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Veja a seguir o projeto vencedor do concurso para o Centro Cultural e Recreativo do Esporte – Clube Pinheiros, em São Paulo-SP. O projeto é de autoria da equipe de arquitetos formada pelos escritórios MMBB + ATM + Estúdio Módulo + Hugo Mesquita.

Trata-se de concurso por convite, promovido pelo Esporte Clube Pinheiros (São Paulo – SP) em 2017, organizado pelo editor da revista Monolito, o arquiteto Fernando Serapião (que também organizou o concurso para a sede do Instituto Moreira Salles, na Av. Paulista).

 


 

 


Memorial Descritivo

O projeto de revitalização do CCR – Centro Cultural e Recreativo do Esporte Clube Pinheiros resultou de um concurso fechado de estudos preliminares de arquitetura, promovido pelo clube em abril de 2017.

O concurso, que contou com a participação de cinco convidados – Andrade Morettin, Biselli Katchborian, SIAA, MMBB e Paulo Bruna –, pediu aos concorrentes que apresentassem suas ideias para:

– a revitalização do CCR, que deveria ter suas áreas renovadas e o auditório atual transformado num teatro completo, além de ser ampliado de 5.000 m² para 9.000 m² a fim de concentrar todas as instalações culturais do clube; e

– a construção de um novo edifício, o CBS – Centro de Beleza e Saúde, junto ao centro do tênis, com cerca de 5.000 m² de área prevista, que deveria abrigar grosso modo os vestiários e a administração desse setor do clube, as saunas, um centro médico e de fisioterapia, barbearia e salão de beleza, além de café e restaurante.

Os estudos do MMBB, juntamente com seus parceiros, foram os escolhidos para a revitalização do CCR e os do Biselli Katchborian para a construção do CSB.

CCCCR – Centro Cultural e Recreativo

O CCR teve seu projeto de revitalização orientado pelas seguintes diretrizes:

– abertura e transparência das suas fachadas; e
– presença das escadas principais no “vazio” proposto entre o edifício e o clube – na realidade, acomodadas entre os dois planos propostos para a nova fachada. O edifício atual, construído na década de 1970, foi projetado pelo Escritório Ícaro de Castro Mello, e conta com uma ala bastante organizada e adequada – o lado do boliche, bolão e auditório – e uma ala que, depois de décadas de adaptações, carece agora de maior organização – bocha, cozinhas e restaurante. Como principal estratégia, foi proposto concentrar a ampliação necessária na verticalização da segunda ala. Do edifício existente serão demolidas as fachadas, as escadas internas e externas e a cobertura. O restante será aproveitado, com a reformulação de toda subdivisão interna da ala da bocha, no térreo e no primeiro andar existente. Serão adicionados um novo nível na cota + 9 m a partir do térreo e um mezanino na cota 12,5 m.

Implantação
O CCR encontra-se localizado junto a uma das portarias do clube e alinhado com a Rua Tucumã. No alinhamento oposto, ele encontra um largo espaço vazio configurado por um dos campos de futebol, o que torna sua posição não apenas oportunamente acessível, mas especialmente privilegiada em termos de vistas para o restante do clube. Tendo em vista essa situação, o projeto proposto foi concebido para que o edifício, atualmente bastante fechado, passe a ser muito mais aberto, com sua principal circulação vertical desenvolvida ao longo da fachada voltada para o campo.

Acessos externos
Em função da proximidade com a Rua Tucumã, foi proposto eliminar os atuais acessos de serviço, localizados na alameda interna desenvolvida no eixo da portaria, com intenso movimento de sócios, e organizar esses serviços e os demais acessos requeridos ao longo dessa rua.

Para minimizar as interferências viárias, imaginou-se adequar e potencializar o drop off existente para que ele receba e acomode todo o movimento de veículos de
passageiros e cargas. Para melhorar a entrada dos sócios, foi proposta a qualificação da frente voltada para a Rua Tucumã, para que quem deseje ingressar no edifício possa fazê-lo diretamente por esse lado, de modo confortável. Essa frente renovada servirá também de apoio e espera coberta para a portaria, na forma de uma varanda. Para o acesso independente do eventual público externo do auditório/teatro, foi prevista uma nova entrada, no alinhamento do monta carga proposto e de uma das novas escadas principais, os quais, nos horários dos espetáculos, deverão ser usados para o transporte exclusivo desses usuários, de modo independente. Como o monta carga não funciona durante os espetáculos, ele deverá ser aproveitado também para o transporte de passageiros.

Auditório transformado em teatro
Conforme demandado, o auditório atual será transformado em teatro completo, para receber espetáculos do circuito teatral geral. Propôs-se, portanto, a ampliação do palco e a criação das necessárias áreas de apoio, como coxias, contra-regragem, camarins e a criação da caixa de cena para o “enforcamento” de cenários. Foi configurado um proscênio ampliado com boas proporções, para ser utilizado como o palco de um auditório para palestras e outras atividades sem cenografia, sem interferência com eventuais cenários montados para um espetáculo teatral que esteja simultaneamente em cartaz, nesse caso escondidos pela cortina de palco.

Volume circular da plateia
O volume curvo da plateia, um dos elementos construtivos de destaque da arquitetura original, deverá se manter como um dos principais elementos da revitalização do CCR, ao ter toda sua altura revelada pelo alteamento da cobertura e ter seu revestimento de madeira recuperado e ampliado, configurando uma clara presença da feição original do edifício, à qual as pessoas estão habituadas, estabelecendo assim um vínculo histórico e cultural.

Climatização passiva
Para integração com os privilegiados arredores constituídos pelos amplos jardins do clube, além da circulação vertical avarandada, foi proposto fachadas muito abertas e envidraçadas. Para protegê-las contra sol e chuva – climatização passiva – e regular a exposição dos interiores, adotou-se um segundo plano de fachada constituído por grandes quebra-sóis/chuvas que garantam a devida proteção, mas preservem, ao mesmo tempo, largas aberturas e boa visão do exterior. Com as fachadas protegidas, será possível ventilar naturalmente o edifício, inclusive em dias abafados de chuva, contando com a possiblidade da ventilação cruzada, já que os principais ambientes se desenvolvem de fachada a fachada.

 

 

 


Ficha Técnica

 

arquitetura
MMBB + ATM + Estúdio Módulo + Hugo Mesquita

Milton Braga, Marta Moreira, Gleuson Pinheiro, Maria João Fiqueiredo [MMBB],
Márcia Terazaki [ATM Arquitetura], Marcus Damon, Guilherme Bravin [Estúdio
Módulo], Hugo Mesquita

equipe
Alessandra Figueiredo, Alex Patarro, Amanda Tamburus, Ana Carolina Hidalgo,
Anna Luiza Gaspar, Daniel Korn, Júlia Marques, Martin Benavidez, Victor Oliveira

estruturas e fundações
Inner Engenharia

instalações prediais
PHE Projetos

luminotécnica
Lux Projetos

climatização
Fundament-AR

automação, segurança, supervisão predial e comunicações
SI2 Consultoria

conforto ambiental, acústica, eficiência energéticconforto energética
Joana Carla Gonçalves, Rodrigo Cavalcante, Marcelo Mello

cenotecnia
GS Lanfranchi Arquitetura Cênica

cozinhas
Nucleora Arquitetura

esquadrias
Eder Cordon Mehes Consultoria

paisagismo
Bonsai Paisagismo

orçamento
Nakamura & Galvão

consultoria de prevenção e combate a incêndio
Coronel Altino Gianesini

 

 


* Agradecemos aos autores e à instituição promotora pelas informações disponibilizadas para publicação.