Memorial Descritivo

Nossa proposta para a nova unidade SESC em Guarulhos foi concebida, com o objetivo de implantar o projeto respeitando os patamares existentes do terreno, minimizando o movimento de terra, com a seguinte organização do programa:

As áreas externas da qual fazem parte o conjunto aquático descoberto com solário, as quadras poliesportivas externas e a cancha de areia, foram orientadas de maneira favorável em relação a insolação e posicionadas próximas ao parque municipal, dando assim continuidade paisagística as áreas livres. As edificações foram organizadas em dois blocos principais, ortogonais entre si articulados por Átrio Central linear, em estrutura metálica, que abriga o acesso, as principais áreas de convivência, as circulações e articula as áreas externas e internas do conjunto com o entorno urbano local.

O Bloco 1, paralelo a via de acesso, com três pavimentos, abriga no pavimento inferior, ao nível da via, o setor de apoio operacional, vestiário dos funcionários, estação de educação ambiental e central de atendimento, contigua ao hall de acesso. No pavimento térreo, ao nível do terreno natural existente, situam-se as salas de atividades físicas, uso programático, ginástica multifuncional, programação e setor esportivo com respectivos vestiários e sanitários. No pavimento superior, encontra-se a clínica odontológica com possibilidade de acesso exclusivo, sala de tecnologia e internet, salas para oficinas culturais e o núcleo gerencial. Anexo a este bloco, ao nível do pavimento térreo, localiza-se a piscina semi-olímpica coberta aquecida e o ginásio esportivo com cobertura metálica em arco parcialmente apoiada na cobertura do Bloco 1. Os fechamentos laterais serão em caixilhos plissados que possibilitam a transparência e integração visual do conjunto. Entre esses ambientes, estão os vestiários das piscinas, salas de exame médico, emergência e depósito do ginásio. Abaixo dos vestiários, no nível inferior, ficam os equipamentos da piscina (tratamento e aquecimento) e túneis técnicos próximos a área de manutenção. Na cobertura foram previstos domus para iluminação e ventilação dos vestiários e o complemento dos equipamentos de aquecimento da piscina.

O Bloco 2, ortogonal a via de acesso e ao Bloco 1, com dois pavimentos, abriga o teatro, que tira partido do perfil natural do terreno. O palco e coxias foram implantados na parte frontal próximo a via (em nível com a rua). A platéia tem na parte próxima ao palco, piso removível que permite a variação de níveis, e a reorganização dos acentos e do palco. Já no nível do pavimento térreo localizam-se os ambientes para tradução, sanitários e foyer, com possibilidade de acesso direto pelo estacionamento. Os camarins e quarteladas ficam no sub solo.

Articulados pela área de convivência encontram-se a cafeteria/espaço cultural, biblioteca, área infantil, cozinha experimental e o restaurante social de onde se pode visualizar todo o conjunto aquático externo. No pavimento superior, completando o programa do teatro, localiza-se a cabine de projeção e o centro de formação musical elementar, o que permite seu uso em conjunto para eventuais congressos.

Paralelamente ao Bloco 2, com acesso em nível pela Rua Guilherme Lino dos Santos, foi implantado o estacionamento descoberto com 145 vagas sem manobrista, podendo sua capacidade ser aumentada com o serviço de valet. O espaço destinado para carga e descarga do restaurante, foi posicionado ao final do estacionamento. Também será possível a carga e descarga pelo prolongamento da Avenida Santa Bárbara.

Próximo a entrada de veículos, localiza-se o reservatório superior de água com capacidade para consumo, reserva de incêndio, sprinklers e armazenamento independente de água para reuso.

Unindo os Blocos 1 e 2, o Átrio Central concebido na parte frontal com uma cobertura translúcida (cristal e grelha estrutural metálica) marca a entrada do conjunto. Já no nível do térreo, a cobertura se transforma em parabolóides hiperbólicos apoiados sobre pilares centrais definindo uma ampla área de convivência.

Construtivamente os dois blocos foram pensados em lajes nervuradas tipo cogumelo, moduladas em 0,80 x 0,80 cm. A cobertura será impermeabilizada com tratamento de cobertura verde. Para as redes de instalações, foram previstos shafts junto às circulações próximo aos sanitários que caminham horizontalmente sobre o forro.

A fachada leste do Bloco 1, terá insolação controlada por brises em chapas metálicas perfuradas moduladas e com dobradas em ângulos variáveis.

A solução paisagística complementar ao projeto arquitetônico criou um alargamento do espaço público com o recuo do edifício na fachada principal, obtendo-se uma praça que marca o caráter coletivo do prédio e converge o pedestre à sua entrada. Um gramado, em frente ao teatro marca a área onde podem ocorrer eventos abertos e públicos, com a possibilidade de abertura do palco para a praça. O ponto de ônibus se integra ao projeto, como forma de privilegiar os transportes coletivos.

O estacionamento descoberto, em piso intertravado, terá suas vagas sombreadas por árvores. Em frente ao estacionamento encontra-se o bicicletário. Em contraste à praça seca, de dimensão urbana, os espaços abertos internos têm menores dimensões e são arborizados, criando sensação de acolhimento.

O conjunto esportivo foi articulado entre duas praças. A primeira, no nível mais baixo, ao lado das piscinas forma uma área de convívio, estudo e relaxamento, ora sombreada por uma grande árvore, ora exposta ao sol com gramado. A segunda, no ponto mais elevado, ao lado da cancha de areia e quadras descobertas, conforma um mirante da onde é possível apreender o conjunto. Entre as praças uma alameda sombreada dá acesso aos equipamentos do conjunto. Uma pista de corrida de piso emborrachado igual ao previsto para as quadras encerra um percurso de aproximados 230 metros e percorre o platô do nível mais alto, em volta da quadra principal e da cancha de areia.

Os pisos e canteiros foram projetados de modo a permitir a drenagem do terreno, com a maior absorção possível. Os pisos serão de material drenante e os canteiros mais baixos que o nível do piso. O sistema de drenagem estará inserido na terra, assim a água só chegará à canalização de águas pluviais após ter passado pelas partículas filtrantes da terra e da vegetação. Esse tipo de canteiro tem o nome de “jardim de chuva”.

Os desníveis serão tratados por jardins verticais. Palmeiras na divisa do SESC com o Parque Vicente Leporace marcará um limite sem se constituir, no entanto, em separação visual.

A cobertura verde proposta, aumenta o conforto térmico e acústico no interior da edificação e permite ainda que a água pluvial coletada já chegue filtrada na caixa de reuso, depois de ter passado por materiais de diferentes granulações e pelas raízes das plantas, em um processo que se assemelha à filtragem natural de um terreno.

A cobertura verde do tipo extensiva constitui-se de uma camada de terra de 10 centímetros sobre uma geomanta drenante, uma camada de maior granulação, como a argila expandida, sobre a base impermeável devidamente tratada e protegida. Sobre esse substrato são plantadas gramíneas de crescimento lento. Aliada a essa solução, foram previstas placas coletoras de energia solar posicionadas nas coberturas dos Blocos 1 e 2, pensando na redução do uso de energia elétrica.

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Ficha Técnica

Arq. Accacio Gomes de Mello Junior

Arq. Helen Garcia Fernandes

Arq. Leo Tomchinsky

Arq. Marcia Aparecida Arnoni Terzi

Arq. Weliton Ricoy Torres

Arq. Paisagista: Anna Carolina Amorim de Mello

Luiz De Lamonica Imenes

Perspectivas: Valandro Keating

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