Concurso Teatro Castro Alves – Salvador – 1° lugar

Concurso – Teatro Castro Alves – Salvador

1° lugar

o difusor da VIDA CULTURAL

Um teatro pertence àquelas iniciativas que desempenham um papel essencial na vida cultural de um povo. De caráter público, por definição, os locais de espetáculo têm, de fato, uma função primordial na estruturação das cidades e dos territórios que irrigam culturalmente.

O NTCA será o lugar da exposição da história das artes da Bahia e da sua produção cultural. Assim, fluxos de pessoas serão captados por galerias que funcionarão como um espaço didático ao refletir todo o trabalho de produção e desenvolvimento realizado no edifício. Ao explicitar seu vínculo com a arte, o NTCA replicará suas ações para outras localidades, tornando-se um centro de difusão cultural promotor de inúmeras atividades: um campo de sinergia aberto para as mais diferentes expressões artísticas, dotado de espaços de espetáculos e de produção, bem equipados e multifuncionais.


o PARTIDO e estratégia do projeto

O projeto atende à recomendação de conceituar a proposta de intervenção em três níveis: REQUALIFICAÇÃO, REDISTRIBUIÇÃO e AMPLIAÇÃO. Além disso, a implantação das reformas deverá seguir um cronograma de etapas que permita o funcionamento do NTCA ininterrupto, garanta a sua exeqüibilidade, e proporcione um caminho de parceria, onde o programa colocado pelo edital se complete pela arquitetura. Duas estratégias são fundadoras do partido: a preservação da integralidade volumétrica do edifício pré-existente e a construção de uma nova topografia envoltória – em extensão do território da cidade – com a ordenação de seus fluxos a partir dos acessos e a comunicabilidade de suas funções. Surge uma placa que intercepta o volume do teatro e amplia, em um jardim suspenso, a cota pública urbana. Ocupam-se os espaços negativos fortalecendo a idéia de uma cobertura geradora de sombra. Fica estabelecida assim a permeabilidade física e funcional entre a construção existente e a nova que se tornam um único organismo com circuitos diferenciados: o técnico – que articula os espaços funcionais atuais com os propostos – e o público – que garante aos visitantes a fruição pelas galerias expositivas.

a estratégia de preservação do PATRIMÔNIO MODERNO

A estratégia adotada foi a de sublinhar e reafirmar a natureza e a força volumétrica do edifício atual, preservando e respeitando os valores culturais, históricos e estéticos do conjunto existente e as premissas básicas do projeto original de José Bina Fonyat Filho, na manutenção da sua integridade e do seu desenho, que resolve engenhosamente em um único volume o programa. Assim, não pareceu ser oportuno criar um novo volume, mas sim uma nova topografia que absorvesse toda a ampliação sem ferir o partido original. Adotando-se a cota do piso do Foyer como base para este novo relevo, manteve-se apenas este como um pavilhão destacado, conforme o projeto inicial previa.

A criação de dois circuitos independentes, funcional e público, faz a integração entre a nova ampliação e o edifício existente, estabelecendo um diálogo coerente e equilibrado que potencialize e aperfeiçoe a utilização do espaço físico do complexo.

a acomodação do PROGRAMA

O foyer, como grande espaço de chegada e convivência, é o lugar do encontro, no prolongamento do Campo Grande, da rua e da cidade. Sua integridade física é preservada, pela compreensão da clara escala humana que estabelece com a praça, acentuada pelo volume do edifício principal que se reduz a uma única aresta ao se aproximar deste espaço público. É pelo foyer que se inicia o espetáculo, aonde o público é cativado pela ambiência de confraternização artística. A organização dos fluxos pretende o resgate do seu protagonismo e o restabelecimento da sua importância como o espaço da permeabilidade, das trocas e da visão do belo. Ali, exposições, eventos, performances darão vida a este espaço, justa homenagem à arquiteta Lina Bo Bardi, sensível leitora e incentivadora dessa riqueza social e artística que é o Brasil e a Bahia. A ela, um pequeno ‘museu’ é dedicado no espaço da bilheteria original. Para recuperar a transparência original do foyer, propõe-se levar o painel de Caribe para a área do memorial, onde será visível por todo o público visitante do conplexo. Uma nova esplanada estende o foyer e faz sua integração com o vão livre, valorizado e transformado em espaço articulador e integrador dos diversos níveis, onde uma escada/arquibancada amplia seu volume e favorece o acontecimento ali de sessões artísticas. A continuação ‘natural’ do foyer é seu terraço, que melhor permite desfrutar da relação da cidade com o NTCA e que teve sua infra-estrutura revisada, para suportar as diversas atividades ali possíveis.

No café teatro procurou-se recuperar o desenho original – que tão bem o integrava ao foyer – incorporando-se, no entanto, as necessidades contemporâneas.

Na sala principal, os camarins e áreas de apoio ao palco foram redistribuídos, buscando-se uma organização mais clara. A área do palco prevê uma requalificação solicitada, para atender mais livremente às mudanças cênicas. A platéia será re-organizada, tanto em disposição das poltronas, quanto em acabamentos, conforme as técnicas e materiais mais modernos de tratamento acústico.

Teatro de múltiplo uso de médio porte, a sala do Coro é o teatro para a palavra, que deve ser mais íntimo, criando uma relação de proximidade e interatividade entre a área de encenação e o público, possibilitando ver o olho do artista, sentir a sua respiração. Sua localização proporcionava-lhe uma relação de fundos, desprestigiada em relação ao conjunto. A nova organização dos circuitos do NTCA, aliada à criação de um foyer específico, sobre o novo estacionamento e que permite o embarque e desembarque diretos, lhe garante maior visibilidade externa, condizente com sua importância enquanto espaço cênico para o teatro baiano emergente.

Para os dois corpos estáveis, OSBA e BTCA, é proposta a reorganização completa de seus espaços, com estruturas físicas mais compatíveis com o desenvolvimento de uma produção artística de excelência. Para uma melhor acomodação, mais adequada e confortável, e para a ampliação das suas instalações, o NEOJIBA foi deslocado para o pavimento -1, em uma disposição e lugar apropriados, próximo ao palco e aos camarins coletivos, o que incentivará seu projeto de inclusão social através da música orquestral.

A proposta para o Centro de Referência em Engenharia do Espetáculo Teatral, CREET, tem base na fluidez espacial, permeabilidade visual e perfeito funcionamento das atividades pertinentes à cenografia. Considerando a cenografia como processo, optou-se por ateliers sucessivos de atividades afins. Um percurso permeável para os profissionais que ali atuam, e também para o espectador/fruidor, que terá uma perspectiva do que se pode chamar ‘o avesso’ de um espetáculo. Propõe-se abrir visualmente os almoxarifados, numa grande estante transparente. Através deste espaço de guardar, armazenar, se vê em segundo plano o trabalho nos ateliers. O caráter expositivo está presente tanto nos Ateliers como no Centro de Pesquisa. Deixa-se à vista o que pode contribuir para o entendimento do processo do fazer teatral: guarda-roupa, atelier de figurino, ateliers de marcenaria, serralheria e adereços. Ao final desse caminho o Teatro Experimental se abre francamente para uma pequena praça interna. Essa praça, esse vazio, vem da importância em se tomar distância para ter a compreensão do todo – o todo visual do espetáculo em processo de criação. Ao percorrer o espaço físico, servidores, visitantes e freqüentadores tomam contato tanto com a história do edifício, quanto com o que ele produz em suas dependências, um circuito de laboratório vivo, com a conectividade através das atividades que comunicam experiências, o espaço didático e expositivo, o passeio.

O Teatro Experimental, ou espaço de uso múltiplo apresenta os contornos de um teatro flexível, apto a atender a uma demanda de uma série de outras possibilidades ligadas ao teatro, onde é possível organizar o espaço de acordo com a necessidade. Traz referências ao caráter efêmero do espetáculo, com abertura ao espaço social e à arte, com a organização de oficinas e ações pedagógicas como testemunha da osmose entre o público, os artistas e a comunidade. Essa aproximação pretende incentivar colaborações entre artistas de todas as áreas, graças a uma arquitetura capaz de gerar uma porosidade entre as disciplinas. Na intenção de ocupar todos os interstícios disponíveis no edifício, considerando-os todos como suportes cenográficos para a criação, sua transparência visa expor o movimento ao olhar dos transeuntes e oferecer condições de trabalho com luz natural para os artistas. Suprime-se a idéia do palco e da sala, para trocá-los por um lugar único, sem nenhum tipo de divisórias nem barreiras, que se tornará o próprio palco da ação e uma gama infinita de ocupações. Uma comunicação direta pode se estabelecer entre o espectador e o teatro, entre o ator e o espectador, pelo fato de que o espectador colocado no meio da ação é envolvido e atravessado por ela.

As intervenções e propostas para o CREET pretendem dotá-lo de instalações capazes de posicioná-lo, de fato, como uma referência no cenário nacional e internacional das artes cênicas, e, mais que receptor, transformar-se em um promotor das mais diferentes expressões artísticas. De um lado, estará a informação, a circulação das idéias, e de outro, a prestação de serviços. A junção dessas atividades, em um espaço único no país, garantirá a originalidade pretendida, onde o conjunto dos saberes técnicos, informações e práticas serão capazes de estruturar e integrar os elementos do espetáculo, o que reforçará seu papel como ponto de identidade e conexão entre Salvador, Bahia, Brasil e o mundo.

O espaço da nova concha acústica foi entendido como o território das grandes oportunidades espaciais, retomando seu papel de destaque como campo cultural alternativo de Salvador. Uma passarela liga o NTCA, a partir da cota de acesso para o Coro, à sua cota semelhante no outro lado do vale, conectando suas bordas e possibilitando um novo acesso ao conjunto, numa articulação urbana mais completa. Nesta passarela a cobertura do palco é pendurada e estruturas leves sustentam a cobertura móvel da platéia, que na outra extremidade se apóia sobre os camarins redesenhados. É para este vale, com perspectiva para a cidade, que se abrem as novas instalações do CREET, obediente ao partido de visualização máxima de suas atividades. O fundo do vale recebe um tratamento que organiza suas funções e fluxos, desde palco e pátio de atividades até as docas de carga e descarga. Esta ocupação permitiu que, na encosta oposta ao edifício do NTCA, a massa de vegetação fosse integralmente preservada.

Junto à extensão da fachada posterior do teatro, e aproveitando-se da topografia, foi instalado o estacionamento. A proposta atende ao requisitado pelo programa, mas uma solução extremamente factível possibilitará o dobro de vagas requeridas, facilitando sua exploração comercial. Os bicicletários foram posicionados estrategicamente para receber os fluxos possíveis destes veículos, entendendo sua existência como a possibilidade de se incentivar a alteração da modalidade de transporte por parte da população.

o meio AMBIENTE

Buscaram-se soluções simples e consagradas para não agredir ao meio ambiente, com facilidade de execução e aproveitamento dos recursos naturais. A área da extensão está protegida por uma cobertura jardim. Amplas aberturas onde foram possíveis, sempre protegidas, foram adotadas para favorecer a ventilação. Soluções mais tecnológicas, para obtenção de recursos e energia suplementar, foram também pensadas. A nova cobertura do edifício existente poderá receber placas fotovoltaicas para geração de energia; dois grandes tanques d’água receberão as águas pluviais das coberturas e as armazenarão para tratamento e re-uso. O complexo se credencia a incorporar o que de mais atual existe em termos de eco-eficiência, com a dupla função de preservar o meio ambiente e de educar seus visitantes sobre a relevância do tema.

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Ficha Técnica

Estudio America

AUTORES

Carlos Eduardo Garcia

Guilherme Motta

Lucas Fehr (ARQUITETO INSCRITO)

Marcus Vinicius Damon

Mario Figueroa

COLABORADORES

Arq. Luciana Brasil

Arq. Naiara Hirota

Arq. Vicente Deeke Boguszewiski

Amanda Renz

Mário do Val

Juliana Baldocchi

Kalina Juzwiak

Luisa Monserrat

Renata Santoniero

Tiago Collet

CONSULTORES

Cálculo Estrutural_Eng. Ricardo Henrique Dias

Acústica_Arq. José Ovídio Peres Ramos

Cenografia_Arq. Laura Cardieri

Orçamento_Eng. Nelson Faria

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Agradecemos ao IAB-BA e aos autores do projeto pela disponibilização das informações.

3 respostas em “Concurso Teatro Castro Alves – Salvador – 1° lugar

  1. O TCA não pode esquecer que a vizinhança também é sua parceira. Não pode perder a harmonia arquitetônica que a vizinhança oferece.
    Deve lembrar que a pertubação sonora causada pelos shows é compensada pela a liberdade de poder apreciar as apresentações na Concha Acústica.
    Salve! Salve!

Comentários

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