transporte continua ruim, a educação das pessoas continua ruim, a politica continua ruim, a vida aqui continua ruim, e nossa arquitetura continua péssima! Sinceramente, tenho medo da imagem que vamos passar para o resto do mundo… não sei se realizar os jogos olimpicos é uma solução ou um problema… Quando vi os projetos fiquei muito decepcionada, quem projetou isso? São arquitetos? Um arquiteto com essa oportunidade deveria tentar fazer algo com poesia, reflexão, paixão por arquitetura…… Por falar em lugar… por que implantar todos equipamentos na Barra? Eu imagino muito bem os engarrafamentos quilométricos da avenida das Americas ao Centro… Com tantos lugares magnificos no centro da cidade que estão vazios, por que não tranforma-los em equipamentos esporivos? Por que coisa antiga aqui sempre vira centro cultural? Por que mesmo quando temos oportunidade de mudar ainda fazemos a versão ruim de arquitetura do EUA nos 80? Bom, muitas questões e poucas respostas… Sei que estou muito triste com esta situação! Temos que colocar a boca no trambone e protestar, assim não deve continuar!

  8. O projeto do parque olímpico não me parece nem racional nem funcional, apenas adota uma ortogonalidade tola sem real preocupação com o funcionamento propriamente urbano da circulação e das atividades. Agora eu sinceramente me pergunto: o que os governantes têm a ganhar com esse tipo de privilégio na fase do projeto? Perdoem o cinismo, mas já há oportunidade suficiente pra se roubar na fase de execução da obra…

  9. Senhores, a BCMF Arquitetos são jovens arquitetos mineiros que já haviam feito boa parte dos equipamentos de tiro e equitação do Pan (também sem licitação) mas dentro do pacote da firma que os contratou. Agora, correram na frente e fizeram habilmente imagens 3D de tudo quanto foi possível e diretamente com o COI. Fico aqui pensando ou tem informações previlegiadas (o que acredito) ou o COI via internacional ou via Brasil está nem aí para os direitos e éticas dos profissionais que poderiam estar envolvidos em todo o processo, inclusive enriquecendo nosso patrimônio arquitetônico. Caso seja adotada a mesma postura para a área médica, econômica ou mesmo atlética (que me parece com o menor valor no momento) teremos uma competição de ironmans como já estamos tendo copa de 14 com os ironarquitetos e olimpíada com o ironB, o ironC, o ironM e o ironF. IRON não é de irônico, fica bem esclarecido, mas podia ser.

  10. Prezado Fabiano,

    Oportuno seu artigo.
    Por isso mesmo devo discordar do trecho em que diz que “O jeito, ao que parece, é se contentar com o “prêmio consolação”, que deve ser o Concurso Internacional para o Marco Olímpico Rio 2016, já que os projetos para o Parque Olímpico, como dissemos, já foram definidos.”

    Se contentar não é o procedimento adequado, a menos que queiramos enterrar a profissão. Se é assim, por que então não propomos isso: fechamos a casa, e cada um vai catar um emprego. Parece que tem bastante oferta na área de construção.

    Ou então vamos pedir emprego na BCMF. Quem sabe não teremos o privilégio de ajudá-los a detalhar alguns dos 2 milhões de metros quadrados que a dupla assinará.

    A questão só se define de fato após concluídas as obras. Com as eleições de novembro, o IAB-RJ será reformulado para se levantar à altura dos desafios que pressionam a profissão. Se conseguirmos mobilizar a opinião pública para reverter estes absurdos, não precisaremos passar pela vergonha de sentar aos pés das ruínas olímpicas na Barra e chorar.

  11. Caro Fabiano,
    Onde podemos obter mais informações sobre a escolha do escritório BCMF para a realização dos projetos do RIO 2016? Na verdade, eles já haviam desenvolvido obras para o PAN 2007. Enfim, de alguma forma eles foram selecionados.
    Abs.

  12. Constam também algumas poucas imagens das empresas LUMO e DOMUS… Mas de qualquer maneira, 3 escritórios de arquitetura responsáveis por todo o conjunto de projetos me parece absurdo.

  13. Uma lastima para a arquitetura brasileira! Talvez no momento mais propicio da nossa historia, tudo e feito de forma duvidosa e interesses particulares sao beneficiados perante oportunidade de gerar grande discussões que so iriam trazer melhorias a cidade! E ainda vemos um IAB complacente e apoiando um premio de consolação para uma classe que deveria estar defendendo! Que representação, hein IAB? Parabéns!

  14. Acho que deve haver algum equivoco. O escritório BCMF deve ter desenvolvido o projeto urbano, mas não o projeto de cada edificação. São mais de 10.

    Isso está mal explicado.

    Se for verdade, é um absurdo. Sei que no caso de Atenas, Calatrava projetou praticamente todo o complexo. Mas ele é uma figura reconhecida internacionalmente e tem notória especialidade no assunto, enfim…

  15. Correto, Fabiano.
    Impossível ter uma arquitetura brasileira de qualidade se não houver igualdade de oportunidades para que se demonstre a (…) desigualdade na evolução de nossos arquitetos e arquitetas. Eu penso como um “professor profissional” (em contraste com aqueles que fazem o “bico professoral”, estou entre aqueles que não têm outra saída a não ser esse prazeroso esforço em Dedicação Exclusiva na UnB) de arquitetura que sou: tenho que lutar por novos espaços profissionais para meus alunos! Se não for assim, é melhor não ensinar arquitetura.
    Há uma boa discussão acerca dessa “filosofia da prática”, que está por detrás da luta por Concursos Públicos de Arquitetura, mas uma indicação para mim é dada pelo SABER social que a arquitetura representa para todos, para a humanidade – e isso tem tudo a ver com a realização de concursos. Outra é dada pelo PODER social, que a arquitetura pode tornar físico, pode materializar, e os arquitetos são curiosos e cativos detentores de parte desse Poder. Na luta pelo poder, não há concurso, não há crítica, não há renovação.
    Que nesse Olimpíada Brasileira haja a chance de (alguma) renovação em nossa arquitetura. Chega do “Notório Saber”, na verdade “Notório Poder”.
    Sinceros parabéns pelo excelente trabalho pelos Concursos!

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