Largo do Mercado Público de Florianópolis – 2º lugar

Concurso Público Nacional de Anteprojetos de Arquitetura e Urbanismo de Requalificação do Largo do Mercado Público – Florianópolis – SC

2º lugar – Enrique Hugo Brena e Miguel Pousadela – MOS Arquitetura e Urbanismo (RS)

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LEITURA URBANA

A metodologia usada no presente trabalho baseia-se numa leitura urbana que vai do geral ao particular, da macro à micro escala.

1. MACROESCALA: escala da cidade

1.1. Sistema Circulatório veicular atual

O aterro da baia sul surge, principalmente, como depositário do sistema viário que integra ilha e continente.

Permite que carros e veiculos de transporte de passageiros e de carga interfiram nos percursos dos pedestres que chegam ao centro desde os terminais de ônibus. Hoje a Avenida Paulo Fontes é uma barreira física entre os terminais e o centro histórico da cidade.

Consideramos que o espaço urbano entre os terminais e a fachada oitocentista deve ser domínio do pedestre. Para isso foram tomadas as seguintes decisões:

• Eliminar a circulação de carros na Rua Francisco Tolentino.

• Inverter o sentido da Rua Felipe Schmidt entre a Avenida Rio Branco e a Rua Alvaro de Carvalho.

• Intervir no encontro da Av.Beiramar Norte com a Av.Paulo Fontes para permitir o acesso ao subsolo de estacionamento.

1.2. Sistema circulatório veicular proposto

Invertendo a Rua Felipe Schmidt, no sentido da Praça XV, integra-se um binário com as Ruas Alvaro de Carvalho, Tenente Silveira e Avenida Rio Branco, que permite entrar e sair do centro desde a Av. Beiramar o conectar com a saida para o continente ou com a Avenida Mauro Ramos. Assim é possível eliminar a circulação de carros pela Rua Francisco Tolentino.

1.2. Circulação de pedestres atual

A rede de calçadões atual não conecta a cidade com o sistema de transporte público com eficiência. Apresenta inúmeras interferências do sistema circulatório veicular colocando em risco a segurança dos usuários.

1.3. Circulação de pedestres proposto

Tem como função articular o sistema multimodal de transporte público com o sistema de espaços e equipamentos públicos existentes e criados e com a rede de calçadões existente.

1.3. Sistema de transporte público

Propoe-se relocar o terminal intermunicipal entre a rodoviária Rita Maria e o TICEN liberando aquele espaço para usos públicos na escala do pedestre. Complementa o sistema de transporte terrestre um circuito e VLT que percorre o parque Dias Velho, a Av.Mauro Ramos, a Av. Rio Branco chegando no parque da Luz onde conecta com a linha de VLT que vem do continente pela Ponte H. Luz (na cor azul claro).

2. ESCALA INTERMEDIARIA: Leitura da área objeto do concurso delimitada pelas Ruas Pedro Ivo, Francisco Tolentino (fachada do casario otocentista), Jerônimo Coelho, fachadas noroeste e suleste do Mercado Público e a Avenida Paulo Fontes.

O centro histórico da cidade carece de amplos espaços públicos organizados para o lazer da população.

3. MICROESCALA: desenho do recorte resignificado a partir de um conjunto articulado de espaços singulares: Sacolão, Praça da Cidadania, Praça do Mané, Praça de Eventos frente ao Centro popular de compras e Parque urbano. Esta escala é apresentada através dos croquis.

OBJETIVOS GERAIS

Requalificar o espaço urbano da área da Rua Francisco Tolentino e suas adjacências, no Largo do Mercado Público, para a convivência coletiva, na escala do pedestre, valorizando o patrimônio arquitetônico existente e as tradições da cultura popular local, através de um novo ordenamento espacial e paisagístico.

• Sistema multimodal de transporte

• Priorizar o transporte de massa frente ao automóvel integrando as escalas urbana, intermunicipal e regional através de um conjunto de equipamentos através de um eixo circulátório de pedestres, que articulam as modalidades terrestre e marítima.

• Reordenamento dos fluxos de ônibus por um lado e dos usuários pelo outro sem interferências.

• A garagem subterrânea funciona como nexo dos fluxos veiculares principais norte e sul da Avenida Paulo Fontes com circulações cobertas entre a fachada histórica oitocentista da Rua Tolentino e a fachada contemporânea dos terminais de transporte.

• Adequar o sistema circulatório às diretrizes do projeto.

• Configuração arquitetônica dos limites do espaço na fachada contemporânea dos terminais e na fachada do sacolão junto a Rua Pedro Ivo, utilizando linguagens diferenciadas.

• Implantar o centro popular de compras no nível do subsolo da garagem para não interromper o visual da fachada oitocentista desde a borda contemporânea dos terminais e os percursos de aproximação através do parque urbano Diaz Velho.

• Adequação da proposta à topografia do terreno através de diferentes níveis de espaço públicos que permitem qualificar e diferenciar as atividades.

• Sistema de transporte de massa leve sobre trilhos (VLT), circular que vincula os terminais com a área central da cidade.

• Inclusão da água como elemento simbólico e regulador do microambiente do recorte.

• O traçado geométrico do parcelamento do solo pré-existente se toma como referência da organização do uso do espaço público proposto.

• Forte presença d’água como referência da histórica relação da cidade com o mar.

• Substituição de áreas de estacionamento de superfície disponibilizando mais 400 vagas no porão da Rodovia Rita Maria.

• Criação de uma fachada para o subsolo de garagem através dos postos do Centro popular de compras.

• Criar estação de taxis no estacionamento subterrâneo, com fácil e rápido acesso desde a Praça de eventos.

• Criar uma plataforma exclussiva para ônibus de turismo, no terminal urbano, permitindo o acesso dos turistas ao centro da cidade através do caminho das palmeiras projetado por Burle Marx.

• Integração do sistema de transporte público em todas as escalas e modalidades num eixo circulatório coberto para pedestres que permita o deslocamento dos usuários com conforto.

• Nova frente urbana entre o terminal Rita Maria, o novo Terminal Intermunicipal e o TICEN que junto com o frente oitocentista da Rua Tolentino emolduram o espaço aberto da praça pública.

• Grande praça multifuncional de conexão entre o sistema de transporte e o centro histórico-comercial-institucional da cidade;

• Organizar o estacionamento público embaixo da praça permitindo a conexão subterránea entre os terminais com o taxi, o Centro popular de compras, o sacolão e o mercado público além de facilitar a chegada dos pedestres no centro da cidade

• Reinventar um lugar que acumula, por um lado, uma forte carga histórica e, por outro, intervenções sucessivas que conflitam entre o resgate da identidade perdida e soluções rodoviaristas para conflitos resultado do crescimento urbano.

• Complementação das atividades solicitadas pelo programa do concurso por outros usos propostos como expresssão de usos populares latentes ou potenciais que hoje acontecem de maneira informal e esparsos ao longo de percursos acidentados e inseguros.

TECNOLOGIA

A resposta tecnológica pretende responder às exigências de convivio de momentos históricos diferentes, passado e presente representados nas duas fachadas que modelam o parque urbano: a histórica, do século XVIII e a contemporânea, do século XXI, expressada pelo avançado design do VLT e da cobertura do eixo conector dos terminais. A viagem pela história é expressada pelos materiais, formas e texturas usados nos percursos lineares que atravessam o parque numa transição física e temporal que valoriza e resgata o espaço público para o habitante da cidade.

ENERGIA ELÉTRICA E ILUMINAÇÃO

Procura-se um sistema que possibilite a captação da energia necessária para o funcionamento das áreas externas e internas durante o periodo noturno (paineis solares e células fotovoltaicas).

Subestação e rede de distribuição através de racks suspensos da laje do subsolo.

Sensores fotoelétricos que otimizem o uso e economia de todos os sistemas com controle automático. Valorização da fachada histórica da Rua Tolentino com iluminação na base de leds.

INFRAESTRUTURA DE SERVIÇOS

A origem da área é um aterro hidráulico e mecânico, com lenta compactação ao longo dos seus 35 anos de existência. Como as bases do concurso não incluem dados de sondagens atalizados trabalhou-se na base de informações empíricas obtidas de obras realizadas na área. Assim, foi considerado que a água do lençol freático aflora a partir dos 2 metros nas excavações

Considerando que o nível da proposta ficou em + 50, há uma margem que deverá ser confirmada na etapa do projeto executivo. Adotamos uma laje armada, não estruturada de 20 cms de espessura, para os periodos mais comprometidos (chuvas com preamar), com rebaixamnto do lençol e cisternas para elevação por bombemento para a rede pluvial externa.

Sistema de captação de águas pluviais através de cisternas específicas com filtros, para utilização nos espelhos de água, limpeza de pavimentos e irrigação das áreas verdes.

Rede interna coletora de esgoto sanitário com deposição em caixa soterrada e conectada à rede da Concessionaria por sistema de bombeamento.

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Ficha Técnica

Autores do Projeto:

Arquiteto Enrique Hugo Brena

Arquiteto Miguel Pousadela

MOS Arquitetura e Urbanismo Ltda.

Colaboradores:

Acadêmicos

Juliana de Albuquerque Goularte

Caique Schatzmann

Guilherme Barreto P. Antônio

Rovy P. Pessoa Ferreira

Consultores:

Stabile Assessoria, Consultoria e Projetos de Estruturas Ltda.

Hidrosane Engenharia Ltda.

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Agradecemos aos autores pela disponibilização do projeto para publicação.

4 respostas em “Largo do Mercado Público de Florianópolis – 2º lugar

  1. Caro amigo, por esses comentários e por mentes como a tua é que essa cidade, como tantas outras, estão ridiculamente horríveis, não só em questões ambientais, sociais, como também espaciais. Mentes e pensamentos pequenos e limitados como o seu mostram o quão andamos no caminho errado. Termino o que tenho a dizer com uma pergunta: Quando você vai ao médico, está com dor no pulmão, você diz pra ele o que deve ser feito ou deixa ele analisar seu caso e dar o diagnóstico? Pois bem, se não faz isso com o profissional da medicina, porque o faz com problemas espaciais, de planejamento e mobilidade de uma cidade, estudados por arquitetos e urbanistas e demais disciplinas?

  2. Olá mais uma vez!

    Caique Schatzmann deixou o seguinte comentário:

    ´Não compreendi se sua critica? … está sendo deferida a solução do projeto concebido pelo segundo colocado ou ao programa e tema proposto pela comissão do concurso. ´

    Mas minha resposta já está respondida na primeira frase que eu já havia postado:

    O projeto é super bem feito. A ideia é péssima! ………………

    …………. ou seja, eu quero dizer que o projeto é exelente. Mas o que eu não concordo é com o Concurso Público Nacional de Anteprojetos de Arquitetura e Urbanismo de Requalificação do Largo do Mercado Público. Meu DEUS DO CÉU, pra que mexer nisso??? Tem um monte de coisa faltando na ilha, gente!!!!

    É Urgentíssimo:

    Precisa duplicar o acesso ao Aeroporto e ao Estádio (que ficam no mesmo lugar), vocês já viram aquilo no dia de jogo??? Po, então peraí meu!! Gente, vamos parar com essa besteirada! Olha o sul da ilha, que transito mais terrível! Falta duplicar MEU DEUS!!! É simples!! Não precisa de um projeto super moderno!!! Ora!

    A Rua Dep. Antônio Edu Vieira é um lixo!! GENTE!!! É toda esburacada há ANOS, e nada fazem!!! São os mesmos buracos HÁ ANOS!!! O Gente!! Acorda po!!! Essa rua, a Dep. Antônio Edu Vieira liga uma Beira-Mar à outra. Liga o Shopping Iguatemi (onde passa a Beira-Mar Norte) até o Armazém Vieira, onde passa a Beira-Mar Sul. É estratégico duplicar isso, po! Ela tem um super trânsito no horário de pico, e precisa ser duplicada, mas nada!! A Rua margea um bom pedaço da UFSC onde só tem mato, e pode ser usado pra duplicar TRANQUILAMENTE… porém, esse bando de politicos ficam desvirtuando o que realmente precisa ser feito.

    Não adianta revitalizar o centro, se o resto está um caos. E não é só obra que precisa ser feita: Olha só estes ônibus que temos aqui! Tiraram o ar-condicionado há alguns anos. Eu queria saber se alguém aqui que está lendo já andou de ônibus no verão quando ele pára no trânsito?? Então como é que vamos projetar a praça do mercado público se nem ônibus decente temos? Para ir às praias, alguém aqui sabe quantos ônibus temos que pegar?? E sabem quanto tempo leva??? Po meu!

    Transporte fluvial??? Ótimo!! Boa ideia.. mas cadê??? Poderia já estar funcionando po! MAs não! O prefeito e o dono da companhia de transporte público são parentes… ai como é que fica??? Eu respondo: fica assim mesmo. Ficam inventando onda, projetando praça que nunca vai sair do papel…

    Olha, eu to revoltado. E esta é minha opnião: DUPLICA LOGO ESTAS VIAS, e vamos analizar projetos pro centro quando a cidade estiver APTA a tais privilégios dos contempladores do centro histórico!

  3. Caro Guilherme Marcondes

    Não compreendi se sua critica? … está sendo deferida a solução do projeto concebido pelo segundo colocado ou ao programa e tema proposto pela comissão do concurso.

    Eu, como defensor do projeto, digo que estás equivocado com seus argumentos se deferido ao projeto.

    O projeto visa em ir além de projetar a praça do mercado, mas reconfigurar os traçados das vias nesta centralidade urbana. Alem de propor duas alternativa diferente de mobilidade urbana, VLT e o transporte maritimo, configurando um eixo de terminais.

    Em relação a vitalidade para os estabelecimentos comerciais não vai ser os veiculos que hoje trafegam ali que dão uso ao lugar, mas sim pelo fluxo gerado pelo terminais urbanos e dos carros que buscam estacionar ali. A proposta, coerentemente, resolve essa demanda com um estacionamento subterrâneo e na adição de mais trez terminais urbano, VLT, maritimo e com a transferência do terminal cidade de Florianópolis.

    Acho que passar por um sinal vermelho numa via não é problema, e como vc dissemas o intuito principal não é priorizar a passagem do pedestre mas promover o uso de permanecia e contemplação para um área de grande importância histórica da cidade.

  4. O projeto é super bem feito. A ideia é péssima!

    Esta alternativa de priorizar o pedestre já foi colocada em prática em 2011… e no mesmo ano, DESISTIRAM. O trânsito que já era lento ficou um caos.

    Faço uma pergunta: que ideia é essa de que a avenida é uma barreira física??? Peraí: já ouviu falar em “FAIXA DE SEGURANÇA DE PEDESTRES???” Barreira física seria um lago, uma montanha, um penhasco… Uma Marginal Tietê sim, isto seria uma barreira física. Mas nós não temos uma marginal Tietê por ali passando. Não adianta discutir esse assunto! Argumentar que motoristas não respeitam o sinal vermelho é demagogia. Pra que serve o guarda de trânsito, ou a lombada eletrônica, ou o radar??? Eu, particularmente, nunca vi carro cruzando sinal vermelho com aquela MULTIDÃO cruzando a faixa. Não existe essa desculpa.

    Eu trabalhei no centro, eu sei como foi péssimo para o comércio (MERCADO PÚBLICO, CAMELÓDROMOS, LOJAS) quando interditaram a rua. Rídiculo mesmo. Eu não sei quem é que ganhou com isso!

    É necessário um transporte público terrestre e fluvial adequado que interligue o centro às praias. Senão não adianta fazer reformas no centro.

    Termino com a segunte indignação:
    Poxa, será que esperar o sinal fechar pra cruzar a avenida é tão sofrido assim pro pedestre? 70 segundos dá pra cruzar 2 vezes ida e volta. Enfim, PENSEM NISSO ANTES DE PROJETAR AS COISAS.

Comentários

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