Concurso Nacional de Arquitetura – Marco de Entrada de Brusque

2° lugar

Equipe: Leonardo Rafael Musumeci, Alexandre Leitão Santos, Marlon Rubio Longo e Thalita Cruz Ferraz de Oliveira – São Paulo – SP

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Resumo – Memorial Descritivo

Pensar a proposta da construção dos marcos de entrada da cidade de Brusque é pensar a própria capacidade comunicativa da Arquitetura de criar símbolos e referências na cidade. Não se trata de funcionalidades, equação de um programa ou mesmo formalismos, mas, antes, de uma questão atípica, no limite entre a obra de arte e a criação de espacos que sejam eles próprios, ao mesmo tempo, representativos e capazes de situar a cidade no território.

Nesse sentido, pareceu-nos fundamental que não se tratasse apenas de uma marca de entrada, algo que apenas uma porta fosse capaz de explicitar, mas sim de localizar, referenciar a cidade histórica e, principalmente, geograficamente para todo aquele que nela ingressa. Entretanto, uma segunda dificuldade se impõe: como fazer essa referência sem o próprio contexto da cidade e do urbano em que se encontra, sem o diálogo direto que possibilita vivenciar e dialogar com essas questões?

Partiu-se então da idéia de um conjunto, no qual os dois marcos fossem tratados em relação um ao outro, cada qual com sua autonomia, mas com sentidos complementares, adotando uma leitura a partir dos caminhos que seriam marcados por estas intervenções. Assim, enquanto um eixo norte-sul corta a rodovia Antônio Heil fazendo referência à sua relação com a linha litorânea e sua paralela BR-101, ou mesmo o aeroporto de Navegantes, eixos que ligam mais explicitamente a cidade com o Brasil e mundo, a rodovia Ivo Silveira é cruzada por um eixo leste-oeste, fazendo este referência ao pioneiro fundador das cidades da região, aquele que adentra o estado além-serra. Construídos em concreto bruto carregam o baixo-relevo do mapa catarinense, marcando a posição da cidade de Brusque sob o cruzamento dos eixos, situando o passante em sua localização territorial.

Mas isso não seria suficiente. Haviam outros elementos a ser explorados, como, por exemplo, o plano já construido no Marco 01. Como poderia auxiliar nesta referência? Descobriu-se, então, algo de importante valor: que ele próprio está situado demarcando a direção da capital do estado, Florianópolis. Logo tratou-se de criar então, um segundo elemento, novamente comum aos dois marcos: um plano que cruzasse o primeiro indicando a posição relativa da cidade de Brusque dentro do Estado a partir da referência a sua Capital.

Ainda faltava algo. Uma referência à própria história da cidade de Brusque, que haveria de ser contada de duas formas, uma mais direta, textual, na qual se pudesse ler efetivamente sobre seu passado e outra, a nós mais importante, que desse conta de representar, nesse espaço, sua origem. Elegemos então, como fio condutor dessa história da cidade, o Rio Itajaí-Mirim, às margens do qual se deu o acesso e a ocupação de Brusque. O rio, representado por um rasgo d’água que atravessa, em cada marco, os planos que marcam as direções norte-sul e leste-oeste, na sua origem, percorre e conforma toda a praça, contendo, ainda, em seu interior, um grande monolito de mármore do qual transborda essa água e no qual os transeuntes podem conhecer por escrito e no desenho de seu mapa a história da cidade. O volume que localiza a cidade em relação à capital é posicionado ao lado da rodovia onde direciona-se a vertente do rio, responsabilizando-se também por localizar o acesso presente em relação ao acesso do passado.

Ao redor destes elementos todos, terminando de dar forma à praça dos marcos, posicionamos um grande plano de piso ortogonal de mármore, bem como os bancos, pensados em granito, ambos de maneira a não apenas contribuir no caráter estético monumental deste local, mas aproveitar o material disponível, reduzindo os custos para sua construção; as lixeiras e tótens solicitados; a vegetação; um conjunto com as bandeiras do país, estado e cidade, responsável pela representação do caráter cívico da mesma; e as vagas de estacionamento para carros e ônibus, devidamente posicionadas de maneira a garantir seu melhor acesso, assim como um quadro de informes, com o propósito de informar o visitante do que acontece na cidade antes mesmo de adentrá-la.

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Fonte: IAB-SC – Núcleo Blumenau – iabblumenau.blogspot.com