Concurso SESC Franca – 2º Lugar

2º Lugar

SPADONI & ASSOCIADOS

Autor: Francisco Spadoni

Equipe: Mayra Simone dos Santos, Tiago de Oliveira Andrade, Denny Yoneshige, Fernando Shigueo Fujivara, Jaime Vega Rocabado, Natália Turri Lorenzo e Sabrina Chibani.

Concurso do SESC Franca - 2º Lugar - Imagem 04 Concurso do SESC Franca - 2º Lugar - Imagem 06

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Memorial 

A PRAÇA E A RUA

Um edifício de vocação pública, como o SESC, deve saber conviver com a rua. Sua escala, embasamento, os pontos de contato, devem permitir que a arquitetura, como obra singular, possa se infiltrar na estrutura da cidade, qualificando-a, e qual um tecido, sedimentar-se como um seus espaços significativos. Longe do monumento, o grande equipamento publico torna-se um momento onde a cidade se reconhece e estabelece seu modo de utilização, pois se quisermos falar em arquitetura e cidade temos que começar por compreender seus espaços de transição. Assim a praça, a rua, esses espaços tão familiares, podem também fazer parte do programa do edifício, facilitando sua compreensão e conduzindo a fruição.

O projeto parte desse enfrentamento: conectar o edifício com a cidade, fazendo fluir seus usos como se pertencessem a ela. Diríamos que a tarefa já é facilitada pela própria configuração do programa SESC, que na somatória das atividades pode ser entendido como uma fração privilegiada das atividades públicas, concentradas num único lugar. De outro modo, para dizermos que a arquitetura é feita de cidade, pensamos um edifico feito de ruas e praças.

CONSTRUÇÃO DE UMA IDÉIA

Partimos das condicionantes convencionais: compreensão do sitio e programa, incensadas pela principal demanda, conectar os dois maiores espaços de uso: Teatro e  Ginásio, como se fossem um único edifício. Esse volume predominante, que drena parte considerável do volume total, implica que o grande programa tenha que ser construído ao seu redor, tendo como limites, as vias públicas e a difícil topografia. A decisão inicial foi o de localizá-lo no alinhamento da via principal, aproveitando a cota mais baixa do terreno e apresentando à cidade os dois grandes equipamentos. Ao lado, uma praça interna o articula junto com os demais espaços do programa.

A praça é a essência do projeto. Como uma espécie de adro leigo ela absorve a convivência, mas vai mais além. Em torno dela se articulam, em três níveis, os principais programas não especializados: Atendimento, Foyer, Cafeteria, Restaurante, Galeria, Biblioteca etc e a partir dela ruas especializadas, em dois níveis, levam ao setores esportivo e cultural

Como desenho, o projeto iniciou-se pelo corte transversal, confrontando o volume teatro-ginasio com a topografia. Construir ao redor deste quase edifício, implicou em elevarmos a cota dos demais espaços que completam o programa, para receberem iluminação direta, pois estariam pressionados entre o volume e o relevo topográfico ao fundo. Essa decisão nos indicou a solução para o único espaço que poderia estar localizado em área com pouca iluminação natural, na extensão do piso térreo, o estacionamento, que se encaixou entre o volume construído e o terreno, funcionando como uma espécie de rua de serviços que rasga transversalmente o edifício. Com isso, evitamos a construção de subsolo. No mais a praça e as ruas especializadas sobre essa garagem organizam o restante do programa.

IMPLANTAÇÃO

Idealmente traçamos uma linha marcando o terreno transversalmente e com ela definimos o limite entre espaços cobertos e espaço aberto. A área coberta ficou contida literalmente sob uma extensa cobertura verde, por vezes translucida, cuja função, além de abrigar o programa construído, seria se transformar numa extensão do jardim ao fundo, cuja cota é mais elevada que ela própria. O edifício ocupou a cota baixa da área, frontal à avenida, e o bosque e área de lazer aberta acomodaram-se acima, nos desníveis topográficos. A implantação possibilita acessos a todas as ruas, em níveis distintos, tanto para o edifício quanto para a área externa.

PROGRAMA / SETORES

PRAÇA – CONVIVÊNCIA

Em termos hierárquicos, assumimos a praça – convivência como a essência espacial do projeto, seja pela função estratégica como hall de acesso, estar e distribuição, seja pelo volume que mobiliza. Os três pavimentos que se voltam a ela abrigam as funções mais coletivas, nutrindo o ambiente de uma atmosfera lúdica e intensa, ao mesmo tempo em que preserva a particularidade dos espaços. A ideia é que se apresente como uma extensão da rua, ligando a calçada ao jardim ao fundo, sedimentando os pontos de convívio: estar, foyer, cafeteria etc. Na cobertura, um sistema zenital inunda o espaço com uma luz difusa e funciona como coletor de águas de chuva.

TEATRO – GINASIO

Teatro e Ginásio embora com vocações distintas, atenderam a uma solicitação do edital e foram tratados como cubagem única. Excetuando-se a conexão pelo palco são tratados formalmente de modo distintos e integram cada qual seu setor. O Teatro é a atividade mais citadina do programa, refletindo na sua localização para a rua e a praça interna e a facilidade de acesso. O Ginásio integra-se ao setor de esportes, como seu programa mais denso e procura manter uma autonomia formal para a cidade.

SETORES

A despeito da complexidade de usos, para a clareza do consumo do edifício organizamos o programa em setores que se identificam por afinidades: o espaço praça, em torno do qual gravitam em três níveis as atividades comuns não especializadas: atendimento; estar, foyer, cafeteria, gerencia, restaurante; e as ruas especializadas : a rua esporte, que concentra as atividades físicas e esportivas e a rua cultura, que destaca os programas culturais e de formação. Para a própria dinâmica dos espaços esse setores não são estanques e a integração de atividades se dá em rotações continuas entre eles.

ESTACIONAMENTO

O estacionamento ficou locado num falso sub solo, pois resultou da extensão do piso térreo até o terreno ao fundo em área ventilada mas sem iluminação natural. Uma espécie de caverna em nível, que cria condições para a existência dos setores especializados acima. Organiza-se como um rua de serviços com acesso em nível para duas ruas – carros e caminhões – e saída na extremidade. No mesmo espaço estão localizados o setor de manutenção, depósito e doca do teatro, e compartimentos técnicos.

COBERTURA VERDE

A cobertura funciona como um elemento autônomo no edifício, por se transformar num jardim de acesso público que complementa o jardim externo, ao qual se conecta por uma passarela. Seu uso justifica-se ainda por estar numa cota visível a partir desse jardim. Ocupa prioritariamente o pavilhão do setores e organiza-se por um grid pisoteável dentro dos quais se cultiva o jardim de espécies arbustivas. Considere-se que a solução amplifica o potencial ambiental, pois devolve ao lote, em forma de uso, parcialmente a superfície ocupada pela construção.

AS ÀREAS ABERTAS

As área abertas, destinadas a atividades ao ar livre ou simplesmente ocupadas por vegetação, funcionam como o equivalente volumétrico da área construída. Seu volume pode ser ocupado por elementos diversos, como piscina, quadras, jardim ou terra, mas a densidade espacial procura ser equivalente. O impacto das superfícies construídas sobre a topografia é maior que a do próprio edifício, o que se deve à necessidade de grandes superfícies planas em áreas pendentes. Buscamos organizar os espaço por poucas linhas – arrimos – que por vezes acompanhavam a curva topográfica e por outras a enfrentavam, minimizando a fragmentação da área. Na prática, ocupamos com os campos a única porção do lote que entendemos possibilitar tal dimensão e deixamos para a área ao fundo as funções que dão sequencia ao edifício, piscinas e praça.

RESPONSABILIDADE AMBIENTAL

Um projeto com essa complexidade deve se propor como parâmetro de durabilidade e baixo impacto de consumo. Esse binômio chave da ideia sustentável, induz a que o bem durável implique em diminuição na exploração dos materiais e no baixo consumo na conservação da energia. Embora pouco exista de conclusivo sobre os temas, sabe se que o mundo ao escavar 9 toneladas por pessoas ao ano de materiais para construções, fosseis e outros, espera que um edifício, que já impacta a matéria, possa ao menos conservá-la e garantir seu funcionamento de modo equilibrado.

A arquitetura que propomos busca responder a algumas destas preocupações, o que se verifica desde a escolha de materiais de grande durabilidade, tanto para o envelope estrutural como acabamentos, como na configuração das formas. As superfícies envolventes, mesclam volumes cegos em concreto aparente com brises de controle da luz solar, propiciando um constante ambiente protegido que se completa com sistemas de exaustão natural, através das estruturas zenitais propostas para os grandes espaços: ginásio, piscina e praça central. Além da grande cobertura verde, que deverá ser um dos termômetros do funcionamento do edifício. De modo complementar e apenas relacionado neste texto propomos um protocolo de ações que possibilite ao edifício atender aos critérios das certificações.

ACESSOS E FLUXOS

A praça é o acesso publico, abrindo o piso térreo para a rua. No primeiro andar um acesso secundário, ou saída em nível, abre o hall superior para a rua Rio grande do  Sul. Outros acessos de serviço e manutenção. se abrem nas três vias. Os fluxos internos concentram-se basicamente em torno da praça central e nas ruas dos setores.

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Agradecemos aos autores pela disponibilização do material para publicação.

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