Museu do Meio Ambiente – Menção

Concurso Nacional – Museu do Meio Ambiente – RJ

Menção Honrosa

Autores: Ana Paula Pontes, Anderson Freitas, Catherine Otondo, Cesar Shundi Iwamizu, Jorge Pessoa, Marina Grinover, Francesco Perrotta Bosch, Regis Sugaya

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“A totalidade da vida, conhecida pelos cientistas como biosfera, é uma membrana de organismos que envolve o planeta Terra. Ela é tão fina que não pode ser vista do espaço sideral, porém tão complexa que a maioria das espécies que a compõe ainda não foram descobertas. É uma membrana contínua, sem costuras. Do Pico do Everest até o piso da Fenda Mariana; inúmeras criaturas ocupam, de fato, cada polegada de sua superfície planetária, obedecendo o princípio fundamental da biologia geográfica: onde quer que haja água, moléculas orgânicas e fonte de energia, existe vida”.

Eduard O. Wilson. “The future of Life”. 2002

Se existe um campo do conhecimento que possui uma pauta global é aquele das pesquisas socioambientais. Em face aos desequilíbrios naturais, causados por uma ocupação desordenada do Planeta e uma distribuição de recursos econômicos desigual, temos hoje nos institutos de pesquisa e nos museus importante fonte de divulgação e educação acerca do tema, que aproximam esta temática ao cotidiano do cidadão comum.

Nossa proposta compreende a dimensão da iniciativa tomada por parte da JBRJ e tem com premissa a concepção de um espaço que amplia a valoração do Museu do Meio Ambiente dentro do Jardim Botânico através da configuração de um “novo lugar” ao seu redor. Propomos a criação de um recinto cujo piso está a 1.35 metros abaixo do nível original do jardim, chamamos este lugar de Pátio do Museu. Neste recinto, está a entrada do museu, a loja, a bilheteria, o guarda volumes, um jardim e o café que permanece no seu lugar original, mas cujo piso interno pode – pelo rebaixamento proposto – se estender por todo o pátio.

A volumetria do edifício novo prioriza as visuais do passeio entre a Praça do “lago das tartarugas”, o Arboreto, e o museu existente. A partir deste eixo criamos volumes de concreto autônomos, separados por fendas de luz. Tais volumes onde estão as áreas expositivas são conectados por passarelas e escadas metálicas – abertas – cuja seqüência cria um percurso contínuo capaz de vincular os programas do edifício novo com o existente. A seqüência expositiva proposta obriga o expectador a sair de um compartimento antes de entrar em outro, criando uma situação de pausa entre duas salas. Um momento de reflexão ativada pelo contraste sensorial entre os ambientes interno e externo que move outros sentidos da percepção: tátil, olfativo e auditivo.

No centro deste caminho – no primeiro pavimento – colocamos a sala de mídia, em um recinto de vidro, que se liga por meio de uma passarela coberta às salas dos pesquisadores no edifício existente. Esta localização nos pareceu estratégica no sentido de valorizar a interlocução da produção científica e a produção de conteúdos e imagens que alimentam as exposições, de forma dinâmica e ágil.

No segundo pavimento, fizemos um terraço aberto, generoso, que possui um avanço para fora da projeção do edifício em direção à copa das árvores. Este lugar cria um momento de descanso e contemplação deste percurso. O terraço se estende em direção ao edifício existente por meio de uma passarela descoberta, onde estão as salas de exposições temporárias, concluindo o percurso. Depois deste momento o expectador desce as escadarias e chega ao saguão central do edifício histórico onde sugerimos a exposição de uma maquete geral do Jardim Botânico, e a implementação de uma midiateca.

Desta forma, o Museu novo se integra ao existente de maneira espontânea pela fluidez do sistema de circulação proposto, unindo programas e usos de cada edifício de forma complementar.

A disposição do novo edifício deve respeitar os sistemas construtivos menos agressivos ao meio ambiente, não só por se tratar de um sítio protegido como o Jardim Botânico, mas também porque acreditamos que a arquitetura pode informar através de sua constituição temas ambientais. Por isso propomos que os volumes de concreto possuam uma pele dupla cuja face externa seja de concreto e a interna um elemento mais adequado a receber os equipamentos expositivos. Entre estas duas camadas há um colchão de ar cuja circulação auxilia a diminuição da temperatura interna, minimizando o uso de ar condicionado.

Entendemos que hoje os sistemas de ar condicionado são fonte de grande uso de energia e custo. Estamos, portanto, resumindo o condicionamento de ar somente às áreas de exposição e deixando todas as circulações sem climatização. Para os sistemas de hidráulica, colocamos o mínimo de equipamentos no edifício novo (dois sanitários e uma copa) e propormos reformar as instalações do edifício existente adequando-as a um sistema de consumo controlado e ao reuso de água. O mesmo acontecerá com os sistemas de elétrica. que devem trabalhar de forma conjunta e eficaz nas duas construções.

Entre o Museu e o auditório criamos um eixo visual que parte de uma das pontas do volume triangular e indica o caminho ao auditório e à administração. Sobre este caminho, indicamos que seja utilizado piso composto por placas de material reciclado drenante, assentadas sobre areia. Ao longo deste e nos percursos novos vamos adensar a vegetação de acordo com as espécies adequadas ao local e que agreguem valor ao parque existente, como, por exemplo, a adição de um alinhamento de palmeiras em frente ao museu, ao longo da Rua Jardim Botânico.

O edifício do auditório e da administração terá o seu piso térreo completamente livre, de forma a estender o piso da praça do “lago das tartarugas” até a residência Pacheco Leão, sem obstruir visualmente esta continuidade. Para tanto, colocamos o auditório numa cota inferior, que se abre para o exterior por meio de uma rampa ajardinada e chega até a cota do caminho na forma de uma arquibancada. No piso superior estão as salas de administração, conectadas ao outros níveis por uma circulação vertical aberta e transparente.

Cabe ainda observar que caso seja de interesse da instituição vimos ser possível a partir de um remanejamento de usos e readequação espacial do edifício histórico do Museu, a possibilidade de acomodar o auditório e a administração nesta edificação; com isso estaríamos otimizando a utilização do auditório e aproximando as funções administrativas ao cotidiano do Museu.

Finalmente nosso projeto contém um conjunto de ações que tem como premissa a criação de uma nova possibilidade de se estar no jardim Botânico, ao projetar terraços altos que nos elevam à copa das árvores, passeios que nos mostrem novas visuais, e assim, de forma combinatória ao conteúdo das exposições, produzir uma experiência completa, com uma acepção informativa, educativa e sensorial.

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Ficha Técnica

Autores: Ana Paula Pontes, Anderson Freitas, Catherine Otondo, Cesar Shundi Iwamizu, Jorge Pessoa, Marina Grinover, Francesco Perrotta Bosch, Regis Sugaya

Colaboradores: Julie Trickett, Julio Cecchini, Luis Rodrigues

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Agradecemos aos autores pela disponibilização do projeto para publicação.

3 respostas em “Museu do Meio Ambiente – Menção

  1. Valentino, Arquitetura é funcionalidade e plástica. Como ignorar o programa funcional atribuído de maneira oficial e clara pelo Edital?
    Assim como os Editais que norteiam um projeto através de condicionantes, na nossa profissão também irão existir os condicionantes legais (Plano Diretor), programas de necessidades e condicionantes informais do Cliente.
    Cabe o Arquiteto ter habilidade e destreza de conciliar estes fatores com a plástica.
    Em suma, todo o projeto segue normas burocráticas nas mais diversificadas situações.

  2. Caso a resolução do banheiro e do deposito de cadeiras fosse a grande questão de um concurso, o resultado seria burocratico e pouco inspirado. Não seria arquitetura. Felipe Botelho, sugiro que você fique atento as questões fundamentais da nossa profissão. E valorize os bons projetos premiados neste concurso (provavelmente, o seu não se inclui neste grupo).
    Questionar é importante, mas a partir de argumentos relevantes.

  3. Gostei muito da imagem do projeto,
    mas vale destacar
    O auditório não funciona, e falçtam ítens fundamentais requeridos no programa.
    Banheiros subdimensionados, sem o depósito para cadeiras, sem copa de apoio…

    sem encaixar o programa não tem graça.
    (ainda to sem entender pra que se os organizadores dão o trabalho de redigir o programa)

Comentários

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