Concurso SESC Franca – 1º Lugar

1º Lugar

SIAA – Cesar Shundi Iwamizu
Apiacás Arquitetos – Anderson Freitas, Acacia Furuya e Pedro Barros

Equipe – Alexandre Gervásio, Anderson Freitas, Andrei Barbosa, Barbara Francelin, Bruno Salvador, Carlos Ferrata, Cesar Shundi Iwamizu, Daniel Constante, Daniela Andrade, Fábio Garrafoli, Fabio Teruia, Francisco Veloso, Henrique Costa, Maíra Barros, Marcelo Otsuka, Pedro Barros, Pedro Paredes, Rafael Carvalho e Rafael Goffinet.

Concurso do SESC Franca - 1º Lugar - Imagem 01

Concurso do SESC Franca - 1º Lugar - Imagem 02

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Memorial Conceitual

A justaposição de atividades culturais e esportivas presente no programa de necessidades das unidades SESC – bem como a qualidade de sua programação e infra-estrutura – suscitam a criação de um espaço estimulante e diverso, propício ao desenvolvimento de um olhar atento às questões primordiais da disciplina arquitetônica: Arquitetura como lugar de encontro – espaço capaz de abrigar o convívio humano e o desenvolvimento de suas atividades, previstas ou imprevistas.
O caráter eminentemente público deste programa também estimula a criação de um espaço que, apesar de privado, tenha acentuado caráter urbano em seu interior, e que também seja elemento indutor do desenvolvimento urbano de seu entorno: Arquitetura como elemento de construção da cidade e da paisagem.
A partir destas duas premissas, desenhamos um projeto arquitetônico para a unidade SESC do município de Franca que pode ser sintetizado por meio dos seguintes tópicos:

1. DA INSERÇÃO URBANA

Considerando a escala da quadra e as especificidades de seu entorno, decidimos caracterizar cada uma das quatro ruas com tratamentos e acessos a programas específicos, evitando a construção de ‘fundos’– espaços sem qualidade urbana – em cada uma das divisas que delimitam o lote:
– Acesso de veículos públicos junto à Av. Dr. Ismael Alonso y Alonso;
– Acessos de serviços e à administração implantados na Rua Dr. Nelson Presotto;
– Acesso público ao SESC junto à Rua Rio Grande do Sul – criação de praça pública escalonada a partir da esquina capaz de criar acessos independentes ao ginásio e ao foyer do Teatro, além do acesso público principal;
– Consolidação da Rua de Serviços junto à divisa do estádio – acesso controlado às arquibancadas externas e ao foyer do Teatro, como alternativas de acesso ao conjunto, mesmo com a unidade fechada.

2. DA VOLUMETRIA

A partir do plano de acessos de todo o conjunto, foi posicionado um volume linear ao longo Rua Dr Nelson Presotto – destinado às funções administrativas e de serviços – e outro de planta quadrada junto à Rua Rio Grande do Sul – desenhado para receber todos os programas públicos.
Estes dois volumes são construídos com acentuado caráter tectônico – alternando opacidade, transparência e translucidez – e contrastam com o caráter estereotômico dos patamares definidos por pesados muros de gabiões, ora construídos como arrimos, ora desenhados como fechamentos para os estacionamentos e áreas técnicas.
O conjunto é definido pela tensão entre o leve e o pesado, pela contraposição entre os volumes de concreto e aço que repousam sobre o embasamento de pedra.

3. A CONSTRUÇÃO DO VAZIO

Ao mesmo tempo em que a volumetria proposta desenha os limites do lote, solucionando as especificidades dos programas e seus acessos, os dois blocos principais definem um espaço interior descoberto destinado às atividades ao ar livre.
Piscinas, Quadras e áreas de lazer infantil foram posicionados em três patamares criados em respeito à topografia, à orientação solar, à vista da paisagem e da cidade que se descortina depois do vale e, sobretudo, ao caráter específico de cada uma das atividades previstas.
Na cota mais alta (112,60) situam-se o campo de futebol society e a quadra poliesportiva, no nível intermediário (108.40), uma grande área ajardinada – com bosque e parque infantil – e no pavimento abaixo (104.20), sobre o estacionamento, as piscinas descobertas e o solário.

4. RELAÇÃO INTERIOR X EXTERIOR

Cada um dos três patamares que abrigam as atividades ao ar livre são desenhados em continuidade aos pisos internos, promovendo uma relação de extensão entre os programas posicionados no interior do edifício e o exterior:
– continuidade entre piscinas cobertas e descobertas;
– conexão entre área infantil e área de lazer ao ar livre;
– ligação entre áreas de quadras e salas de ginásticas;
– continuidade da comedoria e convivência com o exterior.
Mais do que apenas a continuidade física entre o edifício e seu pátio interior, a transparência do edifício, mediada por telas metálicas de sombreamento ou por vidros protegidos por beirais, revela também a continuidade visual do edifício para o seu entorno, tanto para a área livre interna quanto para o espaço público de acesso ou para a cidade.

5. DENSIDADE X DIVERSIDADE

Ao invés de fragmentar o projeto em volumes funcionais autônomos, privilegiou-se a concentração dos programas públicos em um único volume, valorizando a diversidade e a densidade das atividades desenvolvidas no SESC. Tal ação favorece a criação de um espaço arquitetônico vibrante de acentuado caráter urbano, tanto pela grande número de atividades simultâneas presentes no edifício, quanto pelo convívio natural entre os usuários de diferentes faixas etárias ou aqueles interessados por atividades variadas.
Apesar de todos os programas estarem contidos em um único volume, cada espaço foi desenhado de modo a permitir sua utilização com autonomia, respeitando as necessidades funcionais de cada atividade e, quando possível, desfrutando da desejável relação visual entre setores distintos ou da utilização compartilhada de alguns espaços, a exemplo da caixa cênica do teatro que se volta ao ginásio de esportes para atividades específicas ou da área expositiva que se conecta à área de convivência posicionada junto à entrada.

6. DA ORGANIZAÇÃO PROGRAMÁTICA NO TERRENO

A partir do estudo da topografia do lote, o terreno em aclive foi organizado em diversos platôs, permitindo a acomodação dos diversos programas:
Cota 99.00 – Estacionamento com 141 vagas para automóveis, 32 vagas para motos e bicicletário. Acesso principal pela Avenida Dr. Ismael Alonso y Alonso. Acesso secundário de serviços para carga e descarga pela Rua Nelson Pressotto e áreas de manobra, docas e depósito para o auditório.
Cota 104.20 – Acesso principal de pedestres do conjunto edificado, abriga parte importante do núcleo cultural do edifício como atendimento, vivência, exposições e oficinas (em nível intermediário e pé-direito maior), bilioteca, informática e salas educativas. Contém também parte do núcleo esportivo e de serviços, piscinas cobertas e descobertas, vestiários, depósito do auditório e elevador cênico.
Cota 108.40 – Situam-se o ginásio poliesportivo coberto com os respectivos vestiários, parte do auditório, camarins e palco reversível, que pode ser tanto utilizado pelo teatro como pelo ginásio. Outros espaços completam o uso deste platô, a clínica odontológica e as áreas infantis, esta última diteramente relacionada a um terraço que se extende ao parque infantil e ao bosque.
Cota 112.60 – Foyer do auditório de dupla altura, com acesso independente pela Rua Rio Grande do Sul. Restaurante, salas de atividades físicas, ginástica, assim como banheiros, vestiários e sala de técnicos esportivos. Nesse mesmo nível, nas áreas externas estão localizados a quadra poliesportiva descoberta e o campo de futebol society.
Cota 116.0 – Consolidando a viela entre o terreno do SESC e o Estádio existente, propusemos um acesso independente ao teatro, de onde se pode acessar os balcões do auditório, bem como as cabines de som e imagem. Está previsto também acesso independente à arquibancada posicionada ao lado do Campo de futebol society e da quadra poliesportiva.

7. O ESPAÇO NEGATIVO

Ao mesmo tempo que os programas são organizados em caixas internas ao volume que define o edifício principal, todo o projeto foi pensado a partir do vazio construído. Neste espaço negativo se situam todos os programas que podem se somar à circulação, potencializando os espaços de passagem como espaços de convívio e encontro.
A ele se somam as circulações abertas – passarelas e escadas – que multiplicam as possibilidades de circulação pelo edifício, ao mesmo tempo em que articulam os diversos níveis e programas.

8. O DESENHO DO CHÃO

O chão cruza o edifício, criando uma passagem entre o espaço público de acesso e o pátio interno do conjunto. Esta passagem cria acesso a diferentes programas, como uma rua que acessa a diferentes edifícios. Este chão se acomoda ao terreno, criando patamares em diferentes cotas. Em cada cota, um programa. E o teto de um programa é o chão do patamar subsequente.

9. O DESENHO DO TETO

Ao fim, existe um teto que cobre tudo e que delimita o vazio.
É o limite está dentro e quem está fora.
É o abrigo que às intempéries, mas para reforçar o caráter público deve trazer atributos do espaço exterior. O grelha da cobertura permite modular a luz.

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Agradecemos aos autores pela disponibilização do material para publicação.

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