Atualizado em 17.06.2009

3° lugar – Concurso – CREA-PR – Sede Curitiba

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Equipe:

Arquiteto Titular: Arq. NONATO VELOSO – Brasilia / DF

Colaboradores: acadêmicos arquitetura FAU/UnB Diego Conrado Bertolucci Tomé e Igor Lopes Quirino – maquete física

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Resumo da Proposta

[ extraído da memória do projeto ]

A proposta pretende associar a busca por uma correta implantação à utilização de alguns recursos capazes de minimizar o impacto da construção no meio ambiente. Partimos do estudo do terreno, seu entorno imediato e das condicionantes climáticas de Curitiba.

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Procuramos marcar o acesso através de uma galeria de entrada, um marco visual no cenario urbano e uma extensão do espaço público como um alargamento da rua Mateus Leme. A partir deste grande abrigo estabelece-se a hierarquia de usos, com a distribuição de fluxos como o acesso aos lobbys de público e de funcionários, com a possibilidade ainda de alcançar o terraço de forma independente.

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A edificação é composta por uma base que abriga a Regional Curitiba no pavimento térreo e o Plenário no pavimento superior. O espaço de vivência e estar de funcionários foi locado no nível do terraço, com certa independência do funcionamento do restante do edifício.

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O bloco contendo os pavimentos tipo sobreposto à base foi disposto na orientação norte-sul, emoldurado por duas torres de circulação vertical, bloqueando as insolações leste e oeste. As torres contém paredes ventiladas que avançam sobre a galeria de acesso, sustentando o brise voltado para norte. Sobre o brise, no nível da cobertura, encontram-se placas fotovoltaicas para geração de energia e placas de aquecimento solar, estas funcionando também para o aquecimento dos pisos no período de inverno.

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A massa verde na edificação é definida pelo terraço jardim, por blokets vazados na entrada e estacionamento, além da última laje na cobertura. A Rua das Flores comparece como referência cultural no vestíbulo de acesso ao edifício com suas árvores e jardineiras, conferindo maior identidade ao átrio. Nas passarelas que unem as torres de circulação vertical aos pavimentos, estamos propondo jardineiras irrigadas por sistema hidropônico, podendo servir como elemento verificador da qualidade da água a ser tratada no proprio edificio.

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Estamos prevendo o tratamento das águas cinzas geradas no edifício e seu reuso, a geração de energia limpa, o controle das temperaturas no interior da edificação associado ao baixo consumo de energia, com a otimização do uso da luz natural.

Entre os materiais de última geração, deverão ser escolhidos aqueles de menor impacto ambiental e de maior durabilidade.

Optamos por elevar o pavimento térreo em 1,20 m diminuindo a profundidade do subsolo no terreno natural, facilitando ainda a visibilidade da região do Centro Cívico de Curitiba a partir do quarto pavimento, onde situa-se a Presidência.

A Acessibilidade Universal deverá ser garantida conforme NBR 9050, desde a rampa de acesso, de 1,20 m, passando pelos ambientes, dimensões, pisos táteis e sinalizações.

Por fim, optamos por uma proposta referenciada na arquitetura contemporânea, sóbria, com poucos elementos em sua composição, buscando a serenidade necessária e representativa do CREA-PR.

Técnica construtiva e Materiais

Estamos propondo a estrutura em concreto a partir de cimento de Baixo Impacto Ambiental – BIA , conforme pesquisa realizada pelo Laboratório VaLores, da Universidade de Santa Catarina, de autoria de Luz, Cheriaf, Ambroise e Pêra, 2005: fosfogesso reciclado e clínquer sulfo-aluminoso [ inversão de proporções ].

É idéia utilizar o barro da escavação no terreno para a fabricação de tijolos no canteiro de obras. Utilizar material cerâmico sempre que possível, notadamente placas de ecocerâmica anti-ácida, propduzidas com matérias primas minerais naturais e minerais reaproveitados, de pigmentação própria, sem adição de metais pesados, com queima a partir de gás natural. A cerâmica será recomendada para pisos e revestimentos de fachadas, de acordo com avaliação custo / benfício. Para forros indicamos os reciclados de plástico, papel cartão e demais resíduos industriais selecionados, com alto poder de isolamento térmico e acústico.

As resinas utilizadas serão prioritariamente a base de óleo de mamona, sem liberação de gases tóxicos; as tintas e colas isentas de COVs [ compostos orgânicos voláteis ]. A iluminação através de LEDs, livres de raio UV e calor, com economia de 50 a 80% de energia, sempre que possível, será indicada, assim como o uso de sensores de presença.

As válvulas de descarga terão fluxo duplo e as torneiras equipadas com sensores. Os resíduos sólidos deverão ter gerenciamento, transporte e destino em consonância com a Resolução CONAMA nº 307.

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Parecer da Comissão Julgadora

O anteprojeto de n°97, classificado em 3° lugar, apresenta caráter adequado ao tema. A praça coberta distribui os acessos. Implantação clara em relação ao urbano. Planta livre, circulação vertical nas extremidades libera os espaços. Solução criativa para carga e descarga de materiais do almoxarifado, que dispensa circulação interna de veículos de carga, permite pé-direito duplo com pouca escavação. Boa solução também para o terraço de vivência.

Principais problemas observados:

– Agência bancária sem iluminação natural;

– Estrutura que interfere no conceito de planta livre;

– Sanitários para cadeirantes sub-dimensionados;

– Rampas das garagens com dimensionamento inferior ao necessário para vencer pé-direito;

– Desenho do plenário dificulta funcionamento, desconsidera visibilidade e possui pé-direito inferior ao necessário.

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Fonte: CREA-PR