Complexo Trabalhista do TRT – Goiânia

Como parte da seção Obras Construídas, publicamos o projeto do Complexo Trabalhista do TRT da 18ª Região, em Goiânia, de autoria do escritório Corsi Hirano Arquitetos. O projeto resultou de concurso nacional realizado em 2007. A obra foi concluída e inaugurada  em 2012.

Complexo Trabalhista do TRT da 18ª Região - Imagem 03

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Clique na galeria a seguir para a visualização ampliada das imagens.

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Memorial Descritivo (texto fornecido pelos autores)

Uma oportunidade de inaugurar um lugar, sem fronteiras ou limites definidos, aberto ao indivíduo comum e à sociedade, onde somente com a presença destes tornar-se-á plena de sentido: uma instituição, cívica em sua excelência. Assim, revela-se incontestável e essencial a criação de um espaço democrático: uma nova praça pública e um expressivo marco urbano.

A obra do Fórum do Complexo Trabalhista do TRT-18ª Região concretiza o projeto do concurso nacional de arquitetura vencido em 2007. Este determinava sua execução na porção norte do terreno, contendo a maior parte da área do conjunto e suas atividades mais públicas. Aliadas a isso, a carência de espaços públicos no contexto local, o fato da quadra estar inserida numa região predominantemente residencial e o caráter simbólico e institucional do complexo, levaram a uma implantação idealizada em blocos integrados por uma praça ordenadora do conjunto, qualificando o espaço urbano local e criando um conjunto arquitetônico representativo de seus valores para o cidadão goiano.

No Térreo (acesso pela Rua T-51), estão atividades independentes do programa Fórum: bancos, atendimento e serviços. No primeiro pavimento encontramos um espaço cultural com auditório, biblioteca, exposições e café. No segundo pavimento (acesso principal  a partir da Praça) e no seu mezanino, estão usos de caráter público: associações, organizações e atendimento ao cidadão. Nos cinco pavimentos seguintes se concentram as 20 varas, tendo cada uma suas áreas de espera, circulações públicas e restritas. Na cobertura estão localizadas as áreas de cursos e um restaurante, envolvidos por um terraço público de grandes proporções que, além de poder abrigar inúmeras atividades, permite um visual significativo para a paisagem da cidade.

A construção se fundamenta pelo conforto ambiental e a qualidade de seus espaços de trabalho, solucionando de modo singular as questões de iluminação e ventilação. O edifício é constituído por uma superfície exterior e outra interior. A exterior se constitui por vidros duplos laminados, de dimensões industriais, que tem como principal função a proteção contra insolação excessiva e intempéries. Isto é potencializado por sua coloração cinza e pela serigrafia desenhada especialmente para o projeto em função de cálculos de transparência e opacidade ideais. Os grandes painéis de vidro, afastados 5cm em todo seu perímetro, são sustentados por garras metálicas e presilhas de aço escovado que os sustentam em quatro pontos.Grelhas metálicas fixadas às garras fazem parte do conjunto para sua manutenção. A interior é constituída por caixilhos de alumínio e vidros transparentes, alternando entre painéis fixos e móveis para a melhor adaptação às demandas dos usuários. A versátil utilização do recurso da fachada dupla de vidro faz com que o edifício evidencie sua força e sobriedade formal criando uma eficiente proteção contra radiação solar e também colaborando para a eficiência energética da arquitetura, minimizando de modo significativo o uso do ar condicionado. No hall principal a ventilação é natural, realizada por meio de um sistema de vidros intercalados que, protegidos pela fachada externa, podem se manter constantemente abertos. Todos os materiais empregados visaram um grau máximo de qualidade condizente com o alto caráter institucional do edifício e respeitando os limites orçamentários que foram estabelecidos.

A força da geometria pura em sua volumetria contundente e predominantemente horizontal se impõe como um novo marco urbano na cidade de Goiânia, possibilitada por sua materialidade e tecnologia inovadoras. Diante do nobre grau de representatividade da instituição, a arquitetura faz uso de símbolos e significados para sua comunicação com o usuário e com a cidade: a neutralidade que a justiça carrega se faz presente no branco e no preto, unidos pelo vermelho, presente nos elementos de proteção solar das fachadas como referência à cor oficial que representa a instituição do Direito. Uma arquitetura que se comunica com o ser humano, que a ele oferece ao menos um instante de emoção, de pausa. À cidade, revela-se única no contexto local. Um novo símbolo da nobre instituição que só a arquitetura poderia criar.

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Ficha Técnica

Obra: FÓRUM – Complexo Trabalhista do TRT da 18ª Região

Arquitetura: CORSI HIRANO ARQUITETOS

Autores – Daniel Corsi, Dani Hirano e Reinaldo Nishimura

Colaboradores – Liana Paula Perez de Oliveira, Laura Paes Barretto Pardo, Sergio Matera, Thais Velasco, Andrea Key Abe, Taís Lie Okano, Renato Borba e Pamella Porto Kaninski

Maquete – Leon Richard Benkler

Fotos – Nelson Kon

1º Prêmio – Concurso Público Nacional de Arquitetura

Localização: Goiânia, GO, Brasil

Ano do Projeto: 2007

Ano da Construção: 2008 / 2012

Área do Terreno: 4.916m²

Área Construída: 26.707m²

Área do Terreno (Complexo): 13.000m²

Área Construída (Complexo): 59.298m²

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Agradecemos aos autores pela disponibilização do projeto para publicação.

5 respostas em “Complexo Trabalhista do TRT – Goiânia

  1. Pura arquitetura! Acima de tudo, eficiente.
    Vale a pena ouvi-los falar também, e não só sobre arquitetura. O posicionamento crítico que parece embasar o escritório é um misto de sutileza, racionalidade, indagações e experimentações fascinantes. Isso pude perceber através de algumas aulas que tive com o Daniel Corsi na FAU Mackenzie.
    Parabéns pelo projeto consolidado, que tornou-se arquitetura. Ficamos na torcida para o Museu Exploratório de Ciências da Unicamp sair do papel também.

  2. E outra: memorial impecável em formato de redação , sem tópicos. Pq tudo está amarrado do começo ao fim. Aprendo muito a cada projeto q vejo desses caras aí.

  3. O projeto é indiscutivelmente bom. Funcional, estrutura arrojada, amplos espaços, sóbrio como deve ser, cívico, usou conceitos de eficiência energética e ainda cria a praça que é a melhor sacada da proposta e por isso foi vencedor de um dos concursos mais difíceis e concorridos q já aconteceram no Brasil. E essa coisa que falou de encaixotamento não existe. Tudo é resultado de muito amadurecimento na profissão. Boa sorte nos projetos e nos estudos.

  4. Mais um projeto de encaixotamento foi consolidado. Porém a funcionalidade da proposta em planta dos espaços e o conceito do isolamento térmico e o material fizeram a diferença. O conceito da praça, do meu ponto de vista, foi a única ideia fraca no projeto.

Comentários

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