Niemeyer defende a Praça da Soberania

Diante da polêmica gerada pela sua proposta para a Praça da Soberania, a ser implantada na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, o arquiteto Oscar Niemeyer, que completou 101 anos em dezembro passado, resolveu se manifestar em defesa do projeto. Veja abaixo trechos das declarações do arquiteto, publicadas em 22 de janeiro no Correio Braziliense e transcritas na mdc.revista de arquitetura e urbanismo:

“(…) todas as metrópoles mundiais vêm sofrendo mudanças que se justificam, impossíveis de conter

(…) pude sentir, com clareza, a necessidade de se criar uma praça com escala compatível com a capital de um país que se faz tão admirado como o nosso. E é meu direito e obrigação concebê-la e propô-la.

(…) E para justificar a minha intervenção, fico a lembrar minha atuação durante esses anos em Brasília, inclusive o dia em que deixei o conforto de meu escritório do Rio, atendendo JK e indo passar meses seguidos naquele então fim de mundo.

(…) E, pouco a pouco, fui constatando que eu, mais do que qualquer um, estava em condições de propor essa praça a meu ver importante para a capital do país.

(…) A campanha contra o meu projeto parece continuar. Pessoas até então desconhecidas se permitem ainda falar sobre o assunto. A construção da praça, daqui para a frente, não é problema meu; ao governador do Distrito Federal, lúcido e competente como é, caberá resolvê-la.”

soberania-perspectiva

Nos últimos dias foram diversas as declarações de arquitetos, professores e pesquisadores, em relação ao projeto .

Destacamos abaixo trechos de alguns dos principais comentários:

“O mundo desenhado por Niemeyer no Brasil moderno era o da superação, dos ineditismos plásticos estruturais e do arrojo, formas que iriam postular positivamente a identidade nacional em favor de um futuro próprio. O mundo no qual se insere a Praça da Soberania parece todo feito de sobras e avessos, não dialoga com a matéria do país, desobedece a suas urgências desafiando memórias, coletivas e particulares.” (Carlos Henrique Magalhães, em Pela soberania do vazio, publicado na mdc.revista de arquitetura e urbanismo)

“Talvez Brasília se ressinta da ausência de boas praças informais que o povo frequente rotineiramente, mas isso é outro assunto. Certamente, não precisa de mais um espaço de caráter cívico-monumental (repito, não é uma praça), com funções predominantemente expressivas (pois é para “provocar o espanto“). De espaços expressivos estamos bem servidos. E mediante lugares de excepcional qualidade.” (Frederico de Holanda, em A praça do espanto, publicado na mdc.revista de arquitetura e urbanismo)

“Coitada de Brasília. Para Oscar Niemeyer, ela está aí tão somente para manter ocupado o seu escritório sem risco de concorrência. Coitada de Brasília, cujo plano piloto foi escolhido transparentemente por concurso público, agora sujeita a decisões tomadas nos gabinetes de seus governantes. Coitada de Brasília, fadada a ser conhecida daqui por diante não mais como Patrimônio Cultural da Humanidade, porém como Capital Mundial dos Unicórnios…” (Sylvia Ficher, em Oscar Niemeyer e Brasília: criador versus criatura, publicado na mdc. revista de arquitetura e urbanismo)

[Esta notícia é uma parceria com a mdc.revista de arquitetura e urbanismo. Mais informações sobre o debate em torno da Praça da Soberania em mdc.arq.br]

9 respostas em “Niemeyer defende a Praça da Soberania

  1. Fora isso, o Congresso perderia sua imponência como ponto focal do eixo monumental. O povo brasileiro teve, ano passado (2016), a prova de como nossa democracia é frágil, e o Congresso com todo seu significado, representação da democracia e do poder do povo, tem que ser o edifício principal e sempre manter seu foco único na capital do país.

  2. Eu comungo da ideia de Oscar Niermeyer ninguem melhor do que ele pra falar de Brasilia, ele é parte de Brasilia, ele, JK e Lucio costa. Acho o projeto muito bom. Agora gostaria que fosse construido ou seja dado continuidade a avenida passando em frente a vila planalto com a construção de prédios sintuosos de um lado e de outro visando dar uma nova fisionomia naquela região depois da praça dos três poderes e por ultimo a praça da soberania. se não daqui a alguns anos a vila planalto vai estar emendada com a presidencia da república.

  3. Marcela Victor querida,

    Talvez você esteja familiarizada com uma coisa chamada espírito crítico, ou seja, com a idéia que pessoas razoáveis tem capacidades de entender a realidade e criticá-la.

    Este culto à personalidade que existe em torno de Niemeyer não é saudável nem para ele nem para a sociedade. Ele é velho vermelho mas não é Papai Noel.

    A idéia dele de construir um mausoléu presidencial para cultuar os presidentes entre a rodoviária, no gramado da Esplanada dos Três Poderes e na frente do prédio do Congresso só pode ser entendida se alguém não entender a importância e o simbolismo do prédio do Congresso.

    Os militares não entendiam muito de democracia e insistiram na construção do gigantesco mastro com pavilhão da República para mostrar que a pátria está acima de tudo.

    Este monumento de Niemeyer quer provar o que?

  4. Niemeyer… Gostar-me-ia de ter 1% do conhecimento e sabedoria deste “velho sábio”, pois afinal, quem tem a “doce ilusão” de que Brasília será melhor com mais ou menos árvores, ou será que nossos políticos irão trabalhar mais se tiverem ao seu alcance mais verde, pois o Brasil segue o “horário de Brasília”, mas o que o povo não consegue enxergar ou admitir é que mais uma vez uma escolha por uma mudança em nosso país, por mais que seja só uma praça, está nas mãos de quem, de nossos políticos, quem viu o vídeo de A vida é um sopro do nosso então Niemeyer sabe que ele próprio teve uma pequena decepção com o que se tornou Brasília, cadê aqueles homens bons que a ajudaram a existir e alguns até morreram, pelo simples motivo de construir um local onde seriam decididos grandes projetos para a mudança de um país, e vejam agora no que se tornou Brasília, e tem pessoas que mesmo sem entender nada de arquitetura, se acham no direito de criticar um mestre da arquitetura como Niemeyer, não que eu entenda muito, mas temos que começar a mudar desde nossos políticos, para depois vir a criticar uma obra que lhe pediram para construir. …
    Sem mais.
    Niemeyer é um gênio ainda vivo!

  5. Já que são inevitáveis as tresloucadas decisões (de gabinete) em se criar outro e outro “paquiderme” para deleite do transeunte brasiliense, que o criador seja o Oscar Niemayer. Muito pior se outro arquiteto meter seu bedelho – a sensação “frankensteiniana” seria muito maior.
    Brasília precisa de governantes que valorizem a cidadania, a qualidade de vida, enfim as necessidades básicas do povo já propostas pelo desenho de Lucio Costa, conforme a Carta de Atenas. O povo precisa “tomar de assalto” a cidade de Brasília, e usá-la como exercício democrático nem que seja na marra!

  6. A grande questão entorno da construção ou não da Praça da Soberania entre a Rodoviária do Plano Piloto e o Congresso Nacional, é a necessidade de termos que repensar o Plano Piloto. Escrevi nos meus comentários para este jornal, que em vez dessa praça, Brasília tem a necessidade de espaços mais humanos, de espaços em escala humana e não monumental pois, esta escala já está bem representada no seu devido eixo. Depois refletindo pensei também em quem frequenta a rodoviária e quem frequenta aquele verde quando tem show do zezé de camargo e luciano e do calypso e até passa o ano novo por não ter pra onde ir. Enfim, será que a população que frequenta ali não iria gostar? Eu frequento aquele local, principalmente para ir a Biblioteca Nacional de Brasília, que muitos criticam mas quando você entra lá acredita até que o Brasil está dando certo. Particulamente, imaginando como ficaria a Praça da Soberania ali, acho que ficaria bem estranho, sem harmonia com o seu entorno. O Museu Nacional também já é bem estranho. Agora também é importante interpretarmos o que o Niemeyer quer dizer com isso. Que simbolismo aquele obelisco representa. Pensem comigo. Um obelisco inclinado em direção ao Congresso Nacional competindo com este no sentido arquitetônico e paisagístico, não seria o Niemeyer querendo colocar o povo a altura do Congresso? Como que desafiando o Congresso a cumprir com com suas obrigações com o povo?. Na minha interpretação Niemyer quer colocar o povo a altura do Congresso pois até então o Congresso é a estrutura mais importante daquele conjunto arquitetônico e urbanístico – a esplanada. Essa praça, na minha leiga opinião pois, não sou arquiteto de formação mas gosto de ler sobre o assunto, simboliza o questionamento de Niemeyer ao Plano Piloto de Brasília. Será que não tenhamos que repensar o Plano Piloto? As leis que regem o seu tombamento? Será que não é hora de adptar o Plano de Piloto à metrópole? Sim porquê o Plano Piloto como o próprio nome diz, é um Plano de cunho Piloto ou seja, a partir dele, das diretrizes do Relatório do Lúcio Costa, a cidade se desenvolve mas não significa que tenhamos que seguir a risca esse Plano. Passado 50 anos desde a sua inauguração o Plano Piloto agora precisa ser revisado e se adequar à metrópole que Brasília se transformou. Pra mim a discussão dessa praça representa isso. É o Niemeyer desafiando aqueles que querem um Plano Piloto isolado no contexto metropolitano, isolado como um grande condomínio fechado de 200 mil habitantes, porém dentro de uma cidade com quase 3 milhões de pessoas.

    Sabemos que fica cada dia mais difícil transitar entre o Plano Piloto e as ditas “cidades-satélites” onde as horas de pico cada vez mais se extendem. É óbivio que isso vai piorar. A conexão do Plano com as “satélites” é limitada demais. Um grande cinturão “verde” circunra o Plano. Isso tudo em parte devido as leis de zoneamento que o tombamento propõe. Por quê não integrar mais a Brasília Tombada com a Brasília Metrópole? Adensando um pouco mais as vias que as interligam, criando espaços contínuos de integração entre essas duas Brasílias.

    Essa praça saindo ou não do papel representa o questionamento de Nimemeyer quanto ao Plano Piloto de Brasília hoje, e tenho certeza que é o questionamento também de muitos brasilienses e moradores dessa cidade que querem espaços mais humanos em escala humana para as pessoas de diferentes classes sociais interagirem.

    André Paiva Menezes

    Geógrafo e Mestrando em Gestão Ambiental e Territorial – UnB

  7. Já faz muitos anos que o Niemeyer perdeu a mão. Desde o prédio rolo de papel higiênico da Procuradoria Geral da República, passando pela bola museu e pelo prédio da biblioteca Nacional é uma infelicidade atrás da outra.

    Agora o celebrado arquiteto resolve atender um pedido do companheiro Lula para construir um mausoléu presidencial no gramado da Praça dos Três Poderes….Ninguém merece.

    Quanto a não entender tanto de arquitetura quanto Niemeyer os cidadãos de Brasília não precisam eles tem a legitimidade de cidadãos e moradores da cidade enquanto que para Niemeyer Brasília continua sendo uma maquete que ele visita de vez em quando enquanto mora no Rio de Janeiro.

    É uma vergonha, logo o Niemeyer que tanto criticou as construções que destruíram as perspectivas das igrejas e monumentos do Rio de Janeiro…

    Mas enfim ele é apenas um homem que quando construiu a catedral de Brasília foi quase um gênio e hj não é sequer um velho sábio.

  8. Sinceramente, Brasília já tem monumentos mais do que suficientes…! Já está bem difícil engolir não sei quantos metros de concreto entre a nova biblioteca e o museu nacional! Chega! Os únicos “monumentos” de que carece esta cidade são banquinhos para as pessoas sentarem sob as árvores, conversarem, e curtirem a sombra e a brisa, cada vez menos fresca, à medida em que árvores e mais árvores são retiradas para dar lugar à Capital dos Mil e Um Monumentos …

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